Redação Pragmatismo
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Desigualdade Social 07/Mar/2012 às 19:53
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Recorde histórico: Brasil atinge menor nível de desigualdade social desde 1960

Brasil está mais igual e pobreza cai quase 8% só em 2011. Apesar do enfrentamento de crises financeiras mundiais, índice decresce três vezes mais rápido do que a meta do milênio da ONU, informa estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas)

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Na última década a renda dos 50% mais pobres do Brasil cresceu 68%, enquanto a dos 10% mais ricos cresceu apenas 10%

O Brasil atingiu em 2012 o menor nível de desigualdade desde 1960, apesar da crise na Europa. De acordo com a pesquisa “De volta ao País do Futuro” do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (CPS/FGV), o índice de Gini – que varia de 0 a 1, sendo menos desigual mais próximo de zero -, caiu 2,1% de janeiro de 2011 a janeiro de 2012, chegando a 0,5190.

A projeção da FGV é que a desigualdade continue se reduzindo ano País, levando o índice a 0,51407 em 2014. “A má notícia é que ainda somos muito desiguais. Mas a queda é espetacular e deve continuar”, afirmou Marcelo Neri, coordenador da pesquisa.

A FGV mostra que a renda familiar per capita média do brasileiro cresceu 2,7% nos 12 meses encerrados em janeiro. É o mesmo crescimento registrado de 2002 a 2008, período considerado uma era de ouro mundial, e superior ao 0% de 2009, em função da crise financeira daquele ano.

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A pobreza no País também caiu entre janeiro do ano passado e janeiro deste ano: -7,9%, ritmo três vezes mais rápido do que da meta do milênio da ONU. Isso depois de uma redução de 11,7% na pobreza de maio de 2010 a maio de 2011, quando o Brasil crescia mais.

Segundo Neri, a redução da desigualdade foi fundamental para este resultado na pobreza. Ele cita que na última década a renda dos 50% mais pobres do Brasil cresceu 68%, enquanto a dos 10% mais ricos cresceu apenas 10%.

Outra conclusão da pesquisa é que a população nas classes AB será 29% maior em dois anos, enquanto a da classe C crescerá 11 9%. “Agora falaremos da nova classe AB, como falamos da nova classe média”, disse Marcelo Neri, coordenador do estudo.

A projeção do CPS/FGV é que 60,1% da população brasileira estará na classe C em 2014, ante 55% em 2011. De 2003 a 2011, mais 40 milhões de pessoas chegaram à nova classe média e a expectativa é que serão mais 12 milhões até 2014, somando cerca de 118 milhões de pessoas. A metodologia da FGV, que leva em conta a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE, classifica como classe C aqueles com renda familiar de R$ 1.734 a R$ 7.475. O dado foi atualizado a preços de julho de 2011. A classe AB chegará a 29,1 milhões, contra 13,3 milhões de brasileiros em 2003.

Já a população da classe DE – com renda de zero a R$ 1.734 – seguirá se reduzindo, em consequência da queda da desigualdade e ascensão para outros segmentos econômicos. A FGV calcula que ela sairá dos atuais 63,6 milhões de brasileiros para 48,9 milhões em 2014. No ano de 2003, a base da pirâmide social brasileira tinha 96,2 milhões de pessoas.

“A crise não afetou esse movimento que teve Lula como pai e FHC como avô, pela estabilização. E a educação foi o fator mais importante (para essa migração)”, disse Neri. Para o pesquisador o governo Lula teve sorte por ter enfrentado períodos de crise mundial quando a economia estava superaquecida. As crises, avalia, frearam a economia e a inflação antes do Banco Central agir. Apesar da redução da desigualdade e da pobreza, Neri é taxativo ao afirmar que ela não será erradicada em 2014, como promete o governo federal. “A pobreza não termina, apesar da meta nobre”, disse Neri.

Agência Estado

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Comentários

  1. Ayrton Postado em 30/May/2012 às 21:38

    Vou agora mesmo ligar para a família Moreira Salles, para o Eike Batista, para o Samuel Klein (Casas Bahia) e para o Antônio Ermírio de Moraes (dono do monopólio de papel e cimento no Brasil), financiadores das campanhas de Lula e Dilma e contar essa novidade!

  2. geraldo ivan de souza Postado em 26/Jun/2013 às 13:53

    eu gostaria de pedir pra presidenta.o fim do famigerado fatór previdenciário,pois eu como milhões de brasileiros somos vitimas desse sistéma pervesso;eu esto sendo punido porque trabalhei a minha vida inteira,já esto com66 anos e não conseguie mim aposentar;

  3. Fernando Postado em 27/Jun/2013 às 15:12

    Falem o que quiser, mas os ganhos das políticas sociais dos últimos 10 anos de governo federal são inegáveis e irrepreensíveis.

  4. Renato Postado em 27/Jun/2013 às 17:56

    Continuo vendo míseria do pior dos mundos, nos sistema público de saude, nas escolas publicas, no sistem educacional primario e secundario, e imoralidade da gestão pública, onde os atuais donos do poder transformaram seus cargos em verdadeiras orgias com o dinheiro arrecadado dos impostos !! Me digam que que a desigualdade diminuiu e eu vejop outro cenário... o da realidade.

  5. Thiago Postado em 28/Jun/2013 às 12:56

    gente, desde 1960????? Época diferente, realidade diferente...