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Racismo não 09/Sep/2011 às 04:11
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Promotor da editora abril humilha garotas negras na Bienal do Livro

“Pretas do cabelo duro” e “Não gosto de mulheres negras” foram expressões usadas pelo representante da Editora Abril para impedir que as meninas participassem de promoção

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Alunos da Escola Estadual Guilherme Briggs, em Santa Rosa, Zona Sul de Niterói, sentiram na pele, na tarde da última segunda-feira, a dor do preconceito racial, que supostamente para muitos não ocorreria mais em nosso país, muito menos nas dependências de uma feira literária, onde nossa cultura é expressada das mais variadas formas, nas páginas publicadas por inúmeras editoras. Preconceito e injúria racial são crimes passíveis de prisão, no artigo 9º da Lei 7716/89.

De acordo com a diretora da escola, Alcinéia de Souza, o fato entristeceu e chocou os alunos da unidade, uma das mais conhecidas do município, foi registrado ontem da Delegacia Legal de Icaraí (77ª DP), e formalmente encaminhado à Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos.

De acordo com a diretora do estabelecimento de ensino, na tarde de segunda-feira ela levou um grupo de 45 alunos que cursam o Ensino Médio da escola até a Bienal do Livro 2011, que se realiza no pavilhão do Riocentro, na Zona Oeste do Rio. No local, entusiasmados os alunos, com idades entre 15 e 17 anos, se espalharam para apreciar os vários estandes. Segundo os alunos e a diretora, num deles da Editora Abril ocorria uma promoção, onde eram distribuídos uma espécie de senha para que os jovens prestigiassem a tarde de autógrafos do ator e apresentador Rodrigo Faro.

Entusiasmadas, duas alunas do colégio, de 16 e 17 anos, se dirigiram até um dos promotores, inicialmente identificado apenas como “Pedro” ou “Roger” – no intuito de conseguir uma das senhas. Do promotor as alunas ouviram (incrédulas) insultos do tipo: “Não vamos dar a senha porque vocês são pretas do cabelo duro”, e também “não gosto de mulheres negras, por isso não darei senhas para vocês”. Segundo uma das alunas, indignada com a ofensa ainda tentou argumentar com o promotor – “isso é um tipo de bullying, e pode te trazer problemas”. Com resposta o promotor rebateu, afirmando que isso não daria problema nenhum para ele”.

Como o grupo estava espalhado pelo pavilhão de exposições, a diretora da escola afirmou que só tomou conhecimento do fato quando os alunos já estavam deixando o evento. Revoltada, Alcinéia retornou ao estende da Editora Abril, à procura do responsável pela representação da empresa, que de acordo com ela pediu-lhe desculpas (omitindo a identificação do promotor) e alegando que tomaria providências. “Sentindo-se humilhada, uma das alunas disse que sequer conseguiu dormir de segunda para terça-feira”, explicou Alcinéia, que no início da tarde de ontem, acompanhada dos alunos, pais, e de um advogado (que também é professor da unidade), José Carlos de Araújo, registrou queixa de crime de Injúria e Preconceito Racial na 77ª DP. A distrital encaminhou o procedimento para a Delegacia Legal do Recreio dos Bandeirantes (42ª DP).

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“Ensinamos os princípios da cidadania para os alunos, explicando inclusive que independe de quem sejam, e agora eles passam por uma experiência terrível dessas ? Os alunos da escola estão chocados com o que aconteceu. Fiz questão de comparecer junto com os pais desses estudantes na DP para relatar esse triste fato. Esses estudantes são como filhos pra mim”, disse Alcinéia. “Em pleno século XXI isso ainda acontece em nosso país. Esse fato não se esgota na esfera criminal. Não desejamos isso para nosso país”, disse José Carlos de Araujo, que junto com a diretora, os alunos, e com a cópia do registro levou também ontem o fato ao conhecimento da Secretaria Estadual de Assistência Social de Direitos Humanos para que providências sejam tomadas.
Representantes da Editora Abril não quiseram se pronunciar.

A Tribuna RJ

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Comentários

  1. Jean Sena Postado em 09/Sep/2011 às 15:58

    Lembrando que o grupo Abril tem como sócio um grupo de mídia Sul-africano que dava suporte ao regime do apartheid.

    • Clayton Postado em 26/Nov/2013 às 15:11

      Exatamente. Editora Abril é o esgoto editorial do país e Veja seu mais fétido dejeto.

  2. @Limarco Postado em 09/Sep/2011 às 16:22

    Muito bem lembrado Jean.

  3. Luis Soares Postado em 09/Sep/2011 às 19:48

    Informação verídica, Jean. Outra, a editora abril vem sendo beneficiada com uma série de aquisições pagas, sem licitação, pelo governo de São Paulo, a título de material destinado para a educação.

  4. Iniciativa Coletiva Postado em 09/Sep/2011 às 20:02

    Na boa,sinto vergonha de mim mesmo, pelas declarações infelizes cfe.referidas na matéria.
    Ok! temos uma lei que coibe ou disfarça o racismo.
    Mas,com ou sem lei,precisamos todos nós brasileiros trabalhar sinceramente para que esta mal-fadada cultura de constrangimentos pela cor da pele permaneçam como verdade,ainda que disfarçada.
    Peço às jovens detratadas por tais declarações,perdão.

  5. drizero Postado em 14/Sep/2011 às 01:26

    Jean, qual é o nome deste grupo, para que possamos saber quem é.
    Eu não conhecia esta informação.

    Abraços.

  6. Luis Soares Postado em 14/Sep/2011 às 12:43

    Drizero, trata-se do grupo de mídia sul-africano Naspers.

  7. meryll 77 Postado em 23/Sep/2011 às 04:25

    POUCAS COISAS NA VIDA ME DEIXAM TAO INDIGNADA QTO O RACISMO. APESAR DE NAO PODER SENTIR NA PELE, PQ SOU BRANCA, MEU ESPIRITO SENTE A DOR, A HUMILHAÇÃO E TODA A TRAGEDIA POR QUEM SOFRE ESSE TIPO DE MAU CARATISMO. NAO POSSO ACREDITAR QUE UMA SOCIEDADE POSSA CONSIDEDERAR-SE CIVILIZADA ENQTO ESSA DEGENERAÇAO AINDA ESTIVER MARCANDO E ENLAMEANDO AS ATITUDES DAQUELES QUE SE UFANAM EM DIZER QUE SAO CIVILIZADOS.

  8. Fábio Mata Postado em 07/Nov/2011 às 17:31

    Esse tipo de artigo, tendencioso, me deixa confuso sobre como vocês abordam os fatos: Um funcionário da editora abril agrediu verbalmente duas alunas. O fato é que duas meninas sofreram racismo. Agora o agressor poderia ser funcionário de qualquer empresa. Tentar fazer uma correlação deixando a entender que a editora tem viés racista é achar que nós leitores somos massas de manobra (idiotas). Eu não gosto da revista Veja pelo conteudo ideológico, mas nem por isso compactuo com o jornalismo pobre do artigo.

    Fábio Mata.

  9. Luis Soares Postado em 07/Nov/2011 às 17:43

    O amigo está desinformado. Apesar da comprovada correlação entre a supracitada editora e grupos que financiaram o apartheid na África do Sul, o artigo não se propôs a abordar o viés racista do grupo abril. É provável que o amigo, além de desinformado, tenha desprezado o conteúdo exposto no artigo em detrimento do título.

    E, sim, o agressor poderia ser funcionário de uma outra empresa, como já nos debruçamos aqui mesmo neste espaço sobre casos semelhantes.

  10. jardel lopes Postado em 20/Nov/2011 às 11:32

    Na minha terra, no Interior de Minas, quem anda com bandido, bandido vira. Então companheiros, não tô nem aí prá este negócio da defesa do grupo Abril, com alegações que não fazem parte deste jogo. Ora, uma editora, que edita a revista Veja, extremamente tendenciosa, não poderia nunca, em princípio, ignorar tal posição racista, preconceituosa.
    Hoje, estamos em 20 de novembro. Dia considerado o "dia da consciência negra". O Zumbi foi morto em 1695, por defender a liberdade para o seu povo e para a população do Quilombola. Tem bastante tempo. Não podemos admitir que ele tenha sido assassinado em vão. Temos que punir exemplarmente tal postura. Parabéns para a Diretora da Instituição.

  11. Jorge Postado em 13/Dec/2011 às 00:55

    EDITORA ABRIL , tá ? EDITORA ABRIL . Não esqueçam essas palavras. É a mesma editora de porcarias como Veja , Caras, Contigo , Playboy , Tititi , entre outras ... Abram os olhos para esse lixo e entendam que esses caras da Abril trabalham contra o país .

  12. Tália Bed Postado em 18/Dec/2011 às 20:29

    Isto é indesculpável, e não só por se tratar de jovens, sim por se tratar de uma violência contra o homem. É inconcebível que quem trabalha com informação colabore para sedimentar uma conduta condenável em qualquer faixa etária. Abusiva e descabida a atitude do funcionário claramente despreparado para a função que lhe foi confiada. Demissão e processo nêle.

  13. la viea mon avis Postado em 30/Dec/2011 às 11:09

    ...concordo plenamente contigo, tália. PROCESSO NELE

  14. Bonza Léo. Postado em 11/Jan/2012 às 19:12

    Pessoal, sou viceralmente contra qualquer tipo de racismo, sou a favor de processar esta pessoa. Mas, sou contra culpar uma empresa,seja ela qual for, por causa de um funcionário. Nesta empresa, tenho certeza que existem centenas de funcionários que estão contra este racista. Olhem só como são as coisas, o Zumbi dos palmares, ele tinha dezenas de escravos, dele, e se algum desobedecesse era punido ferozmente. É só pesquisarem. Os brancos nunca foram no interior da África buscar escravos, os escravos já estavam prontos para serem vendidos, aprisionados pelos próprios negros. Sou contra qualquer tipo de escravidão, mas, ainda hoje eles a praticam na África. Houve uma longa reportagem na televisão a este respeito. Cuidado para condenarem quem quer que seja. SOU A FAVOR DE PROCESSAREM E CONDENAREM QUALQUER UM QUE PRATIQUE O RACISMO.

  15. João Theodoro Postado em 07/Feb/2012 às 17:08

    Inobstante todas as colocações feitas, gostaria de saber o que leva uma empresa provocada a se manifestar, optar por não comentar o assunto, ainda que se trate de um único funcionário, ou colaborador . Se não existe dignidade, que pelo menos a empresa se recusasse a ter sua marca associada a uma conduta tão deplorável , por parte daquele infeliz, que não deve valer o ar que respira ...

  16. Fabio Postado em 13/Feb/2012 às 16:55

    Bom, vindo de um grupo editorial quem entre outros lixos e imundices, publica a revista Veja, não é de admirar, tomara que de alguma coisa essa denuncia.

  17. Reginaldo Oliveira Postado em 04/Nov/2012 às 15:13

    Na história, também existiram escravos brancos. Não é o fato de os negros terem sido, ou descenderem de, escravos, que o racismo ganhar força. A questão é ainda parte de outro tipo de racismo que difere origens - seja entre negros e brancos seja entre amarelos. O assustador nisto tudo é que esses mitos sanguíneos, há muito questionado e superado (desde a Revolução Francesa, não se fala do valor de alguém segundo a cor do sangue), é que apesar de já sabermos sobre não haver diferenças a não ser de cor, ainda persistam atitudes contrárias a esta consciência. Isto apenas se explica se compreendermos que se trata de pessoas brutas - por mais bem vestidas e limpas que sejam ou estejam -, incapazes de fazer qualquer tipo de associação ou reflexão. Por isto, a punição deve ser dada ao tal sujeito, que talvez se olhe no espelho e saia às ruas distinguindo pessoas segundo o semblante divinizado ao olhar-se, deve-se punir, inclusive, apelando para que se eduque. A nossa sociedade neurótica raciocinar segundo inferiores e superiores - para a tristeza dos negros, estes foram classificados do lado do inferior. O racismo, hoje, não é mais de sangue, de origem, mas de imagem, o que é pior e mais nefasto. (sei que o comentário está demasiado distante da data do fatídico ocorrido - se o faço é para ter notícias sobre o desfecho do caso, se alguém tiver acompanhado)

  18. renivaldo Postado em 29/Apr/2013 às 08:49

    infelizmente até a justiça deste país é favorável aos brancos... é porque se funcionasse de fato essas pessoas estariam presas. ou seja eu acredito tanto em papai noel como acredito na justiça do BRASIL.

  19. jose de pontes Postado em 16/Dec/2014 às 12:28

    olha porque secretaria da igualdade que naos se manifesta , quando alguem precisa, isto qual fica o sentimentos de revoltas,m