Luis Soares
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Política 10/Oct/2011 às 12:55
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Steve Jobs sob outra ótica: um contra-revolucionário, não um revolucionário

A questão central é que o design delicioso de seus produtos é apenas a isca para a construção de um mundo controlado de aplicativos e micro-pagamentos que reduz a imensa conversação global de todos para todos em um sala fechada de vendas orientadas
Steve Jobs morreu, após anos lutando contra um câncer que nem mesmo todos os bilhões que ele acumulou foram capazes de conter. Desde o anúncio de seu falecimento, não se fala em outra coisa. Panegíricos de toda sorte circulam pelos meios massivos e pós-massivos. Adulado em vida por sua genialidade, é alçado ao status de ídolo maior da era digital. É inegável que Jobs foi um grande designer, cujas sacadas levaram sua empresa ao topo do mundo. Mas há outros aspectos a explorar e sobre os quais pensar neste momento de sua morte.
Jobs era o inimigo número um da colaboração, o aspecto político e econômico mais importante da revolução digital. Nesse sentido, não era um revolucionário, mas um contra-revolucionário. O melhor deles.
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Com suas traquitanas maravilhosas, trabalhou pelo cercamento do conhecimento livre. Jamais acreditou na partilha. O que ficou particularmente evidente após seu retorno à Apple, em 1997. Acreditava que para fazer grandes inventos era necessário reunir os melhores, em uma sala, e dela sair com o produto perfeito, aquele que mobilizaria o desejo de adultos e crianças em todo o planeta, os quais formam filas para ter um novo Apple a cada lançamento anual.
A questão central, no entanto, é que o design delicioso de seus produtos é apenas a isca para a construção de um mundo controlado de aplicativos e micro-pagamentos que reduz a imensa conversação global de todos para todos em um sala fechada de vendas orientadas.
O que é a Apple Store senão um grande shopping center virtual, em que podemos adquirir a um clique de tela tudo o que precisamos para nos entreter? A distopia Jobiana é a do homem egoísta, circundado de aparelhos perfeitos, em uma troca limpa e “aparentemente residual”, mediada por apenas uma única empresa: a sua. Por isso, devemos nos perguntar: era isso que queríamos? É isso que queremos para o nosso mundo?
Essa pergunta torna-se ainda mais necessária quando sabemos que existem alternativas. Como escreve o economista da USP, Ricardo Abramovay, em resenha sobre o novo livro do professor de Harvard Yochai Benkler The Penguin and the Leviathan, a cooperação é a grande possibilidade deste nosso tempo.
“Longe de um paroquialismo tradicionalista ou de um movimento alternativo confinado a seitas e grupos eternamente minoritários, a cooperação está na origem das formas mais interessantes e promissoras de criação de prosperidade no mundo contemporâneo. E na raiz dessa cooperação (presente com força crescente no mundo privado, nos negócios públicos e na própria relação entre Estado e cidadãos) estão vínculos humanos reais, abrangentes, significativos, dotados do poder de comunicar e criar confiança entre as pessoas.”
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Colaboração: essa, e não outra, é a palavra revolucionária. E Jobs não gostava dela.

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Rodrigo Savazoni  em 300

Comentários

  1. Pedro Balloussier Postado em 19/Oct/2011 às 18:36

    Sem cooperação os surtos criativos de Steve Jobs nunca seriam materializados. Este website tem reportagens incríveis, mas o autor foi muito infeliz neste texto.


    Citando o texto: "A distopia Jobiana é a do homem egoísta, circundado de aparelhos perfeitos, em uma troca limpa e “aparentemente residual”, mediada por apenas uma única empresa: a sua."


    Enxergo isso de outra maneira. O Jobismo é a prova viva de que motivação e MUITO FOCO (mesmo que isso implique em um número restrito de pessoas trancafiadas em uma sala) são capazes de levá-lo aonde quiser.

    Isso inclui colocar a Apple, uma empresa que quase some do mapa na década de 90, no posto de 2a maior empresa do MUNDO, perdendo apenas para a quase-centenária Exxon.


    Nenhum ser humano é perfeito, inclusive Jobs.

    Mas sem dúvida ele está na lista de seres humanos que deixaram a mediocridade para trás, acreditaram e lutaram de todas as formas por seus objetivos (será que esse é o egoísmo a que se refere?).

  2. Luis Soares Postado em 19/Oct/2011 às 19:09

    O que seria um homem que tem boas ideias para a fabricação de ótimos produtos de consumo dentro da lógica do mercado? Para mim, um ótimo empresário.

    Obviamente Jobs garantiu o seu lugar de honra na história da informática, embora não concorde e acho que tenha se equivocado na questão do software livre.