Luis Soares
Colunista
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Política 01/Sep/2011 às 01:03
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Liberdade ameaçada: Governo britânico vai censurar Twitter para evitar mobilizações

O Twitter teve papel fascinante nos distúrbios de Londres e mostrou o
quanto podem ser importantes as redes sociais no período em que as
mídias tradicionais não conseguiam acompanhar o que acontecia nas ruas
da capital britânica.

Os primeiros indícios de que havia algo de errado em Tottenham, em 4
de agosto, chegaram a muitos londrinos pelo rádio. A Radio 5 Live,
principal estação da BBC para notícias e esportes, começou a receber
relatos de um ônibus em chamas durante a transmissão de um programa de
debates sobre a pré-temporada dos times do campeonato nacional de
futebol.

Pouco depois um ouvinte entrou no ar e passou a relatar a
batalha campal entre policiais
e manifestantes, mas os canais de
televisão não davam qualquer destaque ao que acontecia.

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Com o passar das horas, tanto a BBC News quanto a Sky News, canais de
notícias, mobilizaram equipes para o local e transmitiram imagens dos
incêndios em Tottenham. O problema para os jornalistas e produtores dos
canais
era que as mesmas câmeras que mostravam os distúrbios para o
mundo também permitiam identificar os manifestantes que tocavam fogo em
carros de polícia, ônibus e edifícios. As equipes foram atacadas e
tiveram que fugir rapidamente. Rádios e canais de televisão ficavam
repetindo o que se sabia e mostravam imagens gravadas.
O Twitter passou assim a ser a principal fonte de notícias para quem
queria informações atualizadas e confiáveis do que se passava em
Londres. Dois repórteres conseguiram continuar com relatos do que
acontecia na região: Paul Lewis do Guardian (@paullewis) e Ravi Somaiya,
correspondente londrino do New York Times (@ravisomaiya). Somaiya
chegou a comentar que gangues passaram a “confiscar” telefones celulares
que ficassem expostos, mas continuou com suas notícias de 140
caracteres ao longo da noite.
Além de se tornar importante -retransmissor do que acontecia -pelos
bairros- da capital, o Twitter passou também a -auxiliar os repórteres
que cobriam os distúrbios. Tanto Lewis quanto Somaiya, além de
produtores dos canais de notícias, passaram a guiar suas coberturas a
partir de sugestões dadas por usuários distribuídos pela cidade e por
outros cantos da Inglaterra que se viram tomados por saqueadores nos
dias seguintes, como Birmingham e Liverpool.

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É exatamente a importância desse papel informativo do Twitter que
demonstra o quanto é obtusa a ideia defendida pelo primeiro-ministro
conservador David Cameron perante o Parlamento britânico em 11 de
agosto. O governo pretende monitorar e por vezes interromper o
funcionamento de redes sociais caso sejam usadas para organizar
distúrbios e saques, como de fato aconteceu por toda a Inglaterra
durante aquela semana. É uma tarefa praticamente impossível, felizmente
até por motivos legais. Tentar monitorar em tempo real milhares de
mensagens para coibir o crime é quase impossível, além de ser um
cerceamento perigoso da liberdade de expressão
. Um governo que pensa
seriamente em adotar essa medida não pode depois pedir a regimes
autoritários, como o governo britânico fez com Tunísia, Egito, Síria e
agora Líbia, que não desliguem suas redes.
Felipe Marra Mendonça – CartaCapital

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