Redação Pragmatismo
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Racismo não 18/Dec/2011 às 13:05
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Negros ou urubus? Ferreira Gullar defende que a intelectualidade é exclusividade branca

A literatura, sendo a menina dos olhos da cultura, deve ser defendida da invasão dos negros; é o que ridicularmente pretende Ferreira Gullar

Ferreira Gullar

Ferreira Gullar

Por conta da publicação, em quatro volumes, da Literatura e Afrodescendência no Brasil: antologia crítica, organizada pelos professores Eduardo de Assis Duarte e Maria Nazareth Fonseca, seja pela apresentação gráfica sofisticada da obra, seja pelo seu aporte crítico envolvendo profissionais de diversas universidades brasileiras e estrangeiras, a questão de ser ou não ser negra a vertente da literatura brasileira que compõe seu conteúdo tem trazido à tona manifestações que vão desde respeitosas e aprofundadas abordagens até esdrúxulos pitacos de quem demonstra sua completa ignorância do assunto, má vontade e racismo crônico. Neste último caso está o que publicou Ferreira Gullar, com o título “Preconceito cultural”, no caderno Folha Ilustrada, do jornal Folha de São Paulo, de 04/12/2011.

O autor do Poema Sujo, no qual compara um urubu a um negro de fraque, deve estar estranhando (estranheza é a palavra que ele emprega) que o negro não é uma simples idéia desprezível, mas um imenso número de pessoas, cuja maior parte, hoje, não come carniça, e que aqueles ainda submetidos à miséria mais miserável jamais quiseram fazer o trabalho daquela ave, e que se a “a vasta maioria dos escravos nem se quer aprendia a ler”, como diz ele, não é porque não queria. Era proibida. Há vários dispositivos legais e normas que comprovam isso. Havia uma vontade contrária. Há e sempre houve um querer coletivo negro de revolta contra a opressão racista.

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Quanto a existir ou não literatura negro-brasileira, deixemos de hipocrisia. No mundo da cultura só existe o que uma vontade coletiva, ou mesmo individual, diz que sim e consegue vencer aqueles que dizem não. Foi assim com a própria literatura brasileira e os tantos ismos que por aqui deixaram seus rastros. Características, traços estilísticos, vocabulário etc, que demarcam a possibilidade de se rotular um corpus literário, no tocante à produção literária negra, já vem sendo estudados. Basta lembrar três antologias de ensaios: Poéticas afro-brasileiras, de 2002, com 259 páginas;

A mente afro-brasileira (em três idiomas), de 2007, com 577 páginas; Um tigre na floresta dos signos, de 2010, com 748 páginas, além de outras reuniões de textos, estudos, dissertações e teses. Por outro lado, se Cruz e Sousa e Machado de Assis, como argumenta Gullar “foram herdeiros de tendências literárias européias”, e, portanto, “não se pode afirmar que faziam literatura negra”, o que dizer de Lépold Senghor e Aimé Césaire, principais criadores do Movimento da Negritude, embora herdeiros da tradição literária francesa? A literatura não é só resultado de si mesma. Só uma perspectiva genética tacanha desconheceria outras influências do texto literário, tais como a experiência existencial do autor, sua formação política e ideológica, o contexto social, entre tantas mais. Nenhum escritor é obrigado a reproduzir suas influências.

A maneira como o tal poeta cita o samba, a dança, o carnaval, o futebol é aquela que simplesmente aponta o “lugar do negro” que o branco racista determinou, um lugar que serviu de “contribuição” para que os brancos ganhassem dinheiro, não só produzindo sua arte a partir do aprendizado com os negros, mas também explorando compositores diretamente e calando-os na sua autoafirmação étnica. Basta inventariar quantos grandes compositores negros morreram na miséria. A essa realidade o poeta chama de: “nossa civilização mestiça”. Mas, pelo visto, a literatura, sendo a menina dos olhos da cultura, deve ser defendida da invasão dos negros. O escritor e crítico Afrânio Peixoto, lá no passado, deixou a expressão bombástica sobre a literatura ser “o sorriso da sociedade”. Gullar não pensa isso, com certeza, mas em seus pobres argumentos está a ruminar que a literatura não pode ser negra. Talvez sinta que a negrura pode sujá-la, postura bem ainda dentro do diapasão modernista que abordou o negro pelo viés da folclorização.

A esquerda caolha e daltônica brasileira sempre se negou a encarar o racismo existente em nosso país. Por isso andou e anda de braços e abraços com a direita mais reacionária quando se trata de enfrentar o assunto. Para ela, a mesma ilusão dos eugenistas, tipo Monteiro Lobato, se apresenta como verdade: o negro vai (e deve) desaparecer no processo de miscigenação. Para alguns cristinhos ressuscitados dos porões da ditadura militar e seus seguidores sobreviveria e sobreviverá apenas o operariado branco. Concebem isso completamente esquecidos de que a cor da pele e traços fenotípicos estão inseridos do mundo simbólico, o mundo da cultura. No seu inconsciente, o embranquecimento era líquido e certo, solução de um “problema”. Hoje, é provável que os menos estúpidos já tenham se deparado com as estatísticas e ficado perplexos. Gullar, pelos seus argumentos, se coloca como um representante da encarquilhada maneira de encarar o Brasil sem a participação crítica do negro. E, como é de praxe, entre os encastelados no cânone literário brasileiro, incluindo os críticos, não ler e não gostar é a regra. Em se tratando de produção do povo negro, empinam e entortam ainda mais o nariz. Devem se sentir humilhados só de pensar em ler o que um negro brasileiro escreveu e, no fundo, um terrível medo de verem denunciado o seu analfabetismo relativo a um grave problema nacional: o racismo, ou serem levados a cuspir no túmulo de seus avós.

Gullar diz ser “tolice ou má-fé” se pensar um grande público afrodescendente como respaldo da produção literária negra. Será que ele algum dia teve em seu horizonte de expectativa o leitor negro? Certamente não, como a maioria dos escritores brancos. Isso, sim, é tolice, má-fé e, cá entre nós, uma sutil forma de genocídio cultural, próxima daquela obsessão de se matar personagens negros. E não adianta nesse quesito invocar um parente mulato como, em outros termos, fez o imbecil parlamentar racista Bulsonaro.

Antonio Cândido, em entrevista publicada na revista Ethnos Brasil, em março de 2002, com o título “Racismo: crime ontológico”, fazendo sua autocrítica relativa à sua omissão, por muito tempo, do debate sobre a questão racial, argumenta que o “nó do problema” estaria “no aspecto ontológico”, e prosseguindo: “está no drama, para o negro, de ter de aceitar uma outra identidade, renegando a sua para ser incorporado ao grupo branco.” Façamos um acréscimo ao que disse o consagrado mestre. A questão racial é um problema ontológico no Brasil porque diz respeito também ao ser branco, pois o debate sobre o problema enfrenta a ilusão da superioridade congênita do branco, que o racismo insiste em manter cristalizada na produção intelectual brasileira. Ele, o branco, tem o drama de ser forçado a aceitar uma outra identidade que não aquela de superioridade congênita que o racismo lhe assegurou, de ser obrigado pelo debate a experimentar a perda da empáfia da branquitude, descer do salto alto. Aliás, o sociólogo Guerreiro Ramos nos legou um ensaio elucidativo do assunto, intitulado “A patologia social do branco brasileiro”.

A produção intelectual não é tão somente uma exclusividade de brancos racistas, apesar de certa hegemonia ainda presente. Além de brancos conscientes da história do país, negros escrevem, publicam livros e falam não só de si, mas também dos brancos, dos mestiços e de todos os demais brasileiros. Quem não leu e não gostou dessa produção, em especial a do campo literário, já não está fazendo tanta diferença. A crítica binária, baseada no Bem X Mal, está enfraquecida. Um dos propósitos de seus defensores quando pensam negros escrevendo é o de tirar o entusiasmo dos filhos e dos netos daqueles que por muitos séculos lhes serviram a mesa e lhes limparam o chão e mesmo daqueles que ainda o fazem. A vontade coletiva negra está em expansão e não é só no campo literário. Assim, quando o poeta Ferreira Gullar diz que falar em literatura negra não tem cabimento, é de ser fazer a célebre pergunta: “Não tem cabimento para quem, cara-pálida?” A sua descrença no que chama de “descriminação” na literatura, crendo que ela não “vá muito longe” e gera “confusão” é o simples reflexo da baixa expectativa de êxito que a maioria dos brancos tem em relação aos negros, resultado dos preconceitos inconfessáveis, passados de geração para geração, para minar qualquer ímpeto de autodeterminação da população negra.

Para Aristóteles havia os gregos e o resto (os bárbaros). O branco brasileiro precisa superar este complexo helênico de pensar que no Brasil há os brancos e o resto (mestiços e negros). Tal postura é uma das responsáveis pelo descompasso da classe dirigente em face da real população. Certamente, essa é a razão de Lima Barreto, o maior crítico do bovarismo brasileiro, ainda ser muito pouco ensinado em nossas escolas. O daltonismo de Ferreira Gullar, advindo de um tempo de utopia socialista, hoje é pura cegueira. Traços físicos que caracterizam historicamente os negros não são só traços físicos, como quer o articulista, mas representações simbólicas, por isso perfeitamente suscetíveis de gerar literatura com especificidades. Se o poeta não concebe negros possuidores de consciência crítica no país e as históricas particularidades de sua gente, devia fazer a sua autocrítica e não insistir na cegueira.

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Não dá mais para negar que a classe C está disputando também assentos no vôo literário, além dos bancos de universidades, nos shoppings e outros espaços sociais. E a população negra também faz parte dela. Quem não quiser enxergar vai continuar vivendo embriagado por esta cachaça genuinamente brasileira, produzida nos engenhos decadentes: o mito da democracia racial. Pena que alguns, de tão viciados, não largam a garrafa.

Por Luiz Silva Cuti

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Comentários

  1. Gente Fina Postado em 18/Dec/2011 às 21:47

    Falar a verdade neste país tem suas consequências, por quem,tem por hábito distorcer as coisas da linguistica,na realidade o qual foi o único acesso a cultura europeia exilada junto com a pseuda família real que algum negro neste país já teve?????O negro teve que recriar sua cultura afro durante o periodo de autoritarismo,apartheid,mordaça escravagista,e guetos,porões dos navios fétidos negreiros,ter orgulho disto tudo os simplesmente exaltar o masoquismo,hoje para pular-mos etapas,esta cultura do Hip - Hop cultura importada de outro povo onde o regime escravagista foi tão intenso tanto quanto usados até como buxa de canhão da grande guerra onde milhares de vidas foram seifadas na america do norte luta pelo interesse dos latifundiários de lá,e aqui simplesmente se engolia a religião romano pela guela abaixo,ao mesmo tempo que sua verdadeira cultura religiosa é repreendida até hoje nas favelas do Rio de Janeiro,pelos mesmos que dominam o tráfico sobre ordens de outro seguimento de igreja só que desta vez denominada como "Gospel"e ironicamente estes mesmo sofredores seculares ainda tem orgulho ou lapsos de masoquismo em cantar "Slogans"conhecidos como Funk o que nada tem have com o "Funk Melody"norte americano onde estes exaltam sua revolta contra a segregação racial que ainda é real e histórica lá nos USA onde até "Luther King" tem seu lembrado como feriado nacional,aqui no Brasil ainda se questiona o feriado de Zumbi dos palmares restrito este feriado ao Rio de Janeiro que como comemoração a cada ano tem seu monumento destruido,pixado ou coisa do tipo!

  2. Paula Ugalde Postado em 18/Dec/2011 às 22:36

    Parabéns Luis!!
    É mais que lamentável saber destes fatos. Sem palavras... Estarrecida, muito triste, chocada!! :(
    Seu texto constitui um material digno de compor um livro! Precisamos partilhar com as pessoas para instigar a reflexão crítica sobre o racismo! Trabalhar com as crianças e jovens nas escolas, para que se criem mais *saudáveis*.
    Deixo uma sugestão prática se permite? Para que publique e disponibilize seu logo, remetendo a página. Conhece o aplicativo intuitivo "Themeefy beta"?
    Como dizia Paulo Freire, somos [email protected] da raça *HUMANA*.
    Ciberabs!

  3. Negritude Postado em 18/Dec/2011 às 23:35

    Interminável a luta de Lima Barreto, porque a intelectualidade branca insiste, através de seus representantes 'pensadores' , ratificar, com teses desprezíveis, a condição da inferioridade intelectual negra, e propor o retardamento do desenvolvimento de suas futuras gerações.

  4. Thiago Czar Postado em 19/Dec/2011 às 00:26

    Você acaba utilizando uma linguagem que te contradiz, pois acaba concordando com o que diz Gullar. Infelizmente a cultura negra ou indígena em nosso país continua sendo influenciada pelos padrões europeus e podemos dizer que os nossos costumes de hoje são similares aos (digamos entre aspas) "brancos", colocar em cheque um poema MARAVILHOSO como o Poema Sujo, que foi escrito há mais de trinta anos e compará-lo aos padrões mesquinhos dos dias de hoje chega a ser covardia, covardia com você mesmo. Como afro-descendente sinto que a comunidade negra de hoje continua enfrentando problemas por ainda existir esse espirito complexado. Que tal se deixássemos os nossos dramas para trás e começássemos a nos preocupar com o hoje?

  5. Mario Persona Postado em 19/Dec/2011 às 08:31

    Quinto parágrafo: "A esquerda caolha e daltônica brasileira...". Por que essa discriminação contra caolhos e daltônicos? ;)

  6. Nissin Oriente Postado em 19/Dec/2011 às 09:14

    Vi parcialidade do autor direcionada ao Gullar.. Para determinar que um poeta de tal calão é racista, deve-se, no mínimo, demostrar as passagens em que ele demonstra tal atitude, sem cortes, nem comentários em volta, para que tiremos nossas próprias conclusões.. vi pequenas passagens sendo intepretadas fervorosamente pelo autor do texto, facilmente direcionada para a interpretação racista..

    A questão do negro já não é novidade.. Hoje além dos negros, temos os gays, os usuários de drogas, os descendentes de índios, todos afetados pela questão cultural.. Consciência é a palavra-chave para cidadania..

    • Luciano dos Santos Postado em 22/Nov/2014 às 11:51

      É racista sim, como muitos que não assumem que são, até porque hoje racismo é crime. Isso por conta da luta da população negra que nunca termina. Negar que existe literatura negra no Brasil, é negar o ar que se respira. Como diria Cazuza, "são caboclos querendo ser ingleses". Assim é essa burguesia que continua fedendo como nunca!

  7. Mucio Postado em 19/Dec/2011 às 10:44

    Lembremos também da gigante, impactante e sensacional obra do Geógrafo NEGRO, Milton Santos.
    http://miltonsantos.com.br/site/livros/

  8. BLOG DE POESIAS DO PROFEX Postado em 19/Dec/2011 às 12:15

    Sem palavras. Este senhor Gullar também deveria ter economizado suas asneiras

  9. Keitarô Postado em 19/Dec/2011 às 13:35

    e machado de assis era o que? branco é que não era! já esse aí, qual o nome dele mesmo?

  10. Daniel Prestes Postado em 19/Dec/2011 às 13:38

    Sinceramente?! Gullar é infeliz por demonstrar o seu preconceito, mas acredito que Literatura, por mais especificidades que tenha é Literatura e só, quem lê os livros não o faz porque é literatura afro, indígena, americana ou européia, e sim, porque a história lhe interessa. Essas denominações são muito mais pertencentes a espaços muito específicos, que muitas vezes não fazem diferença alguma na vida do leitor do dia-a-dia. Além do mais, por mais questões ideológicas que um texto literário possa ter, ele não é apenas isso. A literatura é tanta coisa, que não podemos nos fechar somente nesses rótulos.

  11. Simonevangeliza Postado em 19/Dec/2011 às 14:07

    Gostaria de saber se o senhor Ferreira Gullar, não sabe ou finge não saber, se seus "antepassados nórdicos"(?),não teve nem um (a) "aproveitador (a)" se deitando com uma "bela negra ou belo negro" na calada da noite após um dia árduo de "escravidão" pelas senzalas ou nas cozinhas ou lavando as roupas dos ancestrais dele mal cheirosas?

    • SEBASTIAO SOUZA Postado em 23/Nov/2014 às 20:04

      Muito me admiro o Sr. Ferreira Gullar sendo um preconceituoso e racista. Para quem não sabe este senhor nasceu no Estado do Maranhão, onde encontramos mais negros depois da Bahia e Rio de Janeiro

  12. Luis Soares Postado em 19/Dec/2011 às 14:25

    Esses 'comunistas arrependidos', sejam eles poetas, sociólogos, cineastas ou qualquer outra coisa são piores do que alguém que já nasceu lendo Smith e Friedman. Basta citar Demétrio Magnoli (para quem não existe racismo no Brasil), Jabor, Gullar, Olavo de Carvalho, etc. Quem já leu a coluna de Ferreira Gullar na Folha cansou de se deparar com demonstrações extremamente preconceituosas. O sensível poeta acha, por exemplo, que São Paulo é o espelho da sociedade brasileira.

  13. Tocas de Igatu Postado em 19/Dec/2011 às 14:49

    A velhice não perdoa: Ou vira arte, ou vira decadência. Ninguém sai incólume...

  14. Sergio Caldieri Postado em 19/Dec/2011 às 15:59

    Na Praça Tirandentes, por volta de 1830 existiu a editora e livraria de Francisco de Paula Brito. Um negro que reunia todas às tardes vários amigos para bater papo, entre eles: Machado de Assis, Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu, Araujo Porto-Alegre, Gonçalves de Magalhães, Joaquim Manoel de Macedo, Manuel Antonio de Almeida, Barão do Rio Branco, Abelardo Zaluar, Francisco Otaviano, Laurindo Rabelo, Francisco Manuel da Silva e Teixeira e Souza (negro de Cabo Frio que escreveu 16 livros). No último dia 5 de dezembro de 2011 fez 150 anos que Francisco de Paula Brito morreu. Era negro e ninguém lembrou. O Luiz Gama foi um grande intelectual, mas ninguém lembra dele. O jurista Oliveira Viana era mulato. Sergio Caldieri

  15. Naiara Postado em 19/Dec/2011 às 16:48

    Por favor, alguém aqui tem acesso à matéria da Folha completa? Eu gostaria realmente de ler na íntegra o que o autor disse e depois opinar.
    Obrigada!

  16. blog do will Postado em 19/Dec/2011 às 17:03

    Não li o texto do Gullar, mas fiquei deveras impressionado com o ódio racial que ele diz existir(o autor deste post), mas que ele mesmo está a propagar... E o autor nem se deu ao trabalho de colocar o texto do Gullar para que cada um possa ter sua própria formação de convicção acerca do texto criticado.

  17. Danilo Narciso Postado em 19/Dec/2011 às 18:17

    Se eu falo q eu gosto de coca-cola, quero dizer q odeio guaraná? Ma-fé e falacia ta cheio nesse site aqui. Ele disse q falar em "literatura negra", tendo em vista o contexto da forma como negros chegaram ao brasil n faz sentido. Dai a afirmar q o cara fala em "exclusividade branca" eh forçar a barra e induzir o leitor a erro. Q triste essa falta de interpretacao hein.

  18. Maria Luiza Vieira Postado em 19/Dec/2011 às 21:00

    Uma ressalva para Ferreira ler: não sobrarão brancos segundo o IBGE, mas, mestiços. E em todo o mundo. É uma tendência universal.

  19. luis antonio sant'anna Postado em 20/Dec/2011 às 00:08

    acho que não temos que pensar se os ancestrais do racista deitou ou não com uma negra ou um negro,acho que já está na hora do negro deixar a passividade e partir para ações mais efetivas,o que vemos a toda hora são declarações racistas e o negro em sua maioria vivendo como se estivesse em outro mundo, não se consegue nada sem luta e o negro tem que deixar de ser manipulado como boneco e partir para ações mais duras contra estas pessoas, o negro americano só é o que é através de muita luta ex: martin luther king , malconx, black panthers e os artistas negros de lá que entraram na luta tambêm coisa que os daqui estão longe disso.

  20. EDIEL TEIXEIRA Postado em 20/Dec/2011 às 11:21

    o DRAMA MAIOR DE HOJE É O AUTO PRECONCEITO, ESTE DESENVOLVIDO DENTRO DE CASA... MEMBROS SE AGREDINDO E USANDO COMPARAÇÕES COM ESSAS "SUPOSTAS MINORIAS" CONSIDERADAS REPUGNÁVEIS POR CULTURA ALIMENTADA PELA MIDIA DOMINADORA... EM 1870, DOIS MILHÕES E QUINHENTOS MIL NEGROS (QUASE METADE DA POPULAÇÃO BRASILEIRA) ESTAVAM PROIBIDOS POR LEI DE FREQUENTAR ESCOLAS... COMO REGISTRO DE FÓSSIL HUMANO MAIS ANTIGO É DA AFRICA NEGRA E ENSAIOS DE IDEIAS TAMBÉM DA ÁFRICA (70 MIL ANOS)... NOSSA BASE LITERAIA É AFRICANA... A LETRA É APENAS UM SÍMBOLO DE REPRESENTAÇÃO DE UM SOM E, MAIS PROFUNDO, DE UM PENSAMNETO... NÃO ESQUEÇAMOS DOS HIEROGLIFOS, DOS CUNEIFORMES, ETRUSCOS ENTRE OU8TROS TAMBÉM DE ORIGEM AFRICANA.

  21. Juarez Silva Postado em 20/Dec/2011 às 12:09

    Enxergar apenas o que se quer ver e da forma como se quer ver, faz parte do etnocentrismo arraigado na mentalidade racista dos brasileiros "brancos" (principalmente de alguns intelectuais e pseudo-intelectuais);os argumentos de Gullar são grosseiros, falaciosos e não resistem a uma crítica mais detalhada... não apenas não entende conceitos básicos sobre a temática, como exercita a mais ampla "miopia" ao se negar a enxergar não apenas autores africanos e negros(descendentes de africanos na diáspora), como a forte orientação temática sobre a questão negra em suas obras... de afrobrasileiros do século XIX , passando por N deles no século XX (inclusive com transposição para o Teatro) ignorar uma Carolina Maria de Jesus (de Quarto de despejo) entre tantos exemplos é coisa de "desantenado" , certo estava Cruz e Souza (Escitor Negro Catarinense do Sec. XIX) :

    "Emparedado de uma raça. Se caminhares para a direita baterás e esbarrarás, ansioso, aflito, numa parede horrendamente incomensurável de Egoísmos e Preconceitos! Se caminhares para a esquerda, outra parede, de Ciências e Críticas, mais alta do que a primeira, te mergulhará profundamente no espanto! Se caminhares para a frente, ainda nova parede, feita de Despeitos e Impotências, tremenda, de granito, broncamente se elevará ao alto! Se caminhares, enfim, para trás, ah! ainda, uma derradeira parede, fechando tudo, fechando tudo horrível - parede de Imbecilidade e Ignorância, te deixará num frio espasmo de terror absoluto... E, mais pedras, mais pedras se sobreporão às pedras já acumuladas, mais pedras, mais pedras... Pedras destas odiosas, caricatas e fatigantes Civilizações e Sociedades, Mais pedras, mais pedras! E as estranhas paredes hão de subir longas, negras, terríficas! Hão de subir, subir, subir, mudas, silenciosas, até as Estrelas, deixando-te para sempre perdidamente alucinado e emparedado dentro do teu Sonho..."

  22. JJ Paro Postado em 20/Dec/2011 às 13:34

    Pelo que vi, ninguém leu o artigo do Ferreira Gullar... Leiam antes de criticar. O que ele diz é que não faz sentido falar em "literatura negra" apenas porque os autores tinham a cor da pele negra, pois eles escreveram sob influência de movimentos vindos de fora, notadamente da Europa, Romantismo, Realismo etc., isto entre linhas... Acusar alguém de racismo por não concordar com ideias veiculadas é reduzir a discussão com o propósito claro de desqualificar o "outro"... Cuidado com essas reduções...

  23. Ellen Postado em 20/Dec/2011 às 16:00

    Ao lermos: Cuti, Cruz e Sousa (sim!!!), Solano Trindade (que nos faz perguntar 'pq só vemos Manuel Bandeira na escola?') Ferrez, Machado (Sim!!) percebemos o quão cínica é a nossa sociedade...

  24. Luis Soares Postado em 20/Dec/2011 às 19:17

    Quem sugere que Gullar foi mal interpretado decerto não teve acesso ou (ainda) não leu o maior acontecimento editorial deste ano no âmbito dos estudos literários, que é a "Literatura e Afrodescendência no Brasil: Antologia Crítica". E não chegarão a outra conclusão após lerem a íntegra do material senão a de que Gullar sofre de delírio, caduquice ou simplesmente age de pura má-fé. O material pode ser encontrado nas maiores livrarias do Brasil.

  25. Lara Frutos Postado em 22/Dec/2011 às 13:07

    Pessoalmente, Luis Soares, acho que pegar um verso descontextualizado de um poema e acusar um escritor de racismo a partir dele é bastante má fé, sim. Não creio que seja impossível que haja isso que se chama de "literatura negra", mas creio que um boa resposta ao texto do Gullar seria justificar os pontos que apontam para a necessidade da distinção. A argumentação do Gullar faz sentido. Cabe à resposta desmontar o sentido dela com argumentos lógicos e não com acusações de racismo, neste caso, completamente infundadas.

  26. Luis Soares Postado em 22/Dec/2011 às 13:22

    Registre-se que a referência ao supracitado poema nada tem a ver com a crítica do texto. O conteúdo apresentado trata exatamente de desmontar a ficção estratégica e conveniente de supor a inexistência de uma identidade negra na esfera literária. Neste aspecto o texto é bem sucedido, sobretudo ao enumerar trabalhos que se sobrepõem a uma simples vontade de acreditar.

  27. Kleincinema Postado em 23/Dec/2011 às 02:23

    Alguém aqui leu o texto de forma realmente crítica? Meu Deus, o ponto de vista do Gullar é completamente antiracista! Ele defende, sim, igualdade. E literatura, independentemente de ser feita por brancos ou negros. Monteiro Lobato, sim, era racista, e bastante racista. Ainda assim não acho que se deva censurar seus livros. São frutos de um pensamento torto muito comum à época e precisam ser conservados como são para mostrar o que não pode acontecer nunca mais. Mas a argumentação de Ferreira Gullar é bastante coerente. E nada racista. Literatura é literatura. Machado de Assis não é literatura negra ou literatura branca. É só literatura. E é isso o que Gullar fala. Que pelo menos se leia o artigo antes de censurá-lo, no lugar de juntar sua voz ao que está sendo dito, simplesmente... mal da modernidade...

  28. Kiko Rieser Postado em 23/Dec/2011 às 13:27

    "Gullar não pensa isso, com certeza, mas em seus pobres argumentos está a ruminar que a literatura não pode ser negra. Talvez sinta que a negrura pode sujá-la, postura bem ainda dentro do diapasão modernista que abordou o negro pelo viés da folclorização." Isso não condiz com uma crônica que reafirma que um mulato é o maior escritor brasileiro. Discutir a tese de Gullar do que significa uma literatura negra é uma coisa, bem pertinente até, mas acusá-lo de racista é descabido. Este texto está falsificando as linhas gerais da crônica do Gullar, o que, se não é motivo de processo por difamação, é no mínimo uma tarefa intelectual nada nobre.

  29. A VIDA NUMA GOA Postado em 24/Dec/2011 às 07:34

    O racismo, como toda forma de preconceito, deve ser combatido.

    Mas para que falar em "literatura negra"? Será uma literatura produzida por negros, para negros e com "temática negra"? Isso é muito limitador.

  30. Marcel Angelo (Geleiras) Postado em 27/Dec/2011 às 14:35

    Achei meio incoerente essa publicação, creio que não conseguiu entender o que o autor se propôs a dizer e não coloca acesso ao texto do Ferreira Gullar.
    Aqui está o comentário que postei em resposta ao texto dele.
    Nota: A literatura africana na época pode estar inserida na cultural oral, nas tradições culturais que não necessariamente necessitam de escrita. Além é claro, dos africanos islamizados que vieram pra cá que tinham conhecimento de uma cultura escrita. Só que as condições de escravo impediam qualquer coisa que possa ter sido deixada à posterioridade.
    A questão de resaltar a cor é interessante, pricipalmente depois do erro que a Caixa creio, fez com Machado de Assis. Quando o negro atinge uma posição de destaque ele é de certo modo branqueado.
    Sobre cruz e sousa a questão da cor e a imagem do negro está realmente muito presente em sua obra, a estética parnaso-simbolista também é forte e presente, mas uma grande parte de sua inspiração fica dentro da questão de ser negro naquela sociedade e de seus respectivos conflitos. Vale lembrar. Obrigado.

  31. Júlio César da Assunção Pedrosa Postado em 25/Jan/2012 às 16:22

    Sugiro que alguns comentadores deste blogue leiam com atenção o artigo de Ferreira Gullar e também pesquisem um pouco mais, antes de postar seus comentários; isso evitaria certas confusões.
    A literatura é uma só, independentemente de ser produzida por autores negros, brancos ou índios, homens ou mulheres, homossexuais ou heterossexuais, portadores de deficiência ou não...
    Todo mundo sabe que a escrita e a literatura não surgiram na Europa. Mas a literatura do Ocidente surgiu lá, a partir das produções literárias dos gregos, que fundaram (mesmo sem o querer e sem a consciência disso) a cultura europeia e ocidental. A literatura chinesa, a japonesa, a indiana, a mongol etc. não têm ligações com a europeia; a literatura árabe também tem origem independente da europeia e das demais, e recebeu delas influências (e as influenciou muito também) a partir da expansão do Islã. Lembremo-nos também de que o termo "literatura" vem do latim "littera" (= "letra"), o que aponta para sua ligação com o texto escrito: em sua origem, o conceito de literatura (pelo menos do ponto de vista ocidental), prende-se ao texto escrito. A ideia de literatura oral, ou melhor, de se considerar a produção textual oral como um tipo de literatura, é muito posterior, é algo bastante recente.
    Como o Brasil é um país ocidental, é óbvio que nossa literatura veio da Europa e ainda tem ligações com ela; e, por mais que se tenha colorido de matizes locais, continua a fazer parte da literatura ocidental. Machado de Assis, Luís Gama, Cruz e Sousa, Lima Barreto, José do Patrocínio e outros eram negros, e compuseram suas obras no contexto de uma tradição europeia e numa língua europeia. Dizer que faziam literatura negra porque eram negros é uma afirmação descabida.
    José de Alencar era cearense. Entre suas obras há o romance "O gaúcho". Como o classificamos: é literatura cearense? nordestina? gaúcha? Como pode ser literatura gaúcha, se o autor era cearense? Como pode ser literatura cearense, se sua temática nada tem que ver com o Ceará?
    Para concluir: ainda que não se concorde com as ideias de Demétrio Magnoli, é preciso distinguir entre "racismo" e "ódio racial", conceitos com os quais ele trabalha. Todo mundo sabe o que é o racismo, e que o Brasil é um país racista (ou melhor, que parte da população brasileira é racista), e isto é algo que só se vencerá com a educação e a lei. O que não há no Brasil (pelo menos ainda, eu acho) é o ódio racial, o enfrentamento entre os grupos raciais, como ocorre nos Estados Unidos.
    O racismo, ainda que seja um fenômeno cultural, é bastante individualizado, no âmbito de cada um, algo até mesmo íntimo; é possível que um indivíduo seja racista mas, no decorrer de sua vida, jamais cometa um ato racista (talvez por falta de uma oportunidade de praticá-lo, ou por não ter necessidade dele). Já o ódio racial é grupal, militante e explícito. Um exemplo: alguém que tenha ódio racial jamais fará um negócio com alguém de outro grupo, e fará questão de deixar muito evidentes os seus motivos; já um racista talvez até faça o negócio (vender um carro ou alugar umas casa, por exemplo) a alguém de outro grupo, apesar de não gostar dele.

  32. Luis Sergio Postado em 14/Feb/2012 às 19:40

    Meu companheiro e grande intelectual negro Cuti, deixo para voce as resposta sempre muito bem embasadas contra tolices, injurias e as difamações contra o nosso povo negro dito por intelectuais destronados. Ferreira Gullar já perdeu o compasso da história a muito tempo e a sua produção literária é decadente. Então, vamos mostrar os sucessos e avanços de nosso povo negro nesse século XXI e esquecer este povo que não percebeu que outra era começou. Um abraço.Luis Sergio da Silveira - LULA

  33. GERALDO DA ARTE: ESCRITOR POETA Postado em 15/Feb/2012 às 09:40

    O QUE ESTE FERNANDO AGUILAR TALVES NÃO PERCEBEU, É QUE TUDO QUE SE VÊ EM ARTE VEM DO NEGRO SEJA NA DANÇA, NO CARNAVAL ,NO FUTEBOL A RAÇA NEGRA TEM A ARTE NO SANGUE ORIGINARIO DA AFRICA QUE ESPALHOU POR TODO ESTE PLANETA TERRA ,AFRICA É O BERÇO DA HUMANIDADE , QUEM SABE SE OS SEUS ANTEPASSADOS TAMBEM NÃO TIVERAM UM PÉ NA SENZALA.

  34. ACÁCIO PAULINO Postado em 26/Feb/2012 às 21:27

    Caro Cuti, felizmente! como negro e muitos da minha geração, felizmente tive a felicidade e graça de ver, assistir algumas coisas que achavamos que só em filme poderia acontecer (24 horas ) Presidente Negro nos EUA, Brasil ser pentacampeão,Luther King, Samora Machel, Nelson Mandela. Nobel da Paz, Literatura a Negros, Mulher na Presidencia do Brasil e diversos paises, Negro no Supremo Tribunal Federal, Negro Campeão de formula um, Negro no comando da ONU, e muitas outras.. E, para completar, tive a honra, graça e felicidade de encontrá-lo Caro Cuti. Contigo, nosso panteão ganha mais um. A Luta Continua.

  35. Observadoro Postado em 01/Mar/2012 às 15:36

    Machado de Assis? Lima Barreto? Agora entendi porque Ferreira Gullar é cabo eleitoral de José Serra...

  36. Josinaldo Bill Postado em 03/Mar/2012 às 01:12

    Caduquise estes senhor.. Perdão.. este fdp..

  37. Renu Postado em 05/Mar/2012 às 16:11

    esse Babaca aí tem um filho com problemas de "saúde mental" ele é a favor da volta dos manicômios no Brasi por que ela acha que não deve cuidar, Ele é contra a reforma psiquiátrica que está sendo feita no país onde os pacientes devem ser tratados com medicação e dentro de casa com liberdade, e sem choques eletricos.

  38. edson o santos Postado em 10/Mar/2012 às 16:24

    Bim 10 de março de 2012 Ora, ora, o que acontece neste mundo velho é sempre assim: Estou perdendo audiência? faço, escrevo, falo etc., qualquer coisa para chamar atenção, tipo: Silvio Santos pinta o cabelo de branco, as duplas sertanejas avisam que vão se separar, e tantas outras situações para se colocar em evidência. O caduco do Ferreira Gulart fez esse texto maluco para poder se aparecer, estava precisando de leitor, rsss. Mania e necessidade de quem precisa sobreviver de espectador, leitor, admirador e por aí vão Pele, Neimar, Cicarelle, As Xeilas dançarinas da Bahia. Sergio Reis até fingiu cair do palco. Vocês se lembram do grande político que vestiu uma cueca vermelha por cima da calça,. A maioria é só para se aparecer.

  39. Marcelo Henrique Marques de Souza Postado em 14/Mar/2012 às 19:02

    O texto é uma análise extremamente equivocada do artigo do Gullar. É só ler com atenção. E os que comentaram sem ler deram mole, poderiam ficar sem essa: escreveram besteira também. É preciso rigor, quando vamos opinar sobre um texto, especialmente se ele é de alguém inteligente como o poeta. Viajaram... O artigo é excelente.

  40. Cauê Morgado Postado em 15/Mar/2012 às 03:37

    Dizer que não existe "literatura negra brasileira", "música negra brasileira" e sim "literatura e música brasileira" é o mesmo que dizer que não existe um "negro brasileiro" e sim um "brasileiro". Ainda tem a cara de pau ou pura ignorância de dizer que ninguém se preocupa em definir o samba como negro, quando todos os estudos acadêmicos levam a conclusão de que ele é sim uma manifestação cultural criada, reinventando e disseminada pelos afrobrasileiros no início do século XX, a partir de diversas outras influências como o samba de roda, o lundu, a modinha, etc. Seguindo o mesmo raciocínio do Gullar, não é certo "rotular" o Reggae como uma "música negra jamaicana", mas sim como "música jamaicana"; o Blues, o Soul e o Rap tb não são músicas dos negros estadunidenses e sim "músicas estadunidenses". A capoeira tb não pode ser rotulada de "manifestação cultural afrobrasileira" e sim de "brasileira". O texto de Ferreira Gullar é preconceituoso ao reafirmar o mito da democracia racial e a formação de uma identidade brasileira nos moldes do Estado Novo varguista (que se apropriou da popularidade do samba para ressignificá-lo como um elemento constiuinte essencial da identidade nacional).

  41. DM Postado em 18/Mar/2012 às 00:15

    NA VERDADE ISSO É A INVEJA SOBRE A CULTURA NEGRA! QUE NUNCA DEPENDEU DO BRANCO PARA CRIA-LA,, TUDO QUE O NEGRO CONSTRÓI ARTISTICAMENTE O BRANCO DESTRÓI PELO DINHEIRO!!!! OS NEGROS DEVERIAM MANDAR ESSES FILHOS DA PUTA TOMAREM NO C...........EM VEZ DE FICAREM SE LAMENTANDO!!!!!

  42. Iva Postado em 05/Apr/2012 às 06:50

    Muitos escravos nao aprendiam a ler pois ja sabiam. E falavam nao so linguas africanas como também o arabe clássico, pois muitos deles eram muçulmanos e versados na recitaçao do Qur'an. Afinal, acham que os africanos viviam como animais? Quando o Brasil estava na era colonial a Africa aqui era um berço multicultural e linguistico, com uma historia milenar.

  43. leandro rabbit Postado em 26/May/2012 às 21:32

    Li o artigo e ouso opinar (com todo o respeito) que o amigo autor da crítica tenha, talvez, tido uma interpretação errônea. O que o Ferreira Gullar quis dizer é que não se deve começar (mais um) movimento de segregação racial de estilos. O texto repudia a criação do citado "estilo" de literatura negra por ser, esta sim, uma demonstração de racismo Seria o mesmo que, hodiernamente, criassemos o "futebol negro", o "rock negro", a "moda negra", a "dieta negra". O que o Ferreira se opos foi à essa idéia. Quando ele diz que a cultura negra das artes tem pertinência, é porque criou-se a referência da cultura africana, com suas esculturas típicas daquele continente. Mas, tratando-se de literatura brasileira, não seria propício classificar (ou melhor, segregar) a literatura dos escritores brasileiros negros como "literatura negra". O que ele quis dizer é que, no Brasil, as influências e estilos se fundiram, a ponto de não mais ser possível (ou propício como na opinião do poeta) criar uma literatura negra. Achei radical a frase que diz que o citado poeta acha que a literatura "é exclusiva dos brancos". Em hipótese alguma ele quis dizer isso. Sugiro a todos - antes de atirar pedras no poeta Ferreira Gular - que releiam o texto com esmero. Se, devidamente bem interpretado e compreendido, tenho certeza de que todos perceberão, que o texto é, em verdade, contra o racismo, e, nos mostra, que a "literatura negra" nada mais é do que a LITERATURA BRASILEIRA.

  44. Durval Arantes Postado em 18/Jul/2012 às 22:57

    Aos membros e participantes deste nobre espaço: Considerações sobre a Consciência Negra no Brasil A palavra "consciência" remete à uma reflexão individualizada ou coletiva sobre um determinado fato, uma condição ou uma realidade. Entendo também que consciência implica no uso da razão, por mais simples que seja a sua manifestação, em busca de um entendimento lógico, consensual ou não, sobre o universo que nos cerca e no qual vivemos. A partir de nossas razões construímos as nossas convicções pessoais e, baseados nelas, buscamos interagir em família, na sociedade e com o mundo. O Brasil, enquanto pátria, nação, país e estado, tem um profundo conflito de identidade: tem a evidência do "sangue" e da "pele" de traços marcadamente africanos, mas estranhamente não tem uma "consciência negra" institucionalizada, se considerarmos o padrão vicioso com que o establishment tupiniquim subcondiciona a sua população negra, desde 1530. Ao longo de nossa História tem sido árdua a luta dos nossos antepassados e contemporâneos por essas terras: Primeiro a busca da nossa afirmação como pessoa, rejeitando o rótulo de mercadoria. Em seguida a luta pela afirmação de nossa brasilidade, combatendo a tentativa da elite em nos transformar em "um povo" dentro de "um país". Depois, robustecendo a assertividade sobre a nossa etnia, repelindo as tentativas de nos transformarem em "espécie". E em tempos mais recentes, a nossa batalha tem sido a da cidadania plena, pois fazemos parte do DNA do Brasil e esses novos tempos globais não comportam mais a administração social de sub-classe, a qual nos manteve confinados, em nossa maioria, em um circulo vicioso de deplorável formação educacional, de sub-emprego sistemático e de distanciamento das rodas de consumo de valor da sociedade. Por outro lado, nós afrodescendentes precisamos cada vez mais pegar a nossa História e o nosso destino em nossas próprias mãos. A era digital indica que foco, planejamento, disciplina, auto-estima, livre iniciativa e empreendedorismo são algumas das premissas legítimas, seguras e saudáveis para que nós negros consolidemos com êxito o estabelecimento de uma "consciência" negra ascendente e progressista de norte a sul e de leste a oeste deste país. Ouso até dizer que, após os Estados Unidos nos anos 60, 70 e 80 e a África do Sul nos anos 90, o Brasil será a próxima nação com expressiva população negra a sofrer um grande e profundo questionamento sobre a sua identidade étnica. Afinal, a consciência negra "no Brasil" é a própria consciência "do Brasil". Zumbi do Palmares morreu sabendo disso... E nós, negros do século XXI? Abraços fraternos - Durval Arantes, autor

  45. Valdir Postado em 14/Jul/2013 às 19:06

    Oi, gente! Eu li o texto e fui ler o texto do Gullar. Lá, ele diz que a literatura não faz parte da cultura africana e que afrodescendentes fazem parte da literatura brasileira. As tradições e história africana não foram passadas através da literatura mas pelas imagens pintadas e esculpidas além do famoso "boca a boca". Quando ele cita Cruz e Sousa e Machado de Assis, "os textos têm influência da literatura européia" e, do pouco que li de Machado de Assis, não me parece um comentário preconceituoso. Talvez, Jorge Amado seja mais literatura negra que os dois primeiros. Sou leigo em literatura mas admiro e leio Ferreira Gullar. Por isso esse pitaco. """ACHO""" que o texto do Gullar tá discutindo: já que nunca separamos o samba em negro e branco mas como uma coisa nossa, brasileira, por que fazer isso com a literatura?

  46. Pedro Américo de Farias Postado em 23/Nov/2014 às 13:44

    Pra ser curto e não grosso, escolho o meu poeta negro, hoje: Ricardo Aleixo! Tenho minhas dúvidas quanto à inteligência de Gullar (poeta mameluco, mais maluco, cujo apelido é "india velha" - imaginem a sua brancura) para ler e entender a complexa e fina construção poética de Ricardo. Brancura é ilha de fantasia. O que é branco,no Brasil, está muito mais presente na boca dos negros - suas dentaduras, que tanto invejo.

  47. de Oliveira Mendes Postado em 23/Nov/2014 às 20:49

    Ferreira Gullar, poema , boca e mente sujas.

  48. André Anlub Postado em 23/Nov/2014 às 23:18

    Há um problema muito sério permeando as cacholas rasas (que tanto comento). Esse equívoco de taxar/nomear/apontar as lutas por igualdade - a luta dos gays por direitos iguais - a luta por um país laico (onde a religião fica fora da política) por "modismos". É assim que essas mentes vis trabalham, é uma lavagem cerebral que está mais para enlodada cerebral.

  49. Gil Cleber Postado em 24/Nov/2014 às 01:32

    O preconceito contra o negro começa quando uma mulher negra entra numa drogaria e compra um henê para esticar o cabelo, rejeitando traços de sua raça e aderindo à uma suposta estética branca. Falar em "literatura negra" é tão estúpido quanto criar um "dia da consciência negra", pois supõe que existe uma "literatura branca" e justifica a criação de um "dia da consciência branca" ou da "consciência loirinha de olhos azuis". Literatura é literatura, não tem cor, eu pelo menos nunca vi cor em literatura, olho a qualidade, e só. Se for boa, como a de Cruz e Souza e Machado, bem, se não, não, e pronto. O texto ora publicado não passa de um amontoado de disparates pseudo-sociais, exalando um forte mau-cheiro do que se chama "politicamente correto", e como não podia deixar de ser tinha de aduzir uma crítica a Monteiro Lobato, esquecendo o autor, em sua fingida ignorância de mau-caráter, o contexto em que a obra foi produzida e a interpretação literária necessária à compreensão plena da mesma (ou seja, não sabe - ou finge não saber - ler nas entrelinhas), e fazendo coro a Antonio Gomes da Costa Neto, o imbecil que resolveu atacar a obra do grande escritor apenas para aparecer, para ser notícia (tem gente que quer ser notícia a todo custo). Se uma obra de arte - literária ou não - é boa, não importa a cor de quem a produziu, se for ruim, também não, e se for ruim e produzida por um negro, deverá ser qualificada de ruim com todas as letras, e não qualificada de "manifestação cultural" como um eufemismo para fugir da verdade e manter-se dentro do já (mal)dito "politicamente correto". O autor fala de "daltonismo". Não discuto as declarações de Ferreira Gular pois não tenho conhecimento na íntegra do que ele teria dito, mas eu pergunto: não será daltonismo idealizar o negro em vez de vê-lo como gente comum, capaz tanto de gestos nobres quanto de nefandos como gente de qualquer raça? Ou será que o autor se esquece dos diversos casos em que negros, na época da escravatura, ao ganharem sua alforria iam comprar um outro negro para ser seu escravo? Ou será que ignora que o "ícone" Zumbi do Palmares não passou de um patife que, em seu quilombo, reinava e mantinha escravos para si e era cruel com eles como qualquer senhor branco, ou qualquer feitor de fazenda? Se é para tratar com equanimidade a causa negra, é preciso começar por deixar a hipocrisia de lado e tratar o negro não como negro, mas como pessoa. Enquanto pesar sobre ele o qualificativo de negro, sempre vai haver o oposto, ou seja, o qualificativo de branco. Enquanto o discurso for esse, repleto de falácias, os avanços, se houver, serão lentos e no mais da vezes improdutivos.

  50. Julio Kling Postado em 24/Nov/2014 às 10:42

    Ferreira Gullar com certeza é negro na China. O racismo é sempre relativista. Depende do ponto de vista do fascista que olha o outro e não se enxerga. Não existem indo europeus puros no Brasil para tanta gente se preocupar com a questão racial. A pergunta que não quer calar: Quem anda pagando as fraldas geriátricas de Ferreira Gullar para ele escrever tanta besteira como ultimamente ?

  51. Silvio Postado em 24/Nov/2014 às 16:30

    Este senhor pseudointelectual, estava no ostracismo e encontrou uma forma de ficar em evidência, até uns recortes de papéis coloridos parecendo dever de casa de uma criança de 6 anos, foram elogiados pela ultima revista Veja, aí então o círculo dos ridículos e intolerantes se fecha, ele demonstrará claramente a sua natureza racista e de extrema direita, se tivesse oportunidade este senhor teria sido muito útil para a ditadura.

  52. Gabriel Vince Postado em 28/Nov/2014 às 11:06

    Tem que ser muito burrou ou ter malicioso para achar racismo no texto do Gullar

  53. Alê Martins Postado em 02/Dec/2014 às 20:05

    Entendo perfeitamente o que ele quis dizer,o interessante da cultura brasileira é a mistura,temos características europeias,africanas e indígenas. Dizer que nossa musica e literatura são afro é tão ridículo quanto dizer que ambas são somente europeias. Não estamos na Europa tanto quanto não estamos na Africa,temos influencia desses povos e somos resultados dessa mistura,mas somente o resultado,somos BRASILEIROS afinal e nossa cultura é fruto de uma mistura inegável. Sabemos do racismo,que é Mundial,e que sim,o branco se sobrepõe ao negro,se coloca como superior,isso é racismo. Agora,separar um povo MESTIÇO entre afro e europeu,é o que o racismo já faz,vamos nos reconhecer como caboclos,mulatos,cafuzos. Tom Jobim não fez musica europeia assim como Pixinguinha não fez musica afro,ambos fizeram musica brasileira,que tem características tanto afro como europeias e indígenas. Se inspirem no samba,mistura do violão europeu com a batida africana. Ou no candomblé,na umbanda,que possuem elementos nativos,afro e europeus. O que acontece é que estão confundindo justiça social,que sim,é totalmente necessária,com solidariedade do branco para com o negro,literalmente buscando um lugar pro negro,na cultura,ao invés de inseri-lo,como sujeito,separando o mesmo,como se " negro faz musica afro,branco faz musica europeia ". Não no Brasil,aqui a gnt é um pouco negro,um pouco europeu,um pouco indígena. Criar um esteriótipo afro pro Brasil,assim como criar um esteriótipo europeu, é um problema enorme,o Brasil não é somente Salvador,onde a influencia afro é gigante,muito menos somente o Rio Grande do Sul,onde predomina descendentes de Europeus,temos o Norte também,com descendentes de nativos indígenas e todas essas regiões fazem parte do mesmo país e boa parte do povo tem características desses 3 povos.. " Literatura Afro " me soa como ação solidária e não inclusão,solidariedade vem acoplada a ideia de o solidário ser superior e o que recebeu ajuda,ser inferior ... justiça social não deve ser solidariedade,mas sim DIREITO. Vamos nos reconhecer como brasileiros,assim como fez Sergio Buarque de Hollanda em seu " Raízes do Brasil " Ninguem aqui é europeu nem africano,por isso a sobreposição de um sobre o outro,sempre será um problema,não importa a ordem dos fatores.