Luis Soares
Colunista
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Política 10/May/2011 às 16:24
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Ricardo Teixeira acusado de pedir propina por votos em novo escândalo

Ricardo Teixeira manda e desmanda na CBF há mais de 20 anos
O ex-presidente da associação inglesa de futebol David Triesman acusou o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, e outros três dirigentes da Fifa de pedirem propina em troca de apoio à candidatura da Inglaterra para sediar a Copa de 2018.
A Inglaterra recebeu apenas dois dos 22 votos no processo de seleção, que acabou escolhendo a Rússia para sediar a Copa de 2018.
Triesman – que presidiu a federação inglesa de futebol (FA, em inglês) e o comitê da candidatura da Inglaterra no ano passado – disse que além de Teixeira outros três presidentes de federações de futebol também tentaram vender seus votos: Jack Warner (Concacaf, da América Central, América do Norte e Caribe), Nicolas Leoz (Conmebol, a confederação sul-americana) e Worawi Makudi (da federação da Tailândia). Todos eles são integrantes do comitê executivo da Fifa que escolheu a sede da Copa de 2018 e 2022.
Segundo o dirigente inglês, Ricardo Teixeira teria dito a ele: “Venha e me diga o que você tem para mim”. Triesman entende que Teixeira estava pedindo algo em retorno pelo seu voto.
Inquérito
Triesman disse que o comportamento dos dirigentes foi “abaixo do que seria eticamente aceitável”.
Ele depôs nesta terça-feira na Casa dos Comuns do Parlamento britânico, em um inquérito do comitê do departamento de Cultura, Mídia e Esporte do governo. O comitê quer entender por que a Inglaterra perdeu a disputa para sediar a Copa de 2018.
O dirigente inglês disse que deveria ter se manifestado sobre os pedidos de propina imediatamente. Mas ele insistiu que suas acusações não seriam ouvidas na época. Ele disse que temia que as revelações pudessem prejudicar a candidatura inglesa.
A Fifa manifestou-se imediatamente sobre as declarações. O presidente da entidade máxima do futebol, Sepp Blatter, prometeu que agirá imediatamente se houver qualquer indício de má conduta dos integrantes do seu comitê executivo.
“Eu fiquei chocado [ao saber]… mas é preciso que se veja as provas”, disse Blatter em Zurique, enfatizando que os membros do comitê executivo da Fifa não escolhidos pelo mesmo Congresso que o elege.
“Eles estão vindo de outras confederações, então não posso dizer se são todos anjos ou diabos. Há uma nova série de informações, nos deem tempo para digerir isso e começar uma investigação pedindo provas sobre o que foi dito. Nós vamos reagir imediatamente contra todos que violarem os códigos de conduta ética.”
Triesman acusa Jack Warner de pedir mais de US$ 4 milhões para construir um centro educativo em Trinidad e Tobago. O dinheiro passaria pelas mãos do próprio Warner. Além disso, ele teria pedido cerca de US$ 800 mil para poder adquirir os direitos de transmissão da Copa de 2018 no Haiti.
Em entrevista à rede britânica Sky News, Warner negou as acusações.
“Eu nunca pedi a Triesman ou a qualquer outra pessoa, seja ela inglesa ou não, qualquer dinheiro pelo meu voto na época”, disse Warner.
“Durante a campanha inglesa, antes de Triesman ter sido categoricamente eliminado, eu falei com ele sobre sua iniciativa em apenas três ocasiões, e falei com seus colegas em outras ocasiões, e nenhum deles jamais corroborará com essa peça de ficção.”
O presidente da Conmebol, o paraguaio Nicolas Leoz, teria pedido para ser condecorado como cavaleiro da coroa britânica, segundo David Triesman.
O presidente da federação da Tailândia, Worawi Makudi, foi acusado de pedir para receber os direitos de transmissão de um amistoso entre as seleções da Inglaterra e Tailândia.
Copa de 2022
Nesta terça-feira também surgiram acusações contra outros dois integrantes do comitê executivo da Fifa, que também teriam recebido mais de US$ 1,5 milhão para votar no Catar. O país acabou vencendo a disputa para sediar a Copa de 2022.
As acusações foram levantadas pelo parlamentar britânico Damian Collins. Ele disse que provas produzidas pelo jornal britânico Sunday Times serão publicadas pelo comitê. 
O jornal afirma que o vice-presidente da Fifa, Issa Hayatou, de Camarões, e o presidente da federação da Costa do Marfim, Jacques Anouma, estariam envolvidos neste caso. O Catar teria empregado um lobista para conseguir atrair os votos africanos.
No ano passado, dois integrantes do comitê de ética da Fifa foram suspensos após denúncias feitas pelo Sunday Times
BBC

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