Luis Soares
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Uruguai 28/Dec/2011 às 16:09
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Igreja Católica reage à legalização do aborto e vai excomungar políticos uruguaios

Pesquisas de opinião revelaram que cerca de 60% da população do país está de acordo com a legalização do aborto

Uruguai Aborto

Legalização do aborto no Uruguai

O Senado do Uruguai aprovou nesta terça-feira (27/12), na última sessão do ano, o projeto de lei que legaliza o aborto nas primeiras 12 semanas de gestação. A medida agora segue para a Câmara dos Deputados. O atual presidente do Uruguai, José Mujica, já declarou que não usará sua possibilidade de veto nesta matéria.

O projeto de lei foi aprovado por 17 dos 31 senadores presentes, em sua maioria da Frente Ampla e um voto de um senador do Partido Nacional, de oposição. O debate durou nove horas. “A lei vigente é ineficaz, discriminatória e injusta, por que algumas (mulheres) podem levar adiante suas decisões e outras, não”, disse a senadora Mónica Xavier, de acordo com a agência France Presse.

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Xavier explicou que a medida constitui “um mecanismo de garantia de que a mulher que não pode prosseguir com a gravidez tenha as mesmas garantias da mulher que levou a gravidez a termo”.

Segundo o projeto, “toda mulher maior de idade tem o direito de decidir pela interrupção voluntária da gravidez durante as primeiras doze semanas de gestação”. O prazo não se aplica se a gravidez foi produto de estupro, se há risco para a saúde da mulher ou se existem “problemas fetais graves, incompatíveis com a vida fora do útero”. Todos os serviços de saúde, públicos e privados, terão a obrigação de realizar o aborto de forma gratuita se forem solicitados.

A lei vigente, aprovada em 1938, pune com entre três e nove meses de prisão a mulher que faz aborto não autorizado.

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A Igreja Católica uruguaia já anunciou que deve excomungar os legisladores que se posicionarem a favor da descriminalização do aborto. Nas últimas décadas, houve várias tentativas para legalizar a prática do aborto no Uruguai. Pesquisas de opinião revelaram que entre 57% e 63% da população do país está de acordo com a legalização da interrupção da gravidez.

Fonte: Agências

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Comentários

  1. Luciana Rocha Postado em 28/Dec/2011 às 19:25

    Que essa igreja católica vá pros quintos dos infernos!!! o mundo não é deles! a vida das mulheres não pertence aos infernais padres e bispos! que queimem no fogo dos infernos cambada de gente inútil!

  2. João Paulo Postado em 28/Dec/2011 às 20:50

    Lamentável o nível das palavras usadas pela sra. Luciana Rocha numa discussão tão necessária sobre esse assunto. A PUC-SP, que consta na formação profissional da referida sra, tem ligação ideológica e religiosa com a Igreja. Saiba que a Igreja Católica, para o mundo, é bem mais útil que sua pessoa, sra Luciana Rocha. Graças a Deus, a Igreja está livre de "fiéis" que nem esta.

  3. Sérgio de Jesus Postado em 29/Dec/2011 às 17:02

    A igreja sempre querendo estar no controle de tudo...

  4. aLaN0165 Postado em 30/Dec/2011 às 22:45

    Com todo respeito para com a Igreja Católica e com o Sr. João Paulo, mas o conceito de de Religião e "Deus" são as ideologias que mais atrasam o deselvolvimento humano. São o grande "tumor" da humanidade. Essa notícia só comprova minhas palavras.

  5. Ricardo Postado em 24/Feb/2012 às 17:50

    @aLaN0165, Excomungar politico nao atrasada em nada a humanidade ¬¬ Nem todo "avanço" é benéfico

  6. Giordano Postado em 25/Feb/2012 às 18:12

    A manchete da notícia mostra um total desconhecimento a respeito da Igreja Católica, ou uma omissão. Não é que a Igreja "vai" ou "nao vai" a torto e direita excomungar. O Código de Direito canônico, que é o, por assim dizer, manual legal da ICAR, prevê que todos aqueles que têm envolvimento com práticas contrárias á vida, entre elas o aborto estão automaticamente excomungadas. Não é que o bispo X ou o padre Y vão decidir algo. E, como medida prática, àqueles que não têm um referencial religioso, não lhe interessa, via de regra, estar ou não excomungado.