Redação Pragmatismo
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PSDB 2011 03/Dec/2011 às 16:24
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Cria Cuervos: PT pode levar Aécio Neves

Numa eleição presidencial apertada, o colégio eleitoral mineiro (10,7% do total nacional) pode muito bem definir a parada. O PT parece não se importar com isso

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Se algum dia Aécio Neves alcançar a tão almejada Presidência da República, poderá dizer: “apesar de José Serra, mas com o apoio do PT, cheguei até aqui”.

Não há quem não reconheça que Aécio é hoje o principal nome da oposição para 2014, e não só para 2014. Talvez também para 2018, 2022, 2026… Aécio tem cacife (domina o segundo colégio eleitoral do país), tem carisma, tem habilidade política, tem apoio do empresariado, tem apoio da mídia, tem apoio da Força Sindical e tem alianças consistentes fora do eixo PT-PSDB.

Aécio, portanto, é um forte adversário do projeto político do PT, certo? Sim… Quer dizer, não… Quer dizer, talvez.

Nos últimos dez anos, a fim de alimentar a oposição interna a José Serra no PSDB, o PT, de forma geral, salvo uma ou outra exceção em Minas, evitou chatear Aécio Neves. Fez mais: abriu espaço para que o tucano crescesse.

Faça um teste. Tente achar no Google uma crítica mais pesada a Aécio Neves feita por um petista de projeção nacional. Não há. Lula? Dilma? José Dirceu? Nenhum deles se lançou ao sagrado exercício político de desconstruir o adversário (a recíproca, contudo, como também mostra o Google, não é verdadeira).

O ápice da relação de boa vizinhança do PT com Aécio se deu em 2008. Naquele ano, o Partido dos Trabalhadores, que administrava Belo Horizonte havia 16 anos, decidiu quebrar a risca e não lançar candidato próprio à prefeitura, uma das mais importantes e estratégicas do país. De bom grado, o PT desceu da cadeira e passou a apoiar a chapa encabeçada por Márcio Lacerda (PSB), secretário do governo Aécio e afilhado político do tucano. A aliança ficaria conhecida como parceria Caracu (Aécio, é óbvio, entrou com a cara…).

Eleito, Márcio Lacerda fez o previsível. Nos últimos três anos, trabalhou pelo projeto de Aécio e pelo enfraquecimento do PT mineiro. O último ato dessa comédia se deu no início do mês, quando Lacerda, numa briga pessoal, demitiu todos os funcionários do gabinete de seu vice, o petista Roberto Carvalho.

Ano que vem, como todos sabem, tem eleição para prefeito. Há, por certo, muitos petistas mineiros que desejam romper a exótica aliança PSDB-PT em Belo Horizonte. A estratégia tem coerência, não se pode negar, já que na prática a aliança só favoreceu Aécio e o PSDB, enquanto o PT diminuiu. Além disso, em 2014, se o script político se confirmar, Aécio estará do outro lado do ringue contra Dilma Rousseff.

Por que então, catzzo!, o PT deveria fazer o jogo de Aécio? A vida tem seus mistérios.

Aqueles que, dentro do PT de Minas, trabalham pelo fim da aliança esbarram na objeção daquele que, no PT, é o padrinho da parceria Caracu, Fernando Pimentel.

Atual ministro do Desenvolvimento, Pimentel foi o último prefeito petista de Belo Horizonte. Se depender dele, talvez seja também o derradeiro. Pimentel joga pela reeleição de Márcio Lacerda. Se eleito, Lacerda quiçá venha a preencher, daqui a três anos, o (ainda vago) posto de candidato de Aécio ao governo de Minas. Seria certamente uma candidatura forte, talvez forte o suficiente para mais uma vez barrar o sonho do PT, nunca realizado, de conquistar o Palácio da Liberdade.

O curioso nessa história é que, ao patrocinar a reedição da parceria Caracu, Pimentel joga contra si próprio, já que também é nome forte para a eleição ao Governo de Minas em 2014.

Ontem, a contradição petista em Minas explodiu. Motivo: enquanto as exceções de sempre no raquítico PT mineiro lutam para explorar as fragilidades da herança deixada por Aécio no Estado (piso salarial mais baixo do país para o professorado, dependência excessiva das commodities num momento de crise mundial na economia, dívidas imensas que engessam a capacidade de investimento, mordaça na imprensa…), a ala de Fernando Pimentel apostou mais uma vez na parceria Caracu.

Aliado de Pimentel e presidente do PT de Minas, o deputado federal Reginaldo Lopes se reuniu ontem publicamente com Antonio Anastasia (PSDB), governador de Minas nascido de uma costela de Aécio, para discutir o que Lopes apelidou de “agenda positiva” e “convergência programática”. O resultado das confabulações deveria ter sido levado ainda hoje para Brasília. Adivinhem para quem? Fernando Pimentel.

Dirão os envolvidos que a “convergência programática” e a “agenda positiva” atende aos interesses de Minas. Na Calábria brasileira, desde a Inconfidência, é sempre assim. À luz do dia, evoca-se aos brados o nome de Minas. De madrugada, aos sussurros, costuram-se conspirações que atendem unicamente a interesses privados.

A busca do presidente do PT de Minas por uma “convergência programática” com o PSDB despertou a ira de petistas autênticos – chamemo-los assim para efeito de diferenciação. Via Twitter, o deputado Rogério Correia, autêntico que lidera o bloco anti-Aécio na Assembléia Legislativa do Estado, batizado de Minas Sem Censura, chamou Reginaldo Lopes de “traidor” e de aliado do PSDB e pediu que ele fosse afastado da presidência do PT mineiro. O protesto, seguido por outros autênticos, dificilmente terá efeito prático, já que a ala não tem força nas instâncias do PT nacional para peitar o ministro Fernando Pimentel.

Por que Pimentel fortalece os adversários de seu partido na capital mineira? Por que o PT nacional infla Aécio? Não há explicação lógica. Lá no fundo, lá no fundo, bem lá no fundo… Não há nada lá no fundo. A parceria Caracu é o que parece ser.

Minas tem 14,5 milhões de eleitores (10,7% do total nacional). Numa eleição presidencial apertada, o colégio eleitoral mineiro pode muito bem definir a parada. O PT parece não se importar com isso. Que assim seja. Mas não custa lembrar o ditado espanhol: cría cuervos y te sacarán los ojos.

Lucas Figueiredo, em seu Blog

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Comentários

  1. Valéria Borborema Postado em 04/Dec/2011 às 17:29

    Vejo Aécio Neves como o maior embuste da política nacional. Não acho que ele seja tão competente assim. Pode ter certa habilidade política, mas também não é lá essas coisas. Veja, por exemplo, a estratégia que AN adotou para 2012, já visando às eleições presidenciais de 2014. O objetivo é fazer maior número possível de prefeitos, em vez de jogar pesado na formação de aliança nacional. O cenário partidário da oposição desfavorece os planos de Aécio Neves, por absoluta falta de coesão. A oposição simplesmente não tem discurso, não convence. Isso, sem contar com o fato de Aécio Neves não ter apelo nacional. É forte em Minas, reconheço, mas no Brasil não. É desconhecido. Além do mais, a vida privada de AN oferece combustível suficiente para pelo menos se duvidar se ele, de fato, terá cacife para ser candidato à Presidência. Acho que Aécio Neves é superestimado.

  2. Valéria Borborema Postado em 04/Dec/2011 às 17:59

    Vejo Aécio Neves como o maior embuste da política nacional. Não consigo enxergá-lo com esse capital político todo. Tem certa desenvoltura, reconheço, mas não é esse gênio que tentam fazer dele. Está longe disso. Primeiro, AN dispõe de um aparato midiático invejável a seu favor, o que impede que a sociedade, ou pelo menos grande parte dela, coloque em dúvida, questione sua postura. Segundo, AN não tem apelo nacional mas regional. E terceiro, sua capacidade de alinhavar apoio não é tão grande assim. Observe, por exemplo, a estratégia que AN usa para as eleições 2012, já visando às eleições presidenciais. Pretende fazer o maior número possível de prefeitos para costurar base de apoio, independentemente de partidos. A aposta é na demanda das prefeituras. O objetivo é tentar driblar a falta de sintonia da oposição cujos partidos não se entendem e, portanto, não oferece base para a formação de ampla aliança nacional pró-Aécio.

  3. Paulo R. Krobath Postado em 07/Dec/2011 às 18:49

    Convido a conhecer e participar desse grupo no Facebook:

    RESISTÊNCIA VIRACOPOS em http://www.facebook.com/groups/resistenciaviracopos/

    Grupo de resistência dos aeroportuários de Viracopos.