Luis Soares
Colunista
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Política 06/Oct/2011 às 13:21
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Emir Sader dá uma vassourada na esquerda sectária brasileira

Análise de Emir Sader, originalmente publicada em CartaMaior
“Eles são ótimos para fazer balanços de derrotas, mas nunca sabem propor alternativas e nunca conseguem dirigir processo algum” 
Especialistas em analisar fracassos
Repararam que tem gente, que se diz de esquerda, mas que só aparece para criticar a gente de esquerda? Nunca contra a direita, o que quer que esta faça. São especialistas em jogar álcool em qualquer foguinho dentro da esquerda.

Nunca reconhecem vitórias, conquistas, avanços. São apenas prenúncios de derrotas, traições, retornos da direita – cuja culpa será sempre denunciada como responsabilidade da esquerda. Adoram as derrotas, quanto maior, melhor, porque a culpa é dos outros, não importa que o povo seja quem pague o preco.


São ótimos para fazer balanços de derrotas, mas nunca sabem propor alternativas e nunca conseguem dirigir processo algum. São sempre críticos. Espécies de urubus, especialistas em carniças. Corvos, que auguram sempre catástrofes.

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Não dá para ter respeito por alguém que se diz de esquerda, mas não está em todas as paradas da luta contra a direita. Aí ficam quietos, espreitando para atacar a esquerda, seja porque não é suficientemente radical, seja porque não derrotou de forma radical e definitiva a direita. Eles mesmos, não são capazes de afetar o poder da direita, nem estão centralmente preocupados com isso, lhes importa sobretudo as “traições” da esquerda.

Numa circunstância grave como a da Bolívia atualmente, por exemplo, colocam para fora o rancor com Evo Morales e sua liderança, como antes tiveram essa atitude contra Lula no Brasil. Todos “traíram”, incluídos Hugo Chaves, Rafael Correa, Pepe Mujica, os Kirchner, Fernando Lugo, Mauricio Funes, só eles são puros. Só que o povo não acha isso, de forma que essa gente nunca consegue formar movimentos populares com forte participação do povo, não dirigem nenhum processo, não conseguem citar um caso em que suas ideias levaram a vitórias e a avanços.

Não elogiam a reforma agrária, a nacionalização das minas, a Assembleia Constituinte postas em prática por Evo. Não apoiam as medidas de política externa soberana do Brasil, no reconhecimento da Palestina, na mediação do Irã, no apoio a Cuba. Só denúncias, porque seu universo não é a luta geral do povo, mas o universo restrito da esquerda. Não fazem luta de massas, só luta ideológica. Não constroem força política para que a esquerda avance, sempre tratam de dividir.

Os conflitos na esquerda, no campo popular, tem que ser discutidos e tratados como conflitos entre tendências de esquerda, mais moderadas ou mais radicais, sem desqualificações que caracterizem os outros como fora do campo da esquerda. Esta atitude é o primeiro passo que leva a assimilar outras tendências da esquerda à direita e assumir equidistância em relação a elas.

Numa situação de crise como a da Bolívia atualmente, tudo o que podemos desejar é que se chegue a um acordo político entre o governo e setores do movimento indígena que estão em enfrentamento aberto. Nem o governo é de direita, nem os movimentos indígenas fazem o jogo da direita. É nesse marco que devemos almejar que sejam enfrentados os conflitos.

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Como no Brasil, deve-se criticar o governo e o PT no que se diverge, e apoiar nos pontos comuns. Fazer frente única no que há de comum, a começar na luta contra a direita. E criticar naquilo em que há divergências. Considerando que são diferenças no campo da esquerda e não é possível equidistância entre o governo e a oposição, o PT e a direita.

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Comentários

  1. idiarte Postado em 06/Oct/2011 às 18:23

    Ótima análise do Emir. Não sei o que é mais cansativo e maçante: a Extrema Direita ou a Extrema Esquerda. Ambas perderam lugar no tempo e no espaço, mas pretendem morrer inflexíveis como a Igreja, elegendo seus Judas e seus hereges a cada volta do ponteiro da História. Ainda bem que o tempo não para. Ou, como dizia uma propaganda antiga: enquanto o mundo gira, a Lusitana roda.

  2. Luis Soares Postado em 06/Oct/2011 às 19:34

    Não. não necessitamos das agitações políticas da extrema-esquerda. Por outro lado, dos radicais da direita o Brasil precisa muito. Basta que observemos o emblemático diálogo no Senado Federal entre a presidente Dilma, à época ministra, e o senador José Agripino Maia. Eles representam as duas faces do perfil ideológico nacional. Quando pensávamos que com a morte de ACM estávamos órfãos, abandonados, sem péssimos exemplos para jamais seguirmos... Ledo engano: esses maus exemplos proliferam inesgotavelmente e nos dão alento para, cada vez mais, procurar direcionar a política brasileira por rumos mais dignos.

  3. Almir Ferreira Postado em 07/Oct/2011 às 00:01

    Eu lembro dos colegas "stalinistas" da faculdade, e de outros que são da política, que defendem o anacrônico estado soviético como solução para o mundo. E quem não pensa igual a eles, é "pelego", "vendido", "trotskista" e por aí vai...

    Não vejo a menor contribuição dessa facção política para resolver os problemas pragmáticos do mundo, nem no debate das esquerdas e não por acaso, como disse o Emir, o povo não legitima esse tipo de visão.


    Almir Ferreira
    Rama na Vimana

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