Luis Soares
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Ditadura Militar 16/May/2012 às 14:42
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Acompanhada de Lula e FHC, Dilma chora na instalação da Comissão da Verdade

Presidente Dilma Rousseff afirmou que o Brasil não pode se furtar de conhecer a totalidade de sua história

A presidente Dilma Rousseff se emocionou durante a cerimônia de posse dos integrantes e a instalação da Comissão da Verdade, ocorrida em Brasília, nesta quarta-feira. O grupo foi criado para apurar violações aos direitos humanos no Brasil no período de 1946 e 1988, incluindo a ditadura militar (1964-1985).

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“Ao instalar a Comissão da Verdade não nos move o revanchismo, mas nos move a necessidade imperiosa de conhecer a história em sua plenitude, sem ocultamentos, sem camuflagens, sem vetos e sem proibições”, destacou a presidenta, emocionada

Dilma iniciou seu discurso citando o político Ulysses Guimarães, oposicionista à ditadura militar e que lutou pela redemocratização do País. “A verdade não desaparece quando é eliminada a opinião dos que divergem. A verdade não mereceria esse nome se morresse quando censurada. A verdade de fato não morre por ter sido escondida”, disse.

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A presidente afirmou que o Brasil não pode se furtar de conhecer a totalidade de sua história. “Merecem a verdade aqueles que perderam amigos e parentes como se eles morressem de novo sempre, a cada dia”, falou. A nomeação dos membros da comissão ocorreu pensando em homens e mulheres que se identificam com a democracia, conforme ela.

“Ao instalar a Comissão da Verdade não nos move o revanchismo, o ódio ou o desejo de reescrever a história de uma forma diferente do que aconteceu, mas nos move a necessidade imperiosa de conhecê-la em sua plenitude, sem ocultamentos, sem camuflagens, sem vetos e sem proibições”, destacou a presidente.

O advogado e ex-ministro da Justiça, José Carlos Dias, ressaltou que a instalação da Comissão da Verdade é um passo relevante para a consolidação da democracia no País. Ele acredita que o fato se tornará uma marca do governo de Dilma, pela “coragem de revelar um período sombrio da história, sem caráter de revanchismo”.

Estavam presententes na cerimônia os ex-presidentes José Sarney, Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.

Confira a biografia dos sete integrantes da Comissão da Verdade:

Cláudio Fonteles – Mestre em Direito pela Universidade de Brasília (1983), foi procurador-geral de República entre 2003 e 2005. Como subprocurador-geral da República atuou no STF, na área criminal. Em 1991, coordenou a Câmara Criminal e a antiga Secretaria de Defesa dos Direitos Individuais e Interesses Difusos – Secodid (1987). Atuou no movimento político estudantil como secundarista e universitário e foi membro grupo Ação Popular (AP), que comandou a União Nacional dos Estudantes (UNE) na década de 60;

Gilson Dipp – Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, é ministro do STJ (1998) e do TSE (2011). Foi juiz do TRF da 4ª Região (1989) e presidente da instituição (1993-1995). Atuou como Corregedor Nacional de Justiça (2008-2010);

José Carlos Dias – Graduado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), foi ministro da Justiça (1999-2000) e presidente da Comissão de Justiça e Paz de São Paulo, na qual atua como conselheiro. Atuou ainda como secretário de Justiça do Estado de São Paulo (1983-1987);

João Paulo Cavalcanti Filho – Graduado em Direito, atua como advogado, escritor e consultor. Foi presidente do CADE, ministro interino da Justiça e secretário-geral do Ministério da Justiça;

Maria Rita Kehl – Doutora em psicanálise pela PUC (1997), atua como psicanalista, ensaísta, crítica literária, poetisa e cronista brasileira. Foi editora do Jornal Movimento, um dos mais importantes nomes do jornalismo alternativo durante o regime militar no Brasil;

Paulo Sérgio Pinheiro – Doutor em Troisiéme Cycle, Doctoral ès études politiques, pela Université Paris 1 (Panthéon-Sorbonne), é professor, escritor e consultor. Foi secretário especial de direitos humanos e relator do Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH (1996 e 2002). Atuou como relator da ONU para a Situação dos Direitos Humanos, em Burundi (1995-1998) e em Myanmar (2000-2008), e foi um dos representantes da sociedade civil na preparação do projeto da Comissão da Verdade. É relator da Infância da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação – EBC;

Rosa Maria Cardoso da Cunha – Doutora em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (IUPERJ), é advogada criminalista, professora e escritora. Foi membro do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (1999-2002) e subsecretária de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (1991-1994).

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