Luis Soares
Colunista
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Política 01/Nov/2011 às 02:01
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Por reconhecer a Palestina, Unesco sofre boicote criminoso dos EUA

Entidade da ONU é a primeira a admitir Palestina como membro pleno. O ato irritou os EUA que, em represália, suspendeu o apoio financeiro à Unesco. O país deixará de pagar US$ 60 milhões do que deve a partir de novembro
A admissão da Palestina como membro pleno da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), marca, para os palestinos, um “momento histórico”.

Poucas horas depois da adesão plena da Palestina, os Estados Unidos anunciaram um boicote à Unesco. A contribuição de novembro, no valor de 60 milhões de euros, não será paga, informou o Departamento de Estado Norte Americano.

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“Os Estados Unidos são claramente a favor da solução de dois Estados, mas o único caminho é por meio de negociações diretas e não há atalhos, e iniciativas como a de hoje são contraprodutivas”, condenou David T. Killion, embaixador norte-americano na organização.

“Tínhamos que conceder um pagamento de 60 milhões de dólares à Unesco em novembro e não vamos fazer isso“, disse a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland.

Outro país que reagiu de forma irritada com a decisão foi a Alemanha. A alegação dos alemães para votar contra a incorporação da Palestina pela Unesco é que ela “prejudicaria” as inexistentes negociações entre as duas partes. Segundo um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, a adesão palestina “prejudicaria o já difícil diálogo indireto”.

Israel, o maior aliado americano no Oriente Médio e responsável direto pelos danos sociais e humanos da ocupação da Palestina reagiu também no mesmo tom dos Estados Unidos. “Isto é uma tragédia para a Unesco… A Unesco lida com ciência, e não com ficção científica, porém a organização adotou a ficção científica como realidade”, insistiu o representante israelense Nimrod Barkan, embaixador israelense junto à Unesco, imediatamente depois da votação.

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Depois de um boicote de mais de 20 anos (1984-2003) alegando uma suposta má gestão e “problemas com a ideologia”, os Estados Unidos participavam até agora dos programas da Unesco, já que por meio deles conseguiam difundir sua ideologia.

Agências

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