Luis Soares
Colunista
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Política 14/Nov/2011 às 20:11
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Estudo financiado pela própria Globo aponta que o Brasil está no caminho certo

89% dos jovens têm orgulho de ser brasileiro (11% têm vergonha), 76% acreditam que o Brasil está mudando para melhor (9%, para pior) e 87% acham que o Brasil é importante no mundo hoje (3%: pouco importante)
Divulgada há cinco meses, saiu em junho o resultado de uma pesquisa intitulada O Sonho Brasileiro.

Diga-se antes de qualquer coisa, a bem da verdade, que dela não participou qualquer órgão governamental nem empresa pública de espécie alguma. Como se define a realizadora do trabalho, “a Box 1824 é uma empresa de pesquisa global focada no mapeamento de tendências”. Patrocinaram o minucioso e abrangente estudo um dos maiores bancos privados nacionais e uma das maiores empresas multinacionais de refrigerantes. O apoio foi dado pela maior rede de televisão do Brasil.

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Considerando o despreparo do jovem brasileiro, o descaso que a juventude nutre pela sua comunidade, a sua falta de comprometimento com as grandes causas e os grandes problemas nacionais, o desprezo pelos estudos e pelo trabalho, a sua mórbida malandragem, o seu apego às drogas e a tudo o que é errado, a sua histórica aversão à leitura (nossos bisavós já diziam, de seus filhos, que “é uma lástima, uma perdição, mas a nova geração já não lê tanto quanto a nossa”) e a futilidade a que todo jovem se entrega, a pergunta que se faz aqui é: conhecemos de fato o Brasil? Sabemos mesmo o que pensa e faz a nossa gente?

A pesquisa saiu em campo para ouvir e procurar entender quem é esse povo 1824 que anda por aí; essa gente que compõe “a atual geração 18-24 anos (faixa etária mais influente na criação e disseminação de novas ideias)”; esses 26 milhões de brasileiros das classes A, B, C, D e E.

É uma pena, uma lástima, mas não dá para resumir aqui as 384 belíssimas páginas da publicação. Mas dá para informar que está tudo disponível na Internet, no endereço: O Sonho Brasileiro.

E dá para adiantar que 89% dos jovens têm orgulho de ser brasileiro (11% têm vergonha), 76% acreditam que o Brasil está mudando para melhor (9%, para pior) e 87% acham que o Brasil é importante no mundo hoje (3%: pouco importante; 1%: nada importante).

Melhor: eles, esses jovens conectados, ligados ao mundo, estão promovendo uma fantástica mudança no país através do que chamam de minirrevoluções, a revolução dentro do possível, do que lhes está ao alcance das mãos – a começar pelo comportamento ético nas atitudes cotidianas e pelo envolvimento em projetos coletivos de melhorias comunitárias.

Gente de altíssimo nível de participação e de aguda consciência sobre o que quer para si, para os outros e para o Brasil.

A publicação da pesquisa tem outra virtude: as belas fotos que a ilustram, reais, são de gente como gente é, sem maquiagem, holofote, roupa de marca nem photoshop, captadas nos cenários onde a vida se desenrola; são imagens nítidas da nossa gente brasileira.

Conhecemos de fato o Brasil? Sabemos o que pensam e fazem esses jovens ou só nos movemos por preconceitos e pseudoverdades estratificadas? Imaginaremos talvez que – felizmente! – todos os discursos sobre religião, família, política e dinheiro estão sendo pacífica e inexoravelmente reescritos?

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Se conhecêssemos, soubéssemos ou imaginássemos algo disso tudo, não debocharíamos, por conta agora de um câncer, de um presidente que foi escolhido duas vezes pelo povo em eleições democráticas e saiu do poder, apesar das imperfeições que ficaram pelo caminho, sob aplausos majoritários dos brasileiros e do mundo, e que ajudou a trazer o Brasil de volta ao lugar em que estávamos no fim dos anos 1950 e início dos 1960 quando, por medo do povo e para manter privilégios, um golpe de Estado nos atrasou por mais de meio século.

Comentários

  1. Diego Postado em 17/Nov/2011 às 08:46

    4% dos jovens são ateus, legal espero que número cresça.