Luis Soares
Colunista
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Política 11/Jan/2011 às 14:24
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Itália se nega a extraditar ex-capitão da ditadura uruguaia

Berlusconi quer Battisti, mas diz não à extradição de torturador
O governo italiano, tão empenhado na extradição de Cesare Battisti, adota postura diferente no caso do uruguaio Jorge Troccoli.
Capitão da marinha uruguaia, Troccoli teve uma atuação bastante ativa na tristemente famosa “Operação Condor” (que contou com a participação das ditaduras militares do Uruguai e de outros países sul-americanos), tendo sido responsável pela tortura e morte de mais de uma centena de opositores desses regimes, entre 1975 e 1983. Em 2002, o governo do Sr. Silvio Berlusconi – em sua segunda passagem pela chefia do gabinete de ministros da Itália – concedeu cidadania italiana ao Capitão Troccoli, mesmo sabendo das acusações de crime contra a humanidade que pesavam contra ele.

Em setembro do ano passado, o ministro da justiça da Itália, Angelino Alfano, negou-se à extraditar Troccoli para o Uruguai, alegando que ele é cidadão italiano, tomando como base jurídica um tratado assinado entre os dois países em 1879. Portanto, o mesmo governo que nega-se a extraditar um notório torturador, utilizando dessas filigranas jurídicas, é o mesmo que se considera ofendido pela não-extradição de Battisti, que seguiu todas as normas da legislação brasileira, que por sua vez se baseia em uma série de convenções internacionais.

“O curioso é que o governo de Berlusconi negou a extradição de Troccoli para o Uruguai, alegando dupla cidadania”, comentou o editor da página Gramsci e o Brasil, Luiz Sérgio Henriques. Henriques argumenta que o caso Troccoli tem “muitas semelhanças” com o de Battisti: “não faltaram pressões diplomáticas do governo uruguaio, recursos às instâncias do Judiciário italiano, etc.”, e conclui: “mas o governo de Berlusconi parece irredutível na sua decisão sobre Troccoli, ‘o Battisti uruguaio’, no dizer do jornal L’Unità. E se trata de um episódio recente, cujas escaramuças diplomáticas e judiciárias mais dramáticas ocorreram em 2008”.

Vermelho & Agências

Comentários

  1. Tomas Postado em 11/Jan/2011 às 15:28

    A operação Condor contou com a prestimosa colaboração de italianos ligados à operação Gladio (responsável por dezenas de assassinatos políticos na Itália durante os anos de chumbo) e da loja maçônica P2, à qual pertenceu o Silvio Burlesconi.

    É tudo uma ação entre amigos.

  2. Jean E. Martina Postado em 14/Jan/2011 às 09:52

    Invertendo a pergunta: O Brasil estraditaria um cidadão brasileiro nestas mesmas circustâncias? A diferença com o caso Battisti é muito simples aqui: "O Brasil não tem nada a ver coma história"

  3. Washington Guimarães - ワシントン ギマランエス Postado em 12/Jun/2011 às 22:33

    Jean, em nenhuma hipótese o Brasil estraditaria um cidadão brasileiro, nato ou naturalizado. Conheço o caso de um padre brasileiro que cometeu um assassinato em Portugal e fugiu para o Brasil. Ele também tem dupla cidadania mas não foi estraditado para Portugal. O mesmo se aplica a esse senhor (e provável torturador) Jorge Troccoli. Mas Battisti NÃO É cidadão brasileiro.
    Tá mais do que na cara que essa história toda é afinidade ideológica.

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