Luis Soares
Colunista
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Política 21/Jul/2011 às 19:21
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Comprovada fraude em lista de adesões ao PSD de Kassab

O PSD ainda não nasceu, mas já vislumbra nascer irregular
Uma perícia grafotécnica contratada pelo jornal Folha de S. Paulo para analisar as listas de adesões ao PSD, em São Paulo e no Rio de Janeiro, constatou que parte das assinaturas supostamente colhidas entre a população seria falsificada. O novo partido, encabeçado pelo prefeito paulistano, Gilberto Kassab, precisa apresentar à Justiça Eleitoral cerca de 490 mil assinaturas até setembro, para que possa participar das eleições de 2012
De acordo com reportagem divulgada nesta quinta (21), o jornal teve acesso a cópias digitalizadas de três fichas de apoio ao PSD e em todas elas havaria fraudes. Segundo a perícia, as rubricas atribuídas a diversos eleitores teriam sido feitas, na verdade, por uma mesma pessoa. Em uma das fichas, de 10 assinaturas coletadas, cinco foram feitas pela mesma pessoa. No documento do Rio, há adesão atribuída a um eleitor que morreu. 
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Segundo o jornal, o PSD reconheceu a existência de “erros” na coleta de assinaturas. O ex-deputado Indio da Costa, coordenador do PSD no Rio, disse que faz uma “checagem primária” das assinaturas. Segundo ele, com esse procedimento, o partido já descartou 36 mil de cerca de 82 mil assinaturas coletadas, por ter identificado falhas.

“O que a gente pôde fazer antes de entregar a gente fez. Para que tudo fosse feito dentro da maior lisura possível.” Indio também disse que há possibilidade de que adversários tenham se infiltrado na coleta de assinaturas para dificultar a certificação.”Adversários, incomodados, podem estar agindo de má-fé para dificultar o trabalho”, afirmou o coordenador.

O laudo da perícia foi elaborado por Orlando Garcia, que, entre outros casos, foi perito oficial da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investigou as atividades de PC Farias, em 1992.

Na conclusão do laudo que conta com nove páginas ele afirma: “As listas de apoiamento ao PSD examinadas apresentam falsas assinaturas de eleitores, eis que, atribuídas a pessoas diversas, foram produzidas por mesmos punhos escritores”. No Rio, as fichas foram preenchidas no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Em São Paulo, na zona leste da capital.

Outros processos

A coleta de assinaturas do PSD já é investigada em Santa Catarina, Paraná, Amazonas e em São Paulo, por suspeita de irregularidades. Na capital paulista, surgiram denúncias de que a estrutura da Prefeitura foi usada para cooptar eleitores, e uma nova investigação foi aberta no último dia 14 de julho, a pedido da juíza eleitoral Adaísa Bernardi Halpern.

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Ela determinou a suspensão da certificação de assinaturas após encontrar divergências em listas apresentadas pelo PSD ao cartório de sua zona eleitoral, em Ermelino Matarazzo. Durante o processo de validação das assinaturas o cartório convocou eleitores que tinham os nomes citados nos documentos. De 18 pessoas ouvidas, nove disseram não ter assinado as fichas.

O funcionário público do Estado de São Paulo, Robinson Galvani, de 41 anos, e a autônoma Andreia Simonavicius estavam entre esses eleitores. “Cheguei lá [na Justiça Eleitoral], não era só a minha assinatura, minha família todinha estava lá: minha mãe, minha irmã e meu cunhado, todos com as assinaturas indevidas”, disse Galvani. “Aquela assinatura nem de mulher é. É uma falsificação grosseira”, disse Andreia.

Ricardo Vita Porto, advogado do DEM -partido que Kassab deixa para fundar o PSD-, disse que pedirá uma auditoria nas listas de apoio ao PSD. “Há relatos de que fraudes como as constatadas pela juíza de Ermelino Matarazzo também ocorreram em outras Zonas Eleitorais. Queremos que os eleitores sejam convocados”, disse o advogado do DEM.

Marcelo Toledo, advogado do PSD em São Paulo, afirmou que o processo de certificação das assinaturas existe exatamente para assegurar a autenticidade dos dados coletados por apoiadores: “Esse procedimento da Justiça Eleitoral foi criado para separar as assinaturas corretas dos erros e discrepâncias que podem ocorrer”.

Sobre a determinação da juíza de Ermelino Matarazzo, que suspendeu a certificação depois que eleitores negaram autoria de assinaturas nas listas, Toledo disse discordar: “Não cabia a ela paralisar um processo. É papel da Justiça aferir se a assinatura confere, com o registro dela”, disse. Ele estuda recorrer.

Folha & Vermelho

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