Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 09/Mar/2012 às 14:28
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Disparidade entre os sexos: mulheres estudam mais e ganham menos

Silvia Camurça, integrante da Articulação de Brasileiras (AMB), reforça o que a própria pesquisa já mostra: que o problema do Brasil não está relacionado à educação, mas sim à atividade econômica e o empoderamento

diferenças homem mulher mercado trabalhoAinda na atmosfera do 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a rede internacional de grupos cidadãos Social Watch publicou o Índice de Equidade de Gênero 2012. A pesquisa, criada para avaliar a disparidade entre os sexos, leva em consideração critérios como educação, atividade econômica e empoderamento da mulher. Mais de 150 países foram avaliados e listados em um ranking de igualdade de gênero.

Na pesquisa, os países podem receber notas que vão até 100, o que representa a igualdade total, mas nenhum deles chegou a este patamar. Nem mesmo a nota 90, que considera a situação de igualdade “aceitável” foi obtida. Nos ranking dos dez primeiros países estão: Noruega (0,89), Finlândia (0,88), Islândia (0,87), Suécia (0,87), Dinamarca (0,84), Nova Zelândia (0,82), Espanha (0,81), Mongólia (0,81), Canadá (0,80) e Alemanha (0,80).

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Na outra ponta, os países que ocuparam as posições mais precárias foram: Índia (0,37), Congo (0,36), Mali (0,32), Costa do Marfim (0,32), Paquistão (0,29), República Democrática do Congo (0,29), Nigéria (0,26), Chade (0,25), Iêmen (0,24) e Afeganistão (0,15).

No que diz respeito aos países da América Latina e do Caribe, Trinidad e Togabo e Panamá foram ao mais bem colocados, com 0,78 e 0,76 pontos, respectivamente. Em contrapartida, os três da região em pior situação foram: El Salvador com 0,62, Guatemala com 0,49 e Haiti com 0,48 pontos.

Entre países do Mercado Comum do Sul (Mercosul) as notas foram intermediárias. Uruguai e Argentina apresentaram Índice de Equidade de Gênero (IEG) 0,74, Paraguai 0,73 e na última posição do bloco ficou o Brasil com 0,72.

Silvia Camurça, integrante da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), reforça o que a própria pesquisa já mostra: que o problema do Brasil não está relacionado à educação, mas sim à atividade econômica e o empoderamento. Nestes quesitos, as notas do país foram 0,98; 0,75 e 0,43, respectivamente.

“A taxa de escolaridade das mulheres é mais alta, temos até dois anos a mais de estudos do que os homens, mas continuamos ganhando menos do que eles. Infelizmente, a educação não tem garantido maior renda. No Brasil, as mulheres ganham cerca de 70% do salário dos homens, enquanto em outros países este índice chega a 80, 85%”, esclarece.

Silvia também explica que a atividade econômica ajudou a puxar o Brasil para baixo nesse ranking, pois apesar de ter enfrentando bem a crise econômica que surgiu em 2008, o país gerou prioritariamente empregos na indústria branca, automobilística e nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que empregam os homens. Ao mesmo tempo, reduziu o orçamento para as áreas de educação e saúde, que são as que mais empregam mulheres.

Já o empoderamento, quesito em que o país recebeu a menor nota, é considerado por Silvia o mais importante. A ativista aponta que apesar de termos uma mulher na presidência temos poucas mulheres na política, situação que é sustentada por fatores como a “cumplicidade entre as alas patriarcais dos poderes”. Silvia avalia que depois da violência contra a mulher, a pior expressão do patriarcalismo é o bloqueio da entrada das mulheres na política.

Natasha Pitts, em Adital

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Comentários

  1. Eduardo Postado em 23/May/2012 às 01:38

    Eu pensei que esse assunto já tivesse sido resolvido. Sugiro pesquisarem melhor sobre o mito da disparidade salarial. Se uma mulher faz o mesmo trabalho que um homem faz, mas por um preço menor, porque não contratar só mulheres, produzir um produto com um custo menor, com um preço menor, batendo assim a concorrência? Peço desculpas por anexar vídeos em inglês, que explicam melhor o assunto. Ordenei eles dos mais curtos e sucintos, até o ultimo, que a primeira parte de oito, uma palestra do Dr. Warren Farrel: http://www.youtube.com/watch?v=IMkDEe8ypfU http://www.youtube.com/watch?v=DtjaBQMog0Q http://www.youtube.com/watch?v=Cb_6v-JQ13Q Existe também uma página do wikipedia, em português, que faz referências aos trabalhos dele: http://pt.wikipedia.org/wiki/Warren_Farrell

  2. Eduardo Postado em 23/May/2012 às 01:54

    Referente ao meu outro comentário: Apesar da pesquisa que citei explicar que a diferença entre os salários advêm de escolhas pessoais, isso não quer dizer que não exista discriminação contra as mulheres (o que eu acredito que exista sim). Eu só quero demonstrar que este assunto é mais complexo do que aparenta ser.

  3. Vinícius Pinto Costa Postado em 15/Jun/2013 às 00:37

    A questão é que existe discriminação contra as mulheres E com os homens, não somente com um nem somente com o outro. O machismo e o femismo coexistem. Justamente isso que Warren Farrell nos diz.