Luis Soares
Colunista
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Política 16/Dec/2010 às 21:57
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PT monta estratégia em torno do PMDB para garantir a Câmara

O PT começou a traçar a estratégia para levar adiante a candidatura do deputado Marco Maia (RS) a presidente da Câmara no primeiro biênio do governo da presidente eleita, Dilma Rousseff. O foco inicial será garantir o maior parceiro, o PMDB, fechado com o PT, e iniciar um cerco junto aos ministros, presidentes e principais lideranças dos partidos da base aliada no sentido de evitar as dissidências que devem aparecer.
O receio é de que a derrota do líder do governo, Cândido Vaccarezza (SP), facilite o surgimento de uma candidatura adversária de peso. Um grupo de cerca de 20 deputados do PMDB que não se consideram aliados do líder Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) – alguns ligados ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL) – já havia informado minutos após a vitória do gaúcho de que não tinha compromisso com o acordo assinado pelos presidentes do PT, José Eduardo Dutra, e do PMDB, Michel Temer, de realizar um rodízio na presidência da Câmara durante o governo Dilma. Já os partidos considerados à esquerda já articulavam uma candidatura de alguém de seu grupo, como Aldo Rebelo (PCdoB-SP) ou Júlio Delgado (PSB-MG).

Por essa razão, a estratégia inicial será de fora para dentro, convocando os ministros nomeados por Dilma e os presidentes dos seus partidos para também conversar com os deputados da base. Depois, começa o convencimento interno, por meio de líderes e, finalmente, em particular com os deputados, para quem serão oferecidas relatorias de projetos importantes em 2011 em troca de apoio.

Ocorre que, assim como na eleição de anteontem, que dividiu o PT, ontem cada grupo fazia sua leitura tanto da eleição da véspera quanto a estratégia a ser seguida.

Os apoiadores de Maia diziam que sua vitória dificulta o surgimento de uma candidatura adversária, uma vez que seu perfil é de “diálogo e serenidade”. Também corriam em rejeitar que o resultado era uma resposta às insatisfações com a falta de espaço de correntes internas na composição do governo Dilma. “Esse processo é anterior à formação do ministério. Começou lá atrás e tinha a intenção de oxigenar o processo interno de decisão da bancada”, afirmou o deputado Maurício Rands (PE), integrante da corrente majoritária Construindo Um Novo Brasil (CNB) e um dos articuladores da candidatura de Maia. Para ele, a “tese” a ser ofertada nas conversas com os partidos é o respeito à proporcionalidade das legendas.

No entanto, o grupo da CNB que apoiava Vaccarezza partiu para o ataque e desenhava as retaliações aos vencedores, que contaram com o apoio da segunda maior corrente da sigla, Mensagem ao Partido, e da terceira, Movimento PT.

Eles pretendem fazer dos apoiadores de Vaccarezza um grupo “puro sangue” com 38 deputados da CNB para disputar os espaços da Casa no próximo ano e avaliavam obter sucesso com isso, já que os apoiadores de Maia, que somam pouco mais de 40, são fragmentados entre todas as tendências do partido. Todos também eram uníssonos em afirmar que as circunstâncias da transição e as insatisfações dela decorrentes impuseram a derrota a seu candidato.

Os “puro sangue” já buscavam um emissário para falar com o deputado Paulo Teixeira (SP), integrante da Mensagem e eleito líder da bancada em 2011. Das prováveis três comissões que o partido deve ter direito, planejam ficar com duas. O grupo teve conversas preliminares já na noite da derrota, quando se reuniram na residência de Vaccarezza. Dutra esteve presente, mas calado. Cogitou-se convidar Maia, mas Vaccarezza não permitiu.

É bem provável que seu grupo fique agora com a liderança do governo, cargo que pode ser ocupado pelo deputado João Paulo Cunha (SP). Vaccarezza pode ser reconduzido ao cargo, embora seu nome já seja defendido para ocupar o Ministério de Relações Institucionais no lugar de Alexandre Padilha, que assim, iria para a Saúde.

Valor Economico

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