Luis Soares
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Política 25/Jul/2011 às 22:24
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Branco, loiro, limpinho e cheiroso: mídia não assume terrorismo de extrema-direita

Terrorismo não é terrorismo quando cometido pela direita?
Alguns jornais americanos e europeus mais apressados foram logo atribuindo à Al-Qaeda os atentados cometidos em Oslo, na Noruega, no qual morreram 92 pessoas e restam cinco desaparecidas. A razão invocada parecia evidente – seria em represália aos soldados noruegueses no Afganistão, à participação nos bombardeios líbios ou às caricaturas de Maomé.
Mas se enganaram. O autor dos atentados não usa turbante, nem se chama Mohamed ou Mustafá, nem tem barba, nem grita Alá é Grande e nem se suicidou como costumam fazer os kamikases islamitas.
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É um autêntico escandinavo, alto e magro como um manequim, de cabelos loiros, rosto branco longo, bem escanhoado e olhos azuis. Suas fotos estão hoje em todos os jornais, na televisão, na Internet e na memória dos pais que perderam seus filhos queridos.
Anders Behring Breivik, legítimo descendente dos vikings, é o que as mulheres chamariam de um homem bonito com cara de anjo, que qualquer pai deixaria sair de noite com sua filha.
Engano fatal. Anders Behring Breivik é um assassino, cruel, impiedoso, que, na ilha de Utoya, passou uma hora e meia descarregando seu fuzil-metralhadora nos jovens participantes de um acampamento promovido pelo Partido dos Trabalhadores e teria matado um número maior, se não fosse a chegada de policiais alertados por desesperados twiters.
Ex-membro de um partido nacionalista, da direita populista da Noruega, na verdade da extrema-direita. O Partido do Progresso, seu nome, reúne os defensores dos ideais conservadores e quer a proteção da Noruega contra a invasão dos imigrantes estrangeiros, coisa de 10% de trabalhadores, que deixaram seus países ensolarados para terem emprego e bom salário no frio mas rico país exportador de petróleo.
Anders Behring Breivik é nacionalista, defende os valores culturais e religiosos do cristianismo fundamentalista, é contra o Islã ou religião muçulmana, contra o multiculturalismo, contra a mestiçagem da sociedade ocidental, contra os imigrantes e contra o socialismo trabalhistas democrático que governa o país. Frequentou um clube de tiro ao alvo, donde sua precisão no massacre perpretado, tinha revólver e fuzil-metralhadora em casa e aprendeu a fazer bomba com adubo agrícola. Bombas, diga-se de passagem, mais potentes que as usadas pela Al-Qaeda.
 
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O bonito e angelical norueguês lembra um americano também capaz de colocar em prática seu ódio ideológico. Lembra Timothy McVeigh, do atentado também contra um prédio administrativo em Oklahoma City, no qual morreram 168 pessoas, em abril de 1965. Timothy era branco, jovem de 26 anos, e se sentia atraído pelas idéias extremistas dos neonazistas. E igualmente não se suicidou após o massacre cometido. Talvez se possa dizer que tanto Timothy como Anders sentiram-se satisfeitos por terem concluído seus projetos de ódio.
E se o autor dos atentados fosse islamita? Provavelmente, haveria uma represália e se responsabilizaria a coletividade muçulmana. Porém, como Anders é norueguês, militante de extrema-direita como provam seus escritos sob pseudônimo na Internet e seu plano de massacre datado de 2009, não haverá uma responsabilização do fundamentalismo cristão, nem da ideologia da extrema-direita, que cresce nos países escandinavos. Se não aparecerem cúmplices nos atentados, Anders será considerado simplesmente um louco solitário e ponto final.
Rui Martins Costa

Comentários

  1. Flavinho Postado em 26/Jul/2011 às 04:54

    É importante notar que a mídia nacional trata o terrorista apenas como "atirador". "Esquecem" de mencionar que ele é sionista, neonazista e fundamentalista cristão. Por que esconder isso? Se ele não fosse loiro, nem tivesse olhos claros e sua religião fosse o muçulmano, a mídia esqueceria de tratá-lo como terrorista? @Porra_Serra_

  2. Luis Soares Postado em 26/Jul/2011 às 12:37

    Nem numa tragédia dessa magnitude a imprensa alivia. Pelo contrário, opta pela desonestidade praticando o terrorismo da desinformação. E nessas horas não precisa ser muito atento para perceber que grande parcela dos preconceitos predominantes nas sociedades são estimulados pela grande mídia.

  3. by CLAUDIA FANAIA DORST Postado em 26/Jul/2011 às 15:20

    Será? Louco solitário ... é uma questão de uma pensamento IDEOLÓGICO!!! Pelo que ouvi na mídia e descreve no seu blog "Anders Behring Breivik é nacionalista, defende os valores culturais e religiosos do cristianismo fundamentalista, é contra o Islã ou religião muçulmana, contra o multiculturalismo, contra a mestiçagem da sociedade ocidental, contra os imigrantes e contra o socialismo trabalhistas democrático que governa o país." O partido que defende tem mais 25% dos votos no seu país ... É MUITO LOUCO...