Luis Soares
Colunista
Compartilhar
Ditadura Militar 22/Mar/2012 às 20:53
12
Comentários

Vergonha: Globo e Folha se unem contra Comissão da Verdade

Os editoriais dos jornais O Globo e Folha revelam o temor das famílias Marinho e Frias com a reabertura dos debates sobre os crimes cometidos pela ditadura militar. Afinal, ambas as empresas jornalísticas apoiaram os golpistas

comissão verdade ditadura folha globoAltamiro Borges

Em editoriais dessa semana, que até parecem combinados, O Globo e Folha criticaram os setores de sociedade que pretendem, com a instalação da Comissão da Verdade, apurar os crimes da ditadura militar. Na avaliação dos dois jornais, que deram apoio ao golpe de 1964 e às barbáries do regime, não cabe analisar o passado – seja discutindo a Lei da Anistia ou a chacina no Araguaia.

O diário da família Marinho é mais descarado. No editorial “Sem vencidos e vencedores”, até suavizava os crimes da ditadura. “Os militares trataram de manter, mesmo que só formalmente, ritos da democracia representativa… Prendia-se por motivos políticos, cassavam-se vereadores, deputados, senadores, ministros do Supremo, mas procurava-se manter um lustro de ‘democracia’”.

Leia mais

Jornal compara algozes com vítimas

Essa singularidade, segundo o jornal, resultou no “perdão recíproco, dos agentes envolvidos na repressão e participantes da luta armada. Uma fieira de crimes foi cometida por ambos os lados naquela guerra suja e, muitas vezes, subterrânea”. O Globo, na maior caradura, compara os torturadores com os torturados e os golpistas com os democratas que resistiram à ditadura.

Com base nesta leitura histórica, o jornal conclui que “não se sustenta a campanha que volta a ganhar força, com a proximidade da indicação dos nomes da Comissão da Verdade, para a punição de militares, policiais, agentes de segurança em geral que atuaram nos porões da repressão… Do ponto de vista da Lei de Anistia, a verdade é que não houve vencidos nem vencedores”.

Frias decreta o fim da polêmica

Já Folha, que sempre posa de eclética para enganar os mais ingênuos, foi mais marota no editorial intitulado “Respeito à Anistia”. Ela não suaviza nas críticas à ditadura, evitando usar novamente o termo “ditabranda”. Mas, na prática, defende a mesma tese do jornal carioca e tenta se amparar na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento de 2010, sobre a lei da anistia.

“O Supremo encerrou de vez, para o bem da sociedade, toda polêmica sobre o alcance da anistia”. Portanto, decreta a Folha, não cabe à Comissão da Verdade reabrir este debate. O jornal também critica o Ministério Público Federal que pediu a reabertura do caso sobre o coronel da reserva Sebastião Curió, o carrasco acusado de vários assassinatos na Guerrilha do Araguaia.

O temor da Comissão da Verdade

Para o jornal, o pedido da Justiça Federal “tensiona o ambiente já dificultoso para instalação da Comissão da Verdade. O escopo da comissão é dar acesso a documentos do período de 1946 a 1988 para clarear o registro histórico. Não se deve sacrificar esse objetivo maior, ainda que a pretexto de repudiar crimes contra direitos humanos que a Lei da Anistia tornou página virada”.

Os editoriais dos jornais O Globo e Folha, além de patéticos, revelam o temor das famiglias Marinho e Frias com a reabertura dos debates sobre os crimes cometidos pela ditadura militar. Afinal, ambas as empresas jornalísticas apoiaram os golpistas. A Folha até cedeu seus veículos para o transporte de presos políticos para a tortura. Já Roberto Marinho costumava frequentar o Dops.

Rabo preso com a ditadura

No facebook, o dirigente petista Renato Simões foi rápido na resposta. “A Folha lança manifesto em legítima defesa de ré confessa de colaboração com os crimes da ditadura. O editorial é um libelo em causa própria, da Folha e de todos os meios de comunicação e outras empresas privadas que financiaram e defenderam a tortura e as violações de direitos humanos durante a ditadura”.

“Cláusula pétrea da impunidade, a ilegítima lei de anistia autoconcedida pelos militares no começo do declínio de seu regime é invocada pela Folha e pelos cúmplices dos Curiós da vida, frequentadores dos porões dos Doi-Codis e outros centros de repressão e tortura sempre que a verdade começa a vir à tona. Mais uma prova do rabo preso da Folha com o regime militar, e mais uma prova da urgência e necessidade históricas da instalação da Comissão da Verdade”.

Blog do Miro

Recomendados para você

Comentários

  1. Henrique Postado em 22/Mar/2012 às 21:55

    É como eu sempre digo: colocar barata viva na vagina de mulher para torturá-la, não foi ditadura, foi 'ditabranda'!

  2. Henrique Postado em 22/Mar/2012 às 22:00

    O que se observa, neste assunto, é que existem imensos interesses dos lacaios da ordem americana que estão contrariados com autodeterminação do Brasil em continuar evoluindo e de maneira soberana com a continuação do que foi iniciado no gov/Lula. Os que são contra a Verdade possuem uma paupérrima concepção de um ser humano. Só o humanismo é capaz de compreender uma sociedade, o seu povo, a sua verdade. O homem se forma pelo que faz e, para isso, ele precisa ser humano antes de mais nada. TORTURA E MORTE, o que fizeram os ditadores lacaios da ordem americana está gravado INDELEVELMENTE. Isto nunca se apagará - a História é implacável. A Comissão da Verdade nunca será uma mentira!

  3. Henrique Postado em 22/Mar/2012 às 22:09

    Equanto aos milicos de "pantufas" ... A DISCIPLINA MILITAR não vai ser arranhada por ditadores que venham a ser punidos. A atitude de uma meia dúzia de ‘pijamas de bolinhas’ NUNCA tomará a frente de milhões de contribuintes que se preocupam com a verdadeira História do país. É hipócrita o manifesto deles! PALANQUE POLÍTICO para militar da reserva, desta maneira, é enganar o eleitor por puro interesse da politicalha. A institucionalidade das Forças Armadas é mais sólida do que este cerebrino mico – dos milicos de pijama – de atitude golpista, saudosista da “ditabranda”, que só quer fazer coro com a falácia da imprensa e de alguns rídiculos que se dizem democratas/intelectuais. Isto, hoje, não engana mais o povo. As instituições são sólidas no país porque as Forças Armadas se preocupam com o progresso e a pátria e estão muito bem postadas no seu papel constitucional. A política suja deve ficar com os maus políticos e os de pijama. Esta atitude política(?) – da turma de pijama – é ilícito sim, sem isenção e conservadora, para excitar as paixões populares e promover a não COMISSÃO DA VERDADE . É de um ridículo atroz e negada pelos brasileiros. Progesso, patriotismo, defesa encontra-se nos militares. Enquanto o Brasil está lutando e conseguindo uma realidade social mais digna para seu povo, aparece uma meia dúzia de ‘milicos de pijama’ que estão ‘lutando’ para um “grau de emburrecimento” nas suas “reservas remuneradas”.

  4. Ralf Rickli Postado em 23/Mar/2012 às 07:37

    Bom, para quem realmente entende o que significa PRAGMATISMO, há uma verdade na posição da Folha - verdade parcial, mas verdade: "O escopo da comissão é dar acesso a documentos do período de 1946 a 1988 para clarear o registro histórico. Não se deve sacrificar esse objetivo maior...". Até aí está certo. É óbvio que os crimes da ditadura NÃO são página virada, mas começar a tratá-los criminalmente neste momento, ainda antes da indicação da Comissão da Verdade, é erro estratégico que não desmerece a antiga palavra "porralouquice". Quem tem a mínima noção de que não se ganha nenhum jogo sem estratégia saberá esperar que a Comissão esteja instalada e realize seu trabalho puramente histórico. UMA VEZ A SOCIEDADE ESTEJA DE POSSE DESSES RESULTADOS, aí pode pensar em como prosseguir para o nível jurídico, devidamente instrumentada. Querer começar com o nível jurídico agora DE FATO só vai atrapalhar a serenidade necessária na fase investigativa. Em outras palavras, é jogar contra. Bem ao estilo do antigo personagem do Henfil, Xabu, o provocador.

  5. Henrique Postado em 23/Mar/2012 às 08:47

    O verdadeiro é tudo o que pode ser feito com êxito e não há verdade absoluta. A Comissão Nacional da Verdade por si só já é um êxito, mesmo que ainda não instalada - pelo menos o primeiro passo foi dado. Está claro que quem não aceita a Comissão utilizará de todos os métodos para inviabilizá-la, para que predomine a impunidade - esta é a estratégia atual. É como disse Juan Méndez, relator especial da ONU Contra Tortura: “Essas Comissões são sempre importantes. O que me parece ruim é quando elas são concebidas como alternativa à Justiça. Em muitos países, foi justamente assim que elas foram criadas. Sempre é importante que essas comissões existam. Mas, claro, sempre que elas não signifiquem uma desculpa para que não haja Justiça.” ... No Brasil ela está sendo criada ou estão querendo que seja assim. Há graves reparos à redação do dito projeto. Por exemplo, na Comissão não ficou qualificado, igualmente, pelo menos em termos técnico-jurídicos claros, de tomar qualquer providência capaz de punir algum indiciado. Outro exemplo: uns querem trocar a palavra"convocar" para "convidar" (as pessoas para depor) - todo mundo sabe que "convite" ou se aceita ou se rejeita! Etc.... ... É essencial que a Comissão da Verdade seja feita com êxito e que ela resista aos seus desafetos que torturaram e mataram inúmeras pessoas.

  6. Kurô Postado em 23/Mar/2012 às 18:06

    "É prudente lembrar que a jurisprudência, o costume e a doutrina internacionais consagram que nenhuma lei ou norma de direito interno, tais como as disposições acerca da anistia, as normas de prescrição e outras excludentes de punibilidade, deve impedir que um Estado cumpra a sua obrigação inalienável de punir os crimes de lesa-humanidade, por serem eles insuperáveis nas existências de um indivíduo agredido, nas memórias dos componentes de seu círculo social e nas transmissões por gerações de toda a humanidade. É preciso ultrapassar o positivismo exacerbado, pois só assim se entrará em um novo período de respeito aos direitos da pessoa, contribuindo para acabar com o círculo de impunidade no Brasil. É preciso mostrar que a Justiça age de forma igualitária na punição de quem quer que pratique graves crimes contra a humanidade, de modo que a imperatividade do Direito e da Justiça sirvam sempre para mostrar que práticas tão cruéis e desumanas jamais podem se repetir, jamais serão esquecidas e a qualquer tempo serão punidas." - Roberto de Figueiredo Caldas - Juiz ad Hoc - Caso Gomes Lund e Outros (“Guerrilha do Araguaia”) Vs. Brasil Sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos na íntegra aqui: http://www.corteidh.or.cr/docs/casos/articulos/seriec_219_por.pdf

  7. Wilson Trajano Postado em 24/Mar/2012 às 12:09

    Calma gente. Ainda faltam muitos fatos a serem apurados. Uma coisa tenham certeza, essa vergonha nacional tem que ser passada a limpo, doa em quem doer. Não vamos culpar a instituição e sim apurar os fatos sem revanchismo. A Sabedoria Divina Universal é infalível. Quem deve já está sendo torturado pela própria consciência, se é que ainda tem.

  8. Ludmilla Postado em 24/Mar/2012 às 21:29

    Os comentários demonstram o quanto nosso povo é ZUMBI DOS VERMELHOS. Quanta ignorância, meu Deus!! Gente que JAMAIS pegou um livro, jornal, revista ou documentário da época para estudar, gente que apenas se deixou doutrinar pelos vermelhos, relegando seu cérebro (que eu começo a duvidar que tenham) à ZERO, deixando que os únicos BANDIDOS, guerrilheiros, terroristas, assaltantes, sequestradores e criminosos em geral, da época (hoje perdoados pelos brasileiros,através da Lei da Anistia), lhes EMBURREÇAM, gente sem o MENOR DISCERNIMENTO...dando palpite conforme foram "ZUMBIANAMENTE" programados!!!! Nem percebem que, apoiando ex foras da Lei, que hoje(muitos deles) estão"políticos", estão fazendo o mal, não para eles, pois não mais estarão nesse mundo para ver o resultado de suas opções nas urnas, mas para os PRÓPRIOS FILHOS DELES, que são quem sofrerão pelas errôneas opções dos pais !!!

  9. Andre Postado em 25/Mar/2012 às 12:51

    E existe alguma empresa jornalística honesta no Brasil? Globo e Folha=ditadura. Record=dinheiro roubado dos fiéis.

  10. Henrique Postado em 25/Mar/2012 às 23:14

    A diferença é que hoje há jornalismo sem risco permanente de vida, como era na DITABRANDA, mesmo com o jornalismo partidário que temos. Ainda há um núcleo (midiático, os de “pijama”, etc..) que fazem de tudo para dissociar a ditadura brasileira das ditaduras em outros países do continente. Esse núcleo ainda crê que em continuar com seus interesses ideológicos particulares, que é manter o seu sagrado lucro e mercado privado. Quantos empresários acreditaram e apoiaram o golpe. Senão, quem quer abafar o caráter criminoso, a crueldade do que aconteceu na DITABRANDA!? Quem, “zumbianamente” (como diz a ‘ludmila’) senão a turma da DITABRANDA e Cia não gosta da plena democracia?! A medida que o Brasil se aproximar da plena democracia, os “zumbis” de pijama e Cia entram em ação com um novo discurso! É só tocarem no assunto! É como se o golpe da DITABRANDA contra a democracia não tinha nada a ver com a democracia de toda a América Latina. Os golpes foram se sucedendo na região, com o apoio político e logístico dos EUA e do Brasil. Documentos sobre a Operação Condor fornecem vastas evidências dessa relação. A DITABRANDA brasileira apoiou política e materialmente uma série de outras ditaduras na região, sendo responsável por muitas torturas, mortes e desaparecimentos em outros países. "A gente não matava. Prendia e entregava", admitiu o general Agnaldo Del Nero Augusto O editorial da Folha (17/02/2009) corrobora as palavras do general Del Nero: “a gente só apoiava e financiava a ditadura; não há crime nisso”. Como alguém disse aí em cima, “gente que JAMAIS pegou um livro, jornal, revista ou documentário da época para estudar” , basta ler os documentos sobre a Operação Condor que fornecem vastas evidências da DITABRANDA e de outros países da América Latina e a ajuda dos EUA. Estes documentos estão à disposição de qualquer cidadão, ou ‘zumbi’ como queiram. Sugiro, também, aos que dizem 'quanta ignorância, meu Deus!!" que só visitem os porões do DOI-CODI de São Paulo e Rio de Janeiro e tentem sentir o por que de salas totalmente escuras e com utensílios para tortura. O resto, para mim, são 'zumbis' da alienação da mídia partidária que temos hoje.

  11. Luiza Postado em 30/Mar/2012 às 10:22

    Importante a luta pela Comissão da Verdade como tantas outras que têm acontecido: porém, muito importante também, é a luta contra a corrupção e roubalheira do nosso dinheiro, pela qual não vejo acontecer nenhuma maniifestação contra. Tudo isto me parece mais uma jogada política do que social, atingindo diretamente aos que possuem gau de QI àquem da média.

  12. Carioquenho Postado em 06/Apr/2012 às 21:18

    "Sin verdad y justicia es como pensar en una mesa de tres patas a la cual le falta una". Argentina dió un primer paso al ser la primera nación en la historia en enjuiciar y encarcelar a los genocidas, no fue fácil, pero uds. tienen toda la experiencia adquirida por el Estado y las ONG de Argentina para encarar con sabiduría esta nueva lucha por los derechos humanos, la verdad y la justícia. Um grande abraço. Carioquenho