Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 07/Feb/2012 às 11:41
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Dado assustador: Meninas entre 4 e 12 anos sofrem mutilação genital a cada quatro minutos

A mutilação genital feminina compreende todas as intervenções que envolvam a remoção parcial ou total dos órgãos genitais femininos externos ou que provoquem sequelas nos órgãos genitais femininos

Para marcar o Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, a Anistia Internacional lançou um dado assustador: a cada quatro minutos, uma menina tem o clitóris e, em alguns casos, os lábios vaginais, retirados como parte de ritual religioso ou pressão social. De acordo com a ONG, a mutilação ainda acontece em 28 países.

Mutilação genital

Mutilação genital

A Anistia Internacional calcula que 135 milhões de mulheres foram mutiladas até hoje e a cifra aumenta em dois milhões a cada ano, conforme seus informes. A OMS (Organização Mundial de Saúde), por sua vez, fala em três milhões de mutilações anuais.

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A mutilação genital feminina compreende todas as intervenções que envolvam a remoção parcial ou total dos órgãos genitais femininos externos ou que provoquem sequelas nos órgãos genitais femininos, por motivos não relacionados com a saúde, segundo a AI.

“Vários estudos destacam o risco de complicações psicológicas a longo prazo, incluindo depressão, estresse pós-traumático, desordens mentais e ansiedade semelhantes aos sofridos pelas as meninas que foram abusadas sexualmente”, afirmou à Agência Efe a médica Elise Johansen, do departamento de Saúde Reprodutiva da OMS.

A médica acrescentou que inclusive as meninas que nunca tiveram uma destas complicações sofreram com dor e com uma violência que obriga a ficarem quietas durante o procedimento da amputação, o que representa um trauma.

“Mas sobretudo, elas estarão privadas por toda a vida do órgão mais sensível do corpo, o clitóris”, disse Johansen.

Tipos de mutilação

Segundo a OMS, a forma mais comum deste tipo de mutilação é a cisão do clitóris e dos lábios menores (em 80% dos casos), enquanto a mais severa (15%) é a infibulação, que consiste na extirpação do clitóris, dos lábios menores e parte dos maiores, seguida do fechamento vaginal mediante sutura.

Num longo prazo, a mutilação pode dar origem a infertilidade, infecções crônicas, relações sexuais dolorosas, complicações durante a gravidez e o parto, tanto para as mulheres quanto para os recém-nascidos. “Foi comprovado que a mutilação genital aumenta a prevalência de determinados problemas sexuais, incluindo a dor, diminuição do desejo e diminuição do prazer”, disse a médica.

Johansen explicou que, segundo estudos não publicados, 21% das mulheres que padeceram dos tipos 1 e 2 da mutilação genital — que consistem na retirada do clitóris e dos lábios, mas não da sutura da vagina — têm hemorragias depois do parto, e pelo menos 15% delas têm que ser internadas em hospitais.

“Além disso, se houve uma mutilação genital, o risco de que a criança nasça com problemas ou morra aumenta consideravelmente. A estimativa é de que entre 1 e 2 crianças em cada 100 morram porque sua mãe foi mutilada na infância”.

Idade

De acordo com Johansen, a maior parte destas mutilações é praticada quando as meninas têm entre quatro e 12 anos de idade. “Em alguns países, fazem mais cedo para que as meninas não se lembrem da dor, mas outros países fazem mais tarde porque consideram que as meninas estão mais maduras para assumir a dor”, disse.

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“Os que operam tarde também fazem como parte de um ritual no qual a dor é parte do objetivo para preparar as meninas para o resto de suas vidas e inscrever em sua memória corporal os riscos e os perigos associados à sexualidade, e portanto esperam que resistam melhor as tentações sexuais”, acrescentou.

Opera Mundi

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Comentários

  1. Dalila Postado em 06/Mar/2012 às 10:44

    São BÁRBAROS os povos que praticam esse horror! Se o deus deles quisesse que só os homens tivessem vida sexual, teria feito as mulheres assexuadas . Eles são violentos contra a própria natureza do ser humano. É o mesmo que dizer que o deus deles está errado em dar genitália às mulheres. São criminosos e absurdos esses atos.

  2. Maria Postado em 22/May/2012 às 22:16

    Mas que absurdo como é que alguem tem coragem de fazer uma coisa dessas que horror

  3. Emanuel Maciel Postado em 24/May/2012 às 12:50

    Devemos respeitar tal cultura, mesmo sendo um absurdo aos nossos olhos. Talvez o que fazemos seja um absurdo aos seus olhos também... e vise-versa.

    • Uma feminista cansada Postado em 03/Jan/2014 às 15:15

      Óh! Fácil um HOMEM dizer isso, se fosse o seu gênero que passasse por isso, você acharia um absurdo, né? Talvez seja uma "cultura" porque simplesmente acontece exclusivamente com o sexo feminino, por isso que acham normal pintar e bordar com o corpo das mulheres. Pra mim e para todos que leram essa matéria, não vê isso como cultura, e sim como VIOLÊNCIA e é um violência INACEITÁVEL. E que vemos isso e não podemos fazer absolutamente NADA! Duvido se isso acontecesse com os homens ficaria por isso mesmo, já teria proibido essa prática. O machismo não tem fim mesmo. Lamentável.

  4. Daiane Postado em 29/May/2012 às 14:26

    Nunca uma postura relativista funciona bem, emanuel, é uma característica do pós modernismo. Quando você se omite e fica neutro, já assume uma posição, que é a favor do mais forte. É um aspecto cultural, é, mas então porque lutamos contra a burca, contra o estupro que acontece muito no Brasil e no mundo, etc? Não são todos aspectos culturais? Se a mutilação genital não é escolha da menina, então fere seus direitos e deve sim ser combatida, nunca devemos assumir neutralidade, porque neutralidade não existe na prática

  5. Laíne Ramos Postado em 11/Aug/2012 às 00:14

    Complementando o que a Daiane disse, essas mutilações além de serem feitas contra as vontades das meninas, não possuem intervenção médica ou condições higiênicas favoráveis. É humanamente justo se abster de julgar tais práticas com o argumento da liberdade cultural?

  6. bruno Postado em 31/Oct/2012 às 16:20

    emanuel maciel voce é retardado ? Em que mundo voce vive cara , respeitar culturas onde crianças são mutiladas as vezes ate mesmo com cacos de vidro , voce so pode estar brincadeira .

  7. Absurdo: Bispo sugere que mulheres só são estupradas quando querem - Pragmatismo Político Postado em 29/Jan/2016 às 12:23

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