Redação Pragmatismo
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Palestina 04/Sep/2011 às 13:49
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Jornal The Independent revela como Israel se vinga de crianças que atiram pedras

Na maioria dos casos, crianças palestinas de até 12 anos de idade são arrancadas da cama à noite, algemadas e vendadas, ficam sem dormir ou sem comida, são submetidas a longos interrogatórios e então forçadas a assinar confissões em hebreu, um idioma que poucas tem capacidade de ler.

menino palestina

Menino se urina ao ser capturado por soldados de Israel

O menino, pequeno e frágil, está lutando para ficar acordado. Sua cabeça pende para o lado, a certa altura caindo sobre o peito. “Levanta a cabeça! Levanta!”, grita um dos interrogadores, estapeando o menino. Mas ele a essa altura não parece mais se importar, porque está acordado por pelo menos doze horas desde que foi tirado de casa e separado dos pais às duas da manhã, sob a mira de uma arma. “Eu gostaria que vocês me soltassem”, ele choraminga, “assim eu poderia dormir um pouco”.

Durante o vídeo, de quase seis horas, o palestino Islam Tamimi, de 14 anos de idade, exausto e amedrontado, é continuamente pressionado, a ponto de começar a incriminar homens de sua vila e a tecer lendas fantásticas que, acredita, seus tormentadores querem ouvir.

Estas imagens raras, vistas pelo Independent, oferecem uma janela num interrogatório israelense, quase um rito de passagem que centenas de crianças palestinas acusadas de atirar pedras enfrentam todo ano.

Israel tem defendido fortemente seu comportamento, argumentando que o tratamento dados aos menores melhorou vastamente com a criação de uma corte militar juvenil dois anos atrás. Mas as crianças que enfrentaram a dura justiça da ocupação contam uma história bem diferente.

“Os problemas começam muito antes de as crianças serem trazidas para o tribunal, começam com a prisão delas”, diz Naomi Lalo, uma ativista do No Legal Frontiers, um grupo israelense que monitora os tribunais militares. É durante os interrogatórios que o destino da criança “é decidido”, ela diz.

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Sameer Shilu, de 12 anos, estava dormindo quando soldados derrubaram a porta da frente da casa dele uma noite. Ele e o irmão mais velho sairam do quarto com os olhos embaçados para encontrar seis soldados destruindo a sala-de-estar.

Checando o nome do menino na carteira de identidade do pai, o oficial israelense parecia “chocado” quando viu que precisava prender uma criança, disse o pai de Sameer, Saher. “Eu disse, ‘ele é muito jovem: por que você o quer?’ ‘Eu não sei’, ele respondeu”. Vendado e com as mãos dolorosamente atadas por algemas plásticas nas costas, Sameer foi colocado em um Jeep, com o pai gritando que não tivesse medo. “Nós choramos, todos nós”, o pai diz. “Eu conheço meus filhos; eles não atiram pedras”.

Nas horas que antecederam o interrogatório, Sameer foi mantido vendado e algemado, sem poder dormir. Eventualmente levado para um interrogatório sem um advogado ou parente presente, um homem o acusou de participar de uma demonstração e mostrou imagens de um menino atirando pedras, dizendo que era ele.

“Ele disse, ‘este é você’ e eu disse que não era eu. Então ele me perguntou, ‘quem são eles?’ e eu disse que não sabia”, Sammer conta. “A certa altura, o homem começou a gritar comigo, me agarrou pelo colarinho e disse ‘eu vou jogar você pela janela e te bater com um pau, se você não confessar’”.

Sameer, que se disse inocente, teve sorte; ele foi solto algumas horas depois. Mas a maior parte das crianças é amedrontada a ponto de assinar uma confissão, sob ameaça de violência física ou contra as famílias, como a da retirada das permissões de trabalho.

Quando uma confissão é assinada, os advogados geralmente orientam as crianças a aceitar um acordo e a servir uma sentença de prisão, mesmo que não sejam culpadas. Alegar inocência quase sempre representa longas ações no tribunal, durante as quais a criança quase sempre fica presa. Sentenças em favor das crianças são raras. “Numa corte militar, você deve saber que não deve procurar por justiça”, diz Gabi Lasky, uma advogada israelense que representou crianças.

Existem muitas crianças palestinas em vilas da Cisjordânia sob a sombra do Muro israelense da separação ou de assentamentos judaicos em terras palestinas. Onde grandes protestos não-violentos se deram como forma de resistência, existem crianças que atiraram pedras e patrulhas de Israel nessas vilas são comuns. Mas advogados e grupos de defesa dos Direitos Humanos protestam contra a política de Israel de tornar alvo as crianças de vilas que resistem à ocupação.

crianças palestinasNa maioria dos casos, crianças de até 12 anos de idade são arrancadas da cama à noite, algemadas e vendadas, ficam sem dormir ou sem comida, são submetidas a longos interrogatórios e então forçadas a assinar confissões em hebreu, um idioma que poucas tem capacidade de ler.

O grupo de Direitos Humanos B’Tselem concluiu que “os direitos dos menores são severamente violados, que a lei quase sempre fracassa na proteção de seus direitos, e que os poucos direitos dados a eles sob a lei não são implementados”.

Israel alega que trata os menores palestinos no espírito de sua própria lei para jovens mas, na prática, este é raramente o caso. Por exemplo, crianças não deveriam ser presas à noite, advogados e parentes deveriam estar presentes durante os interrogatórios e é preciso ler os direitos para as crianças presas. Mas Israel trata isso como comportamento recomendando, não como exigência legal, e os direitos das crianças são frequentemente violados. Israel considera jovens israelenses como crianças até 18 anos, enquanto palestinos são vistos como adultos a partir dos 16 anos de idade.

Advogados e ativistas dizem que mais de 200 crianças palestinas estão em prisões israelenses. “Se você quer prender estas crianças, se quer julgá-las”, diz a srta. Lalo, “tudo bem, mas faça isso de acordo com a lei de Israel. Dê a elas os seus direitos”.

No caso de Islam, o menino do vídeo, a advogada dele, srta. Lasky, acredita que o vídeo é prova de sérias irregularidades no interrogatório.

Em particular, o interrogador não disse a Islam que ele tinha direito de ficar calado, e o menino foi ouvido sem a advogada, que tentou vê-lo mas não conseguiu. Em vez disso, o interrogador pediu a Islam que contasse tudo a ele e aos colegas, sugerindo que se fizesse isso ele seria solto. Um interrogador sugestivamente socou uma das mãos, fechada, na palma da outra.

Ao final do interrogatório Islam, chorando entre soluços, sucumbiu aos interrogadores, aparentemente dando a eles o que queriam ouvir. Numa página de fotografias, a mão do menino se moveu sobre as imagens, identificando moradores da vila que mais tarde seriam presos por protestar.

A srta. Lasky espera que a divulgação do vídeo mude o tratamento das crianças presas nos territórios ocupados, em particular na forma como são usadas para incriminar outros, o que advogados alegam é o principal objetivo dos interrogadores. O vídeo ajudou a conseguir a soltura de Islam, do presídio para prisão domiciliar, e pode levá-lo a ser inocentado das acusações de atirar pedras. Mas, neste momento, um Islam silencioso não acredita em sua sorte. A metros de sua casa em Nabi Saleh fica a casa de uma prima, cujo marido está preso à espera de julgamento junto com uma dúzia de outros com base na confissão do menino.

A prima é magnânima. “Ele é uma vítima, ele é apenas uma criança”, diz Nariman Tamimi, de 35 anos, cujo marido, Bassem, de 45 anos, está na prisão. “Não devemos culpá-lo pelo que aconteceu. Ele estava sob enorme pressão”.

A política de Israel tem sido bem sucedida num sentido: criar medo entre as crianças e evitar que elas participem de futuras manifestações. Mas as crianças ficam traumatizadas, sujeitas a pesadelos e a molhar a cama à noite. A maioria acaba perdendo o ano escolar, ou abandona a escola.

Os críticos de Israel dizem que a política em relação às crianças palestinas está criando uma nova geração de ativistas com os corações cheios de ódio contra Israel. Outros dizem que ela mancha o caráter do país. “Israel não tem nada que prender estas crianças, julgá-las ou oprimí-las”, a srta. Lalo diz, com os olhos marejados.

“Elas não são nossas crianças. Meu país está fazendo muitas coisas erradas e as justificando. Nós deveríamos servir de exemplo, mas nos tornamos um estado opressor”.

Números de crianças detidas

7000. O número estimado de crianças palestinas detidas e processadas pelos tribunais militares israelenses desde 2000, de acordo com relatório do Defesa Internacional de Crianças Palestinas (DCIP)

87. Porcentagem de crianças submetidas a alguma forma de violência física durante a custódia. Cerca de 91% tiveram os olhos vendados em algum momento da detenção.

12. A idade mínima de responsabilidade criminal, conforme estipulado pela Ordem Militar 1651.

62. Porcentagem das crianças presas entre meia-noite e 5 da manhã.

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Comentários

  1. Daniel M Moreira Postado em 08/Jul/2012 às 01:18

    Pois é, o mundo está obrigado a ver e ouvir "ad infinitum" as lamurias dos israelenses (chama-los-ei Judeus) como Jesus Cristo, condenados por eles, quanto ao holocautos e seus sofrimentos, entretanto, perece-se que o que aprenderam tem mais a ver com Hitles que com Jesus, pois continuam guerreando e trabalhando prol interesses economicos americanos naquela região. Posicionam-se como defensores de ex-martirizados, porém, são hoje no mundo, uma força bélica de primeira, e pronta para atacar qualquer país do mundo em defesa de interesses americanos. Escondem-se dentro se suas fronteiras protegidas e abençoadas com US $ dólares, e alí cometem suas vinganças mais sórdidas e horríveis contra seus eternos inimigos, os palestinos, e hoje também, contra qualquer um que o faça sentir-se ameaçado.

  2. M.Christina de Lemos Postado em 17/Nov/2012 às 13:58

    Vale de lágrimas,nosso mundo.Crianças,animais,idosos,consumismo.Quanta dor,violência,tortura,crueldade!O mal lidera,governa!

  3. Adeilson Barros Postado em 21/Nov/2012 às 17:09

    Cara, eu amo muito Israel, mas eu não concordo com essa atitude leviana que ele comete com essas crianças inocentes meu Deus do céu!

    • Flávio Loureiro Postado em 16/Jul/2014 às 23:52

      Sim. Israel é malvada. Bom mesmo é o Hamas, não é? Hamas não interroga. Hamas não deixa sem dormir. Sabe o que Hamas faz? Amarra bombas nessas crianças e manda se explodirem para "ganhar lugar no céu". Adoro religião.

      • Priscila Postado em 17/Jul/2014 às 20:42

        limpa sua boca para falar da Palestina Flavio! vc não sabe o que é ter sua casa invadida e não poder entrar mais nela pq alguém a tomou e ainda ter que conviver com um muro separando pessoas como se fossem lixo. Vc é só mais um na internet discursando coisas que sequer conhece

      • Rafidhi Postado em 18/Jul/2014 às 08:54

        Flávio, vá morar em Israelixo declarando-se cristão e acostume-se a levar cuspidas na cara dos pobres judinhos...

      • flavio alienado Postado em 19/Jul/2014 às 01:52

        Imagens de israel fazendo essas coisas vc axa em td lugar.. e do hamas fazendo isso q vc flw? Vc ja viu alguma? Axo q nao neh.. nao seja um alienado q acredita em td q ouve na tv

      • aGNALDO Postado em 24/Jul/2014 às 13:40

        NAZISMO = SIONISMO

      • Rogério Postado em 29/Jul/2014 às 10:57

        Flávio, ou você é burro ou é ignorante por completo. Não se questiona aqui a religião judáica, e sim o governo de Israel, governo que tem atitudes nazistas sim e que está matando por matar. Não existe justificativa para o que está sendo feito ao povo palestino. Não reconhecer isso é ser conivente e nazista igual ao governo de Israel!

    • otario Postado em 19/Jul/2014 às 01:49

      Entao pq vc ama israel?

  4. Epitácio urubu Postado em 22/Nov/2012 às 01:49

    Essa afronta à vida e aos direitos individuais de outros povos, cedo ou tarde vai acabar; com certeza o nazi-sionismo deixará de existir... e quando isso acontecer esses criminosos que se auto-denominam"povo eleito" do tal deus churrasqueiro, que aliás criou o Satanás e todos os representantes das hostes espirituais da maldade ( serão maus mesmo ou apenas se rebelaram contra a opressão?)... cairá na descrença. Não são humanos... homens civilizados não torturam o semelhante, animais e muito menos... crianças. É o fim. Aposto o que quiserem que nas próximas 5 décadas este estado nazifascista deixará de existir. Revoltante...

  5. Brisa Socio Postado em 24/Nov/2012 às 06:29

    Isso é muito grave, não devemos ficar omissos.

  6. Adalberto F. de Sousa Postado em 08/Jul/2013 às 22:16

    Essa marra toda é porque são suportados pelos EUA. Deixa eles perderem essa boquinha, pra perceberem que estão cercados de inimigos cultivados ao longo de anos de hostilidade.

  7. rogerio melo Postado em 18/Jul/2013 às 18:09

    Facínoras...desalmados por um fé débil e delirante! Torturadores de crianças...e como tem gente no mundo que se presta a isto!

  8. Geraldo Manoel Guimarães Postado em 29/Nov/2013 às 01:05

    Não é toa que esses patifes israelenses nunca tiveram sossego; crucificaram Jesus Cristo; o demônio com o nome de Adolf Hitler exterminou essa raça excomungada e deveria ter sido extirpada do Planeta Terra; eles descontam nos fracos, mas perseverantes palestinos; fizeram de Gaza e a Cisjordânia uma "espécie de campos de concentração" como Sobibor, Treblinka,etc...mas esse povo nem no Antigo Testamento respeitava a figura de Moisés, um homem de Deus. Os EUA interessam sombriamente que tudo fique ainda pior; até mesmo Barack Obama é conivente com essa raça traídora, perversa, cruel e que não tem um minímo de sentimentos humanitários. MAS ELES, OS JUDEUS NÃO TEM PAZ NA CONSCIÊNCIA, DE DIA E DE NOITE, pois a Terra Santa por direito são dos Palestinos queridos(as); eu odeio esses hebreus, judeus, judias, israelenses, o diabo que os carregue; tudo é mesma coisa, farinha do mesmo saco; viva o grande Yasser Yrarafar(envenenado pela CIA E O MOSSAD, esse a Gestapo e SS do sistema diabólico desses judeus nojentos. VIVA DO ESTADO DA PALESTINA!!!!

  9. Raquel Postado em 28/Dec/2013 às 12:55

    Poxa..lamentável!

  10. Jaimejai Postado em 21/Jul/2014 às 06:09

    Se tudo isso realmente acontecem, PPR continuam jogando pedras? Não seriam os pais deles responsáveis por educa-los contra violencia?