Redação Pragmatismo
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Política 09/Dec/2011 às 13:12
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Romário vs. Ronaldo - No duelo fora dos campos, larga vantagem para o baixinho

“Não há santo neste duelo de gigantes, mas, fora de campo, Romário começa a ganhar o jogo”

Por Xico Sá

romario ronaldo ricardo teixeira

Amigo torcedor, amigo secador, dois matadores, dois campeões, dois ídolos, dois finais de carreira, dois destinos diferentes no faroeste do futebol caboclo.

Ronaldo, em alta velocidade, como nas melhores temporadas, seguiu em busca do ouro, em duas frentes. Nos negócios da firma de marketing e no comitê da Copa-14. Nessa última atividade, faz o pivô e o escudo para o aliado Ricardo Teixeira.

Sua excelência Romário de Souza Faria (PSB-RJ) converteu seus mil gols em 146 mil votos e chegou à Câmara dos Deputados. Parece bem à vontade de paletó e gravata, quase como se estivesse na pequena área. O baixinho se vinga com seus precisos cutucões políticos no mandatário da CBF.

Não há santo neste duelo de gigantes do esporte, mas, se há dúvida sobre quem foi melhor em campo, Romário começa a ganhar o jogo fora dele. Há inteligência na segunda vida de um boleiro.

Com moral diante da torcida, o ex-atacante do Vasco usa bem o mandato popular e ataca abertamente o dono da bola, tanto na tribuna como nas entrevistas.

Romário apoia a intervenção federal no comando da entidade. “A partir do momento que se comprove, legalmente, que existem coisas que estão totalmente fora da nossa legislação, eu tiraria o presidente da CBF”, disse.

Tudo bem, não é assim um prezado amigo Afonsinho, o grande craque do Botafogo e da dignidade, igualmente médico como o Tostão e o doutor Sócrates, para ficarmos no fino do pensamento filosófico brasileiro. Dentro ou fora de campo.
Tem sido, porém, o craque possível, talvez o primeiro caso de ex-atleta com mandato que incomoda o dono perpétuo da bola.

Aí o amigo, cansado das coisas da política, cético no último, me diz: “Ah, é só interesse em se eleger mais adiante, talvez a prefeito do Rio”.

Pode ser, meu caro, afinal de contas tudo é vaidade, como está escrito no Eclesiastes e na placa do boteco aqui da esquina. Não vejo nada ilegítimo, porém, em fazer um bom mandato e conquistar eleitores. Ronaldo, até mesmo no caso Neymar, seu cliente, só pensou no óbvio e no privado: mandar o moleque voando para a Europa. Não pensou no significado público de mantê-lo até a Copa.

Vaidade, vaidade e grana, não temos nada contra a moral bíblica, mas não custa nada pensar um totozinho na ideia de país.

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