Luis Soares
Colunista
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Política 07/Dec/2010 às 19:43
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Composição ministerial do governo Dilma: quase lá

O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel deve ser o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do governo Dilma Rousseff. Amigo de Dilma desde a juventude e um dos principais coordenadores da campanha da presidente eleita, Pimentel foi candidato ao Senado por Minas Gerais. Pimentel queria concorrer ao governo, mas abriu mão da vaga em apoio à candidatura de Hélio Costa (PMDB-MG)
Dilma também escolheu mais dois ministros — ambos da chamada cota partidária. Em reuniões na Granja do Torto, nesta segunda-feira (6), a presidente eleita indicou o senador Alfredo Nascimento (PR-AM) para os Transportes e o deputado Mário Negromonte (PP-BA) para o Ministério das Cidades.

A indicação de Negromonte foi consensual no PP — e ele até contou com o apoio do governador Jaques Wagner (PT-BA), que se empenhou pessoalmente para garantir a vaga do deputado baiano. A princípio, setores do PP insistiam na manutenção do atual ministro, Márcio Fortes de Almeida, que conta com a simpatia da presidente eleita.

Já a indicação de Nascimento praticamente definiu Eduardo Braga (PMDB), senador eleito pelo Amazonas como ministro da Previdência. Apesar das restrições do PMDB à pasta — cujo orçamento é majoritariamente vinculado ao pagamento de aposentadorias e pensões —, a cúpula do partido decidiu aceitar a oferta e indicar o ex-governador para o cargo.

É o terceiro ministério acertado entre o PMDB e Dilma Rousseff . No xadrez ministerial, o PMDB ficará com as pastas de Minas Energia, sob o comando do senador Edison Lobão (MA), e da Agricultura, que continuará nas mãos de Wagner Rossi. O Ministério do Turismo também poderá ficar com o PMDB.

PSB

O PSB também faz as últimas tratativas com os interlocutores de Dilma para definir quais ministérios vai ocupar. A secretaria de Portos provavelmente continuará nas mãos do PSB — mas com a nomeação do deputado Márcio França (SP), para o cargo. Hoje, a secretaria é comandada por Pedro Brito, ligado ao deputado federal e ex-ministro Ciro Gomes.

Além da secretaria de Portos, o PSB deverá chefiar outros dois ministérios no governo de Dilma: o da Integração Nacional e o da Micro e Pequena Empresa, que ainda será criado. Ciro poderá vir a ocupar a presidência de uma estatal. O Banco do Nordeste do Brasil (BNB) é uma das opções. Ciro já foi cogitado para ocupar a presidência do BNDES, mas o banco continuará a ser dirigido por Luciano Coutinho.

O presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, está em Brasília para acertar os últimos detalhes da participação do partido no futuro governo. O nome do ex-prefeito de Petrolina Fernando Bezerra Coelho é praticamente certo para comandar a Integração Nacional.

Para ao Ministério da Micro e Pequena Empresa o nome mais cotado é o do senador Antonio Carlos Valadares (SE). Caso sua escolha seja concretizada, o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, assuma uma cadeira no Senado — ele é o primeiro suplente de Valadares. O nome de Márcio França, presidente do PSB em São Paulo, tem o apoio da bancada na Câmara e no Senado.

Saúde

Um dos impasses da equipe ministerial de Dilma é o titular da Saúde. A presidente eleita examina o nome do sanitarista Gonzalo Vecina Neto, que é superintendente corporativo do Hospital Sírio-Libanês e foi secretário de Saúde da Prefeitura de São Paulo na gestão de Marta Suplicy, entre 2003 e 2004.

Dilma já avisou aos aliados que o indicado para a Saúde sairá de sua cota pessoal. Isso significa que pretende escolher um nome de peso na área médica, sem levar em conta vínculos com o PMDB, que hoje controla a pasta, ou qualquer outra legenda. Professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, Vecina Neto presidiu a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no governo Fernando Henrique Cardoso. Ele foi ainda secretário nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde de agosto de 1998 a abril de 1999. Tem o perfil que Dilma quer para o ministério.

Na semana passada, Dilma desautorizou o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), depois que ele anunciou Sérgio Côrtes para o cargo. Cabral acabou por pedir desculpas a Dilma e disse que se precipitara ao falar que seu secretário fora convidado.

Aeroportos

A assessores, Dilma também comunicou que, além de decidir manter o ministro Nelson Jobim no comando da Defesa, vai mesmo criar uma secretaria especial só para cuidar da infraestrutura dos aeroportos e da aviação civil. Na tarde desta segunda-feira, na reunião do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), Jobim confirmou o projeto aos membros do órgão. Será uma Secretaria Especial de Aviação Civil ligada à Presidência da República.

A secretaria especial vai abrigar a Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), a Secretaria de Aviação Civil (SAC) e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Já o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) continua vinculado ao Comando da Aeronáutica, embora trabalhe em coordenação constante com os demais órgãos ligados à aviação civil. No Brasil, o controle do espaço aéreo e a vigilância das aeronaves civis e militares são operações a cargo da Força Aérea Brasileira (FAB). Os controladores são civis e militares.

Dilma quer monitorar mais de perto a administração e os investimentos nos aeroportos tendo em vista os grandes acontecimentos esportivos agendados para os próximos anos. Há uma preocupação do governo com o gargalo operacional dos aeroportos diante da demanda provocada pela Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. 

Vermelho & Agências

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