Luis Soares
Colunista
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Política 05/May/2011 às 18:41
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Depois de bin Laden, China pode entrar na mira dos EUA como próxima inimiga

EUA tornou-se um país que não sobrevive sem inimigos
O assassinato de Osama bin Laden oferece aos Estados Unidos uma oportunidade de declarar o fim da Guerra ao Terrorismo. Sob o ponto de vista de muitos estadunidenses, um ajuste estratégico da política externa americana parece inevitável. Ao mesmo tempo, a mídia americana está repleta de análises de como reagir a uma emergente China. Essas perspectivas e análises implicam que a política estadunidense procurará, de agora em diante, minar o desenvolvimento que a China obteve durante décadas?

Por muito tempo, os chineses foram acometidos pelo mal da ansiedade, pois para eles, um dia, os Estados Unidos irão enfrentar a China. Esse medo tem sido infundado, pelo menos até agora. Na percepção de especialistas na China e no estrangeiro, a “guerra contra o terrorismo”, conduzida principalmente no mundo árabe, serviu para evitar que os EUA perturbasse a China na última década. Como os problemas continuam a se espalhar pelo Oriente Médio, os EUA parecem estar presos à essa situação por mais dez anos.

Esses pontos de vista, até certo ponto, são razoáveis mas exageram a situação. Para os Estados Unidos, as preocupações levantadas por aqueles estados autoritários do mundo árabe não são comparáveis aos avanços que percebe na China. Dado que o PIB chinês pode superar o dos EUA em 10 anos, isso pode se tornar o principal fator a ameaçar a hegemonia global americana.

Em um cenário de EUA contra a China, o confronto será a única opção? Para muitos especialistas em ambos os países a resposta é negativa. Para os EUA, parece racional para manter o status quo ao invés de provocar a China, desencadeando riscos que poderiam interferir negativamente nos próprios EUA.

Em um futuro próximo, os Estados Unidos deverão investir mais dinheiro e recursos na tentativa de conter o crescimento da China. Em contrapartida, a China tem bastante poder para prevenir o renascimento do tipo de confronto que os Estados Unidos fizeram contra a União Soviética. A ascensão pacífica da China pode ser perturbadora para os EUA, mas isso não tem estimulado a reformulação da sua política externa em relação ao o país mais populoso do mundo. Além disso, não é uma coincidência que o ritmo de crescimento da China fez diminuir os esforços dos EUA para conterem a China.

Uma abordagem feita com os pés no chão seria a de expandir ainda mais a vibrante cooperação sino-americana, que é um processo poderoso o suficiente para dirimir qualquer paranoia levantada pela extrema-direita nos EUA. Conflitos esporádicos entre os dois países podem ser inevitáveis, mas uma deterioração corrosiva das relações bilaterais poderiam ser catastróficas para ambos os países.

Nenhuma força externa pode parar a ascensão da China. O que a China precisa é de confiança na manutenção de seu rápido crescimento. Uma China confiante pode prevenir e evitar que uma pequena disputa com os Estados Unidos se transforme em uma crise sem precedentes na história entre os dois países.

Sem dúvida, os Estados Unidos são uma superpotência onipresente. A ascensão da China certamente causará atritos com os EUA e isso exige que prevaleça uma mentalidade pacífica e distensionada dos dois lados. O ex-secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, observou certa vez que, se os EUA tratarem a China como um inimigo, a China será um inimigo. Dito de outro modo, do ponto de vista chinês: Se a China tratar os EUA como um inimigo, os EUA serão um inimigo.

Global Times

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