Luis Soares
Colunista
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Política 21/Jul/2011 às 15:23
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Criança vítima de racismo recebe R$ 260 mil do Supermercado Extra

Funcionários do supermercado cometeram crime de racismo
O garoto negro T., de 10 anos, que acusa seguranças do Hipermercado Extra da Penha, na zona leste de São Paulo, de tê-lo chamado de “negrinho sujo e fedido” e de ter sido obrigado a tirar a roupa, foi indenizado em R$ 260 mil pela empresa. Os seguranças suspeitavam de furto. A criança não havia levado nada.
O caso ocorreu em 13 de janeiro. Segundo depoimento da criança no 10.º Distrito Policial (Penha), ele foi abordado por três seguranças e levado para uma “sala reservada” com outros dois garotos, de 12 e 13 anos. Após as ofensas raciais, um segurança “japonês” (com feições orientais) o ameaçou com uma “faquinha de cabo azul”, com um tubo de papelão – dizia que “era bom para bater” – e afirmou que ia “pegar um chicote”.
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O garoto foi obrigado a tirar a roupa e, só depois, os seguranças verificaram que T. levava nota fiscal de R$ 14,65, que comprovava a compra de dois pacotes de biscoito, dois pacotes de salgadinhos e um refrigerante. O documento foi anexado ao inquérito e é uma das principais provas contra os seguranças.

Apesar da indenização, o Grupo Pão de Açúcar afirma “não reconhecer” as alegações. Segundo o texto do acordo, a indenização foi concedida “por mera liberalidade e sem qualquer assunção de culpa nas esferas cível ou criminal”.

Com o acordo extrajudicial, a família de T. abre mão de representação por injúria racial. Mas os seguranças do supermercado ainda podem responder por crimes como constrangimento ilegal (por terem submetido a criança a tirar a roupa) e privação de liberdade (por manter menores dentro de sala reservada).

“A investigação criminal não pode parar. Nesse tipo de caso, as punições têm de ser exemplares. São crimes muito graves, que podem marcar a pessoa para a vida toda. Especialmente quando a vítima é uma criança”, disse o presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Ivan Seixas, que acompanhou o caso.

Os seguranças envolvidos, segundo a empresa, foram demitidos. O Grupo Pão de Açúcar ainda afirmou que “repudia qualquer ato discriminatório, pauta suas ações no respeito aos direitos humanos e esclarece que o assunto foi resolvido entre as partes”.

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No mês passado, os dois outros garotos envolvidos no caso compareceram ao 10.º Distrito Policial para denunciar o crime. Segundo o delegado Marcos Aníbal Andrade, responsável pelo caso, os depoimentos serão confrontados antes do indiciamento dos possíveis acusados. “As informações serão úteis para sabermos exatamente quais funcionários serão responsabilizados, uma vez que todas as supostas agressões teriam ocorrido em um mesmo momento, num mesmo local”, afirmou o delegado.

O Grupo Pão de Açúcar afirmou desconhecer “qualquer outra intimação” relacionada ao caso. A estimativa da Polícia Civil é de que o inquérito seja finalizado dentro de dois meses.

O Estado de S.Paulo

Comentários

  1. Prof. Adriano Sá Leres Postado em 16/Aug/2011 às 12:39

    Mesmo assim, algumas pessoas insistem em afirmar que o racismo não existe aqui, que vivemos numa ilha de democracia racial... Onde??? Aqui o racismo "não existe" publicamente, mas privadamente ele ocorre a todo vapor. Alguns racistas já trataram de adotar uma nova prática, discriminar uma pessoa, não mais por ela ser "negra", mas por ser homossexual, tipo alegam: Nada contra negro, mas contra homossexual sim, sendo assim, boa parte da sociedade encara como menor fervor o preconceito... Mas os dois tipos de discriminação devem ser abominados.

    Adriano Leres
    Twitter: @adrianoleres

  2. Laercio Martuchelli Postado em 18/Sep/2011 às 03:29

    Em nosso país o racismo é mais severo que em outras nações pois por aqui as pessoas não assumem sua cota racista. Perguntem a qualquer mulher se ela se consultaria com um ginecologista negro?
    Nossa sociedade é escravocrata. Todos querem ter uma empregada domestica. As escolas brasileiras não ensinam para a vida. Nas nossas universidades deveríamos ter cursos preparatórios para sobrevivermos sem escravizar o próximo, isto é, sem dependermos de empregadas domesticas, e nessa "nova" sociedade, todas as pessoas deveriam ter acesso a educação de qualidade, Daí então quem se habilitaria a ser empregada mau paga????

  3. Laercio Martuchelli Postado em 18/Sep/2011 às 03:42

    No Brasil não há racismo, desde que o negro esteja em seu devido lugar. O supermercado extra não é racista, desde que os negros trabalhem de empacotadores, caixas, fachineiros e etc. Pra ser gerente de caixa já tem que ser branquinha. Isso vale pra qualquer supermercado ou qualquer coisa nesse pais. Os negros devem ser porteiros e ascensoristas pros doutores branquinhos. Mas por aqui isso não é racismo.

  4. Iva Postado em 05/Apr/2012 às 07:28

    Caramba, estou horrorizada ao ler os artigos deste site, nao por causa do site mas pela baixa qualidade ética de nossa populaçao brasileira. Hoje vivo na Africa, mas durante minha infancia e juventude no Brasil fui parte da populaçao que nao teve amigos, nem vizinhos, nem colegas de escola negros, tirando um ou outro, é até uma ironia eu estar vivendo justamente aqui na Africa, mas acho que justamente pelo fato de nunca ter convivido com negros no Brasil, nao tinha noçao do grau de racismo no país. Infelizmente na escola vi muitos "brancos", em especial HOMENS fazendo comentarios de apologia ao racismo e à pedofilia. É muito triste ver que, pelo menos na MINHA vida, não vi mulheres destilando tanto veneno em questoes como estas mas homens nao pensavam duas vezes para defender tais absurdos.

  5. anderson Postado em 05/Jun/2012 às 14:45

    eu anderson oliveira foi vidima de rasimo no surpermecado o adivogado do surpermegado min chamou filhode urorangotango pq eu embalai compra dele ele ja mim chamou macaco.........eu moro mg carangola

  6. anderson Postado em 05/Jun/2012 às 14:49

    eu anderson oliveira foi vidima de rasimo no surpermecado o adivogado do surpermecado min chamou filhode urorangotango pq eu não enbleii compra dele ele ja mim chamou macaco.........eu moro mg carangola

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