Luis Soares
Colunista
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Política 28/Dec/2010 às 18:29
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Nordestinos vivem clima de otimismo após era Lula

Francisco de Souza deixou São Paulo e voltou para o Ceará
Região onde nasceu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Nordeste experimentou durante os oito anos de seu mandato uma melhoria nas condições de vida de seus habitantes e vê antigos migrantes voltando para casa, embora a pobreza ainda seja uma realidade para muitos.
Depois de morar em São Paulo por 17 anos, fugindo da pobreza extrema, o empresário Francisco de Souza voltou para sua cidade natal de Tianguá, no Ceará.
“Quando eu fui para São Paulo, eu nem tinha sapatos para calçar”, ele lembra. “Agora estou de volta para casa como dono de três casas, com meu carro, com dinheiro para começar um pequeno negócio e com uma bela família”.
Ele vê semelhança entre a sua trajetória e a do presidente. “Nós dois começamos sem nada e conseguimos muito nas nossas vidas”, afirma.
Souza afirma que seu plano sempre foi voltar a Tianguá. Ele pretende abrir a primeira loja de suplementos alimentares para atletas em sua cidade.
Shopping em Garanhuns
Já a cidade de Garanhuns, em Pernambuco, de onde a família de Lula saiu nos anos 1950 devido à falta de oportunidades, está prestes a ganhar o seu primeiro shopping center.
“O novo shopping é a prova de que a nossa região está se desenvolvendo e que investidores acreditam que o crescimento econômico veio para ficar”, afirma o secretário de Desenvolvimento de Garanhuns, Ornilo Lundgren Filho.
Na feira de Garanhuns, onde agricultores e moradores se reúnem todo sábado para fazer negócios e conversar, o clima é de otimismo.
“Eu tenho 66 anos e lhe digo que o governo de Lula é o melhor que eu vi na vida, e eu não digo isto só porque nós somos da mesma cidade. Houve mudanças em todo o país”, diz Luis Silva, natural de Caetés (PE).
Caetés era um distrito de Garanhuns quando Lula nasceu, mas ganhou sua emancipação anos depois. Hoje, as duas cidades reivindicam o título de cidade-natal do presidente.
Aldeia sem luz
Apesar do otimismo na região, a realidade é mais dura em uma comunidade indígena xucuru, distante apenas duas horas de carro de Garanhuns. Lá, 50 famílias vivem em um local que não tem energia elétrica, embora linhas de transmissão passem por cima da aldeia.
Quase todos os adultos na localidade são analfabetos, e a única escola da aldeia foi inaugurada há dois anos, por um grupo de missionários.

“Nós nem sabíamos que essas pessoas estavam ali até que fomos alertados pelos missionários”, afirma o engenheiro Humberto Pessoa, responsável por conectar as comunidades locais à rede elétrica, dentro do programa federal Luz Para Todos.

“Quando a luz chegar aqui, será o primeiro sinal de presença do Estado nesta comunidade”, diz Pessoa.
BBC Nordeste

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