Luis Soares
Colunista
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Política 08/Aug/2011 às 22:02
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Intransigência: Ateus são as pessoas mais odiadas do Brasil

Pesquisa da Fundação Perseu Abramo apurou que os ateus são as
pessoas mais detestadas no país, merecendo repulsa, ódio ou antipatia
de 42% da população. A Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos
(ATEA) tem realizado, com dificuldades financeiras e resistência por
parte de empresas de ônibus e de propaganda, uma campanha de divulgação
do ateísmo. A campanha visa “o reconhecimento dos descrentes na
sociedade como cidadãos plenos e dignos”, informa a Associação em sua
página na internet. Não se trata, como
caluniam
os fundamentalistas de todas as religiões, de uma campanha
para tornar ateus os crentes. 
Leia mais:
A Associação também dá as informações abaixo:
Na primeira semana de 2009, a British Humanist Association lançou a
primeira campanha publicitária do Reino Unido versando sobre ateísmo.
Foram 800 ônibus com o slogan “Deus provavelmente não existe. Agora
pare de se preocupar e viva sua vida
“. Em novembro de 2009, a American
Humanist Association
lançou uma ação semelhante. Campanha igual à
britânica está sendo veiculada em dois ônibus de Barcelona. Nos EUA, os
American Atheists veicularam um outdoor em Nova York celebrando a
razão. Quatro grandes organizações de ateus norte-americanas lançaram
em outdoors, ônibus, trens e em jornais e revistas a maior campanha de
divulgação ateia já veiculada, segundo a American Humanist Association.
No Canadá, o Centre for Inquiry está lançando a campanha “Alegações
extraordinárias requerem evidências extraordinárias”, inspirado na frase
de Carl Sagan. Na Austrália, a companhia local responsável pelos
anúncios em ônibus se recusou a expô-los. Na Itália, a campanha foi
proibida.
A atitude dos comunistas
Na Introdução à crítica da filosofia do Direito de Hegel,
onde Marx escreveu sua famosa classificação da religião como ópio do
povo, ele considera: “A miséria religiosa é, de um lado, a expressão da
miséria real e, de outro, o protesto contra ela. A religião é o soluço
da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, o espírito de
uma situação carente de espírito”. Por isso, os ateus esclarecidos não
fazem guerra à religião, mas denunciam seu caráter retrógrado e, contra
seus mitos, oferecem a alternativa da explicação científica dos fatos e
fenômenos que nos cercam. Engels, em 1874, qualificou de estupidez a
guerra à religião, pois tal atitude atrai o interesse para a religião,
podendo fortalecê-la. Para ele, só a luta de classe dos trabalhadores,
atraindo as camadas proletárias a uma prática social consciente e
revolucionaria, liberará as massas oprimidas do jugo da religião.
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É com base nessa visão que os marxistas, ao desenvolverem o
materialismo militante, o fazem em conexão com a luta pelo poder
político e pela construção de uma sociedade nova, sem exploração,
comunista, em que não teria sentido “o soluço da criatura oprimida”,
por já não existir a opressão. Lênin, ainda durante a luta
revolucionária na Rússia czarista, em 1909, esclareceu:
“Devemos lutar contra a religião. Isto é o ABC de todo materialismo
e, portanto, do marxismo. Porém o marxismo não é um materialismo que se
detenha no ABC. O marxismo vai mais além. Afirma: temos que saber
lutar contra a religião, e para isso é necessário explicar desde o
ponto de vista materialista as origens da fé e da religião entre as
massas. A luta contra a religião não pode limitar-se nem reduzir-se à
prédica ideológica abstrata; deve vincular esta luta à atividade prática
concreta do movimento de classes, que tende a eliminar as raízes
sociais da religião” (Atitude do partido operário diante da religião).
Adiante, o líder bolchevique considera: “Deve deduzir-se disto que o
folheto educativo antirreligioso é nocivo ou supérfluo? Não. Disto se
deduz outra coisa muito distinta. Deduz-se que a propaganda ateia da
social-democracia” (como se denominavam os comunistas, então) “deve
estar subordinada à sua tarefa fundamental: o desenvolvimento da luta
de classes das massas exploradas contra os exploradores”.
Os comunistas defendem que o Estado deve considerar a religião um
assunto privado. Lutam contra todos os preconceitos e discriminação de
cunho racista, preferência sexual, religioso etc. Neste et cetera está
também o preconceito contra os ateus, gravemente apontado pela pesquisa
da Fundação Perseu Abramo. E, consequentes na defesa do materialismo
dialético, levam adiante o debate com as concepções religiosas – sejam
ou não politicamente progressistas as pessoas que as apregoam. Explicar o
papel de classe que desempenham a Igreja e a religião e apoiar
entidades, governamentais ou não, que defendam o estado laico e
democrático é tarefa permanente enquanto vivermos neste vale de
lágrimas e opressão.


Autor: Carlos Pompe

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