Redação Pragmatismo
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América Latina 11/Sep/2011 às 17:28
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EUA silenciam diante do 11 de setembro do qual foram carrascos, 40 anos atrás

Nenhuma homenagem na imprensa aos vitimados do 11 de setembro que acabou com as esperanças de um povo e instaurou uma ditadura militar sanguinária

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11 de setembro chileno acabou com os sonhos palpáveis de uma nação. Foto: divulgação

Antes de serem vítimas do 11 de Setembro de Osama bin Laden, os Estados Unidos foram algozes num outro 11 de setembro, no Chile, 40 anos atrás. O golpe que derrubou o presidente socialista Salvador Allende, com apoio norte-americano, instaurou uma ditadura brutal, responsável pela morte de seis mil pessoas e pelas torturas cometidas contra 28 mil, na estimativa conservadora dos registros oficiais.

Mas se lições ligam estes dois episódios, elas não foram aprendidas. É o que disse um dos protagonistas desta data negra para o Chile, o cientista político Heraldo Muñoz, de 63 anos, membro do breve governo Allende. Hoje, Muñoz é subsecretário geral do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), em Nova York. Mas o cargo diplomático não o impediu de fazer uma leitura crítica da política norte-americana.

“Estas duas histórias se comunicam pela porta dos fundos, já que os EUA foram atores em ambos os casos”, disse Muñoz, em entrevista concedida por email. “Primeiro, Washington ajudou a perpetrar a violência no Chile contra um povo indefeso. Mais tarde, os norte-americanos foram objeto da violência fanática no 11 de Setembro de 2001, que também cobrou vitimas inocentes. Mas não sei se a lição histórica – da necessidade de respeitar irrestritamente os direitos humanos – foi aprendida por eles”, afirmou.

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Em 1973, Muñoz dirigia um ambicioso projeto idealizado por Allende, chamado Almacenes del Pueblo (Armazéns do Povo), uma rede que pretendia fazer chegar comida à população, sem depender da intermediação dos empresários privados do ramo. Na época, donos de supermercados e armazéns faziam lockouts para esconder produtos alimentícios, como forma de jogar o povo contra o governo da Unidade Popular (UP) e forçar a derrubada de Allende, que, em resposta, começou a confiscar e estatizar redes privadas de supermercados.

A radicalização do governo da UP – que também nacionalizou o cobre, principal produto de exportação do Chile, e deu início a uma profunda reforma agrária – encontrou resistência imediata da direita. Em tempos de Guerra Fria, a ameaça representada por um modelo socialista e democrático no que os EUA viam como seu quintal, era algo inadmissível.

No dia 11 de setembro de 1973, o general chileno Augusto Pinochet liderou o golpe de Estado contra Allende. O Palacio de la Moneda, sede do governo, foi bombardeado por caças da Força Aérea do Chile (Fach), enquanto atiradores posicionados nos edifícios do centro de Santiago disparavam contra os poucos membros da guarda presidencial, leais a Allende. Cercado, o presidente fez seu último discurso, transmitido pela rádio, antes de suicidar-se com o disparo no queixo de um fuzil AK-47, presente do amigo cubano Fidel Castro.

“O 11 de setembro do Chile significou a perda da democracia e a interrupção da aspiração de construir o socialismo por uma na via pacifica, pela força dos votos”, analisou Muñoz. “O golpe marcou as vidas de toda uma geração, em todo o mundo. Uma vez, nos anos 1990, eu estive com a ex-primeira ministra do Paquistão Benazir Bhutto, assassinada em 2007, e ela me falou do impacto que o nosso 11 de setembro teve nas forças progressistas paquistanesas neste momento, não apenas no Paquistão, mas também em toda a Ásia e no mundo inteiro.”

Os EUA como algozes

O governo norte-americano – que travava, então, uma guerra sem fronteiras contra o comunismo – viu no Chile o embrião de uma experiência com potencial para levantar uma verdadeira onda esquerdista na América Latina. A resposta de Washington veio por meio do então chefe do Departamento de Estado no governo de Richard Nixon, Henry Kissinger. “Não vejo porque temos de esperar e permitir que um país se torne comunista por causa da irresponsabilidade de seu próprio povo”, afirmou Kissinger.

Um dia depois do golpe no Chile, Kissinger conversou com Nixon sobre o ocorrido. “Há algo novo, que seja de importância?”, perguntou o presidente. “Nada grave. A coisa do Chile é questão de consolidação e, é claro, os jornais são sangue por todos os lados porque um governo pró-comunista foi derrubado”, respondeu Kissinger, antes de agregar: “no período de Eisenhower (presidente norte-americano que forjou a doutrina segundo a qual os EUA deveriam intervir em qualquer país do mundo que sofresse influência soviética) teríamos sido heróis.” Nixon, receoso, perguntou: “Bom, como você sabe, nossa mão não pode ser detectada neste caso”. E ouviu de seu braço direito: “Claro. Não há nenhuma dúvida disso. Eu me refiro ao fato de que nós os ajudamos (trecho ilegível) a criar as condições mais favoráveis possíveis”. Nixon encerra a conversa dizendo: “Muito bom. É o que deveria ter sido feito.”

Assista pequeno curta que relata didaticamente o 11 de setembro chileno

Mas Muñoz reconhece que o dramático golpe de 1973 também provocou inevitavelmente respostas positivas da sociedade. “O movimento global dos direitos humanos nasceu, em grande medida, em resposta ao 11 de setembro chileno. Hoje, acredito que a data lembra, além da dor da perda de vidas humanas e violações dos direitos humanos, a necessidade de conjugar mudanças sociais e consolidação da democracia”, disse.

A herança do 11/9

O Chile de hoje está construído sobre uma Constituição elaborada durante a ditadura, nos anos 1980. O país é democrático. A Carta, nem tanto. Ela “fossilizou” um sistema político binominal, como disse o jornal britânico Financial Times há uma semana. Só chegam a presidente os candidatos ligados aos dois grandes blocos políticos existentes hoje. De um lado, a Concertação – que governou o Chile por 20 anos, do fim da ditadura, em 1990, até o ano passado – de outro lado, a Coalizión por El Cambio, que em março de 2010 venceu as eleições, dando início ao primeiro governo de direita no Chile desde o fim do governo militar. E o primeiro de direita eleito democraticamente no país em 50 anos.

Para o chileno Claudio Fuentes Saavedra, PhD em Ciência Política pela Universidade da Carolina do Norte, a Constituição foi “um exercício de engenharia institucional elaborada em 1980, que transferiu a soberania popular a um corpo de representantes que, embora sejam eleitos, na prática, podem alterar as normas básicas de convivência nacional à margem de qualquer escrutínio cidadão”.

Prova disso é que o país amarga há quase quatro meses sua maior crise política desde a redemocratização. Milhares de estudantes pedem o fim do lucro na Educação e a melhoria da qualidade do ensino.

Apesar de ter o respaldo de 80% da população, estas propostas não avançam. A Constituição proíbe a realização de referendos, plebiscitos e outras consultas populares diretas, salvo sob condições bastante estritas, como um impasse entre o Executivo e o Legislativo. Assim, o país segue imobilizado. Mesmo com o governo tendo a aprovação de apenas 26% dos chilenos.

Além da Constituição, os reflexos concretos do 11 de Setembro chileno também são perceptíveis no sistema hiper privatizado. Não existe nenhuma possibilidade de que um trabalhador chileno possa aderir hoje a um sistema público de aposentadoria. A saúde também é esmagadoramente explorada por planos privados. E nenhum estudante tem direito a estudar em uma universidade pública gratuita, salvo se conseguir acesso a uma bolsa de estudo.

O país levou a extremos inimagináveis o liberalismo econômico, encarnado pela geração dos Chicago Boys, discípulos do Consenso de Washington que fizeram do Chile um tubo de ensaio para uma abertura econômica sem limites, ainda durante a ditadura.

O país tem crescido a uma taxa de 6% ao ano, mas é um dos mais desiguais da América Latina. De acordo com Julio Berdegué, doutor em Ciências Sociais e pesquisador do Centro Latino-Americano para o Desenvolvimento Rural, quatro famílias do país detém o equivalente ao salário de 80% da população. A principal delas é a do presidente Sebastián Piñera, dona de uma fortuna avaliada em US$ 2,4 bilhões.

Opera Mundi

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Comentários

  1. Rogério Postado em 11/Sep/2012 às 09:59

    Não creio que tenha sido vítimas do 11 de setembro de Bin Laden. Acho que foram vítimas de um trabalho interno planejado pela elite de dentro dos EUA.

    • Oseias Postado em 13/Sep/2013 às 02:57

      E lá vem a tal da "teoria da conspiração"

  2. Vanea Olmo Correa Postado em 11/Sep/2013 às 23:34

    Também acredito nesta hipotese, assim como fizeram em Pearl Harbor apenas para ter um motivo para testar a bomba atômica...mataram sem dó e sem piedade seus próprios cidadãos

    • Lucas Braga Postado em 26/Sep/2013 às 00:33

      Pearl Harbor tem nada com isso. Os japoneses atacaram para tentar intimidar a aproximação americana no pacifico, porem, como disse o próprio imperador japonês da época: tenho medo de ter acordado o gigante. #auladehistória #flw :)

  3. Arnaldo Tabosa Postado em 12/Sep/2013 às 03:45

    Os maiores terroristas da Terra estão no Estados Unidos! Bin Laden e Saddam eram aliados deles. Quando se rebelaram foram aniquilados assim como centenas de milhares de pessoas de vários povos em guerra ao redor do globo. Promovem a desgraça alheia vendendo armas e defendendo a "liberdade" deles fazerem o que querem !!! ,

  4. Charles Brasil Postado em 12/Sep/2013 às 13:24

    gosto dos textos do #pragmatismo, sempre leio. Mas não dá para cometer uma aberração desta nesse texto, vejam na linha 4, do segundo paragrafo: "data negra". Não dá para continuar associando tudo que não presta ao NEGRO, menos né. Vamos acabar com esse racismo! Fica meu registro de indignação

  5. Daniel Santana Postado em 11/Sep/2015 às 21:05

    Sabemos que os EUA financiarem um grupo radical no Afeganistão para lutar contra a invasão União Soviética. O mesmo grupo depois se tornaria a Al-Qaeda, que viriam a se tornar anti-americanos porque os Estados Unidos apoiaram Israel contra a Palestina e também a Arábia Saudita (país de Osama Bin Laden) aceitou ajuda dos "infiéis" americanos contra o Iraque, numa guerra que era de muçulmanos, quado estourou a guerra do golfo no Kuwait. Fora a presença do exército norte-americano na Arabia Saudita, território considerado sagrado pelos muçulmanos. Então a Al-Qaeda é efeito colateral das ações dos Estados Unidos, da mesma forma como a ISIS também o é. Não trata-se de teoria da conspiração, é história mesmo. Tudo que eu escrevi pode ser verificado.

  6. Rogério Bezerra Postado em 12/Sep/2015 às 00:21

    Para manter-se como "dono" do mundo, os americanos fazem, fizeram e continuarão a fazer qualquer coisa , qualquer coisa. Falar nisso.. Por favor, alguém pode informar onde estão os restos do "avião" que "caiu" no Pentágono?

  7. sidney Postado em 17/Sep/2015 às 16:30

    Se no Brasil existisse um conflito golpista, eu iria promover atentados contra a Globo e qualquer coisa que fosse americana. Pode crer. São umas merdas de gente. Ninguém é inocente neaquele país e na Globo são uns nojentos.

  8. sidney Postado em 17/Sep/2015 às 16:30

    Se no Brasil existisse um conflito golpista, eu iria promover atentados contra a Globo e qualquer coisa que fosse americana. Pode crer. São umas merdas de gente. Ninguém é inocente neaquele país e na Globo são uns nojentos.