Luis Soares
Colunista
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Política 23/Mar/2011 às 19:09
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O mundo do faz-de-conta

Sobre Líbia, Obama, favelas e a guerra da informação
1) Em algumas favelas do Rio existem traficantes. Eles cometem crimes. As corporações de mídia ampliam e constroem a imagem de demônios que devem ser extirpados. Quando são mortos por outros traficantes, ninguém chora. Quando são mortos por policiais, ouvem-se aplausos na cidade. Vez por outra morre alguém que não tem nada a ver com a história. Dano colateral. Danem-se os pobres, vira pro futebol.
1.1) Na Líbia existe um ditador – descoberto com 40 anos de atraso, diga-se. Ele comete crimes. As corporações de mídia ampliam e o fazem virar um demônio que merece ser queimado vivo. Bombas são jogadas em todo o país, inocentes morrem, culpados também morrem. O país ficará melhor agora? Como anda o Iraque, onde também havia um ditador-demonizado-enforcado?
2) Lula tem razão quando diz ser hilariante a oposição a Dilma. A direita e sua mídia querem dizer que ela é melhor que ele, e para isso brigam com os fatos, além de esquecerem que se trata de um governo de continuidade. Um único exemplo: dizem que com Lula existia uma diplomacia companheira complacente com violações de direitos humanos. Uma diplomacia que se abstinha quando as potências ocidentais queriam invadir algum país por motivo duvidoso, como a utilização da energia nuclear para fins pacíficos. E agora, frente à questão da Líbia, o que fez o Brasil: absteve-se na ONU e, em nota divulgada pelo Itamaraty segunda-feira (21), pediu o “cessar-fogo efetivo no mais breve prazo possível”.
3) Entre os muitos significados e resultados da visita de Obama ao Brasil, um deles é particularmente interessante. Aqueles governantes que gostam de mandar matar gente pobre nas favelas – quando falam em “período de estresse” ou estultice que o valha – baixaram a cabeça e obedeceram as ordens inaceitáveis de um país estrangeiro em solo nacional. Aceitaram não poder caminhar ao lado de Obama na visita ao Cristo ou à favela eleita. Faz todo o sentido. Para quem opera pela lógica da opressão, tanto faz oprimir quanto ser oprimido.
Marcelo Salles

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