Luis Soares
Colunista
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Racismo não 07/May/2012 às 19:22
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Cantor Seu Jorge fala de racismo e humilhações sofridas durante a infância

Para exemplificar as restrições impostas a alguns grupos sociais, o artista citou a propaganda, que dificilmente contrata um negro para ser o rosto de uma marca.

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Seu Jorge. (Foto: Reprodução)

Não dá para fugir a uma conversa complexa com Seu Jorge. Mesmo questionado sobre música ou cinema, ele cita uma quantidade de nomes, lugares e histórias de impressionar. Imagine então quando a entrevista aborda temas sociais sérios do Brasil, sociedade, oportunidade e preconceito.

“Quando eu era criança, só tínhamos eu e meus irmãos de negros na escola. Naquela época não havia tolerância com a gente, nós éramos muito atacados, muito humilhados”, contou em entrevista ao Portal da Band.

O artista – que é cantor, compositor, ator e produtor – desejou inicialmente ser músico para se tornar popular no colégio, que tinha uma banda. Como ele escolheu um instrumento caro, o saxofone, esse sonho ficou interrompido até os 20 anos de idade.

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Neste meio tempo, ele trabalhou nas mais diversas áreas e passou um período morando na rua. A iniciação artística se deu através do violão, este sim um instrumento de fácil adesão, com o objetivo de fazer amizades. “Eu queria me socializar, falar com as pessoas. O violão me levou para o teatro, que contribuiu demais para o meu aperfeiçoamento como ser humano e profissional”, comentou.

A despeito das dificuldades, Seu Jorge superou o destino e morou dez anos fora do Brasil, lançou hits de sucesso – como “Burguesinha” e “Mina do Condomínio” -, atuou em diversos filmes e hoje tem uma carreira internacional. “Eu acredito no Brasil, eu acredito no povo brasileiro. As oportunidades estão escassas, sim, mas as coisas melhoraram pra mim, não é mesmo? Por que não podem melhorar para os outros?”, questionou.

Mesmo nesta posição otimista, ele admite que a sociedade está longe de ser igualitária e justa. “Se eu estou andando em um shopping chique, sou o Seu Jorge. Se eu e meu irmão andarmos em um shopping chique, somos dois negros”, disse.

O racismo está aí. Aliás, não só o preconceito racial como também o social. Mas eu acredito que sonhar é fundamental”, acrescentou. Para exemplificar as restrições impostas a alguns grupos sociais, o cantor citou a propaganda, que dificilmente contrata um negro para ser o rosto de uma marca.

Portal Band

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Comentários

  1. Osmar T POA Postado em 14/May/2012 às 03:14

    O mais incrivel deste personagem é que ele, ao menos nas ultimas três eleições, apoiou os candidatos tucanos e participou do FORA LULA. Esteve em todos eventos anti-PT e pró Liberalismo. Deveriia reclamar c/ estes da condição histórica dos negros. Pra mim é um sem noção; um bobo-da-corte ou seria da Casa Grande?

  2. Ayrton Postado em 02/Jun/2012 às 23:04

    Sou fã do Seu Jorge desde que ele liderou as paseatas do movimento "Cansei/Fora Lula".

  3. Ayrton Postado em 02/Jun/2012 às 23:05

    Não gosto das m´suicas dele

  4. Nádia Postado em 11/Jul/2012 às 09:51

    Estranho ler essa entrevista depois de ter assistido o filme E ai comeu? , o filme é cheio de piadas racista e machistas.

  5. Erik Oliveira Postado em 24/Jul/2012 às 00:57

    Concordo totalmente com a Nádia acima pois, o filme é extremamente racista, deixando claro que o negro só pode ser "o pegador" e o "negão mulherengo", claro sempre em papéis que reforçam o estereótipo de empregado doméstico, garçom ou outras atividades extremamente operacionais que, mesmo dignas, deixam claro a exclusão social pela qual a raça negra deve sofrer. Ótimo exemplo a não ser seguido pelas produções nacionais. Imagino que se fosse em países desenvolvidos e com cidadãos mais conscientes dos seus direitos, produções assim nem seriam filmadas, quem dirá apoiada por órgãos governamentais e privados.

    • Henrique Xavier Postado em 13/Jan/2014 às 14:00

      Qual o problema do garçom ser negro mesmo? Qual o problema de existir em algum canto um garçom negro que seja pegador? Vocês dois colocam o preconceito no próprio comentário, eu não tenho esse estereótipo de garçom negro e pegador, onde vocês arranjaram isso eu não sei, se n botar uma pessoa branca pra ser garçom no filme o mesmo ja se torna preconceituoso é isso? E outra coisa, o que voces esperavam assistindo um filme com o nome "E ai, comeu?"? Um documentário do Femem ou como foi o apartheid na SA? Deem um tempo moralistas, por favor.

  6. Lex Steele Postado em 01/Aug/2012 às 13:51

    Ele é casado com uma mulher branca, e nunca vi ele namorar uma negra. Quando ele namorar uma negra, aí ele pode reclamar de racismo.

    • Nanda Postado em 19/Jun/2014 às 12:32

      Qual a novidade disso no Brasil? Acho que da para contar nos dedos das mãos a quantidade de negros classe média alta ou rico que são casados com mulheres negras.

  7. Sueli Oliveira Postado em 17/Jan/2013 às 19:16

    Todos estes comentários tem um fundamento mas, isso nao quer dizer que aqui no Brasil esteja fora de questão a mentalidade doentia e preconceituosa e ao mesmo tempo tão mediocre de certas pessoas RACISTAS...Ele esta certo de fazer piadas sobre racismo .........o que mais ele poderia fazer ???....Só piadas mesmo pois o BRASIL é uma piada!!!!!!