Luis Soares
Colunista
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Política 01/Dec/2010 às 14:45
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Caveirão pode ter sido usado em fuga de chefões do CV

A Corregedoria da Polícia Militar está investigando os policiais lotados no 16º BPM (Olaria) que estavam de serviço no blindado da unidade – popularmente conhecido como “caveirão” – no último domingo. Do início da noite do dia 28 de novembro até às 5h da manhã do dia seguinte, o veículo foi flagrado realizando viagens do Complexo do Alemão, na Penha, na Zona Norte do Rio, até o Morro do Chapadão, na Pavuna, também na Zona Norte.
Como os PMs não tinham autorização para percorrer esse trajeto e as viagens foram feitas de forma consecutiva, há a desconfiança de que eles estivessem transportando criminosos ligados ao Comando Vermelho (CV) que controlam a venda de drogas na região para o morro vizinho, que pertence à mesma facção.
Caso seja comprovado que eles auxiliaram na fuga de bandidos, como os dois traficantes mais procurados atualmente no Estado do Rio – Fabiano Atanásio da Silva, o FB, 33 anos, e Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, 31 – todos podem ser expulsos da corporação.
Esta não é a única investigação contra policiais envolvidos na megaoperação que tem sido realizada no Complexo do Alemão – que possui acessos pelos bairros Penha, Bonsucesso, Ramos, Olaria e Inhaúma e é composto pelos morros do Alemão, da Baiana, do Adeus e dos Mineiros e pelas favelas Vila Cruzeiro, Alvorada, Matinha, Nova Brasília, Pedra do Sapo, Palmeiras, Fazendinha, Grota, Chatuba, Areal e Chuveirinho.
Além de facilitação de fuga, há denúncias – não só contra PMs, mas também contra policiais civis e até mesmo federais – de que muitos estariam saqueando casas de traficantes e também de trabalhadores que moram na região.
“O Complexo do Alemão está sendo chamado de “Serra Pelada”. Tem colega pegando até porta de alumínio de imóvel. Na casa do traficante Gão, tentaram carregar uma televisão de LCD. A maioria de nós se envergonha dessas cenas”, revelou um policial que pediu para não ter sua identidade publicada.
A assessoria da PM informou que foi instalado um posto da Corregedoria da corporação na sede do 16º BPM, que fica no número 769 da Rua Paranapanema, em Olaria, para registrar todas as denúncias. Ainda segundo a PM, todas as informações serão apuradas com rigor.
“Informamos também que a PM não coaduna com nenhum tipo de desvio de conduta”, ressalta a nota.
O coronel Ronaldo Menezes, corregedor geral da PMERJ, revelou que, de sexta-feira, dia 26 de novembro, até a noite desta segunda-feira, dia 29, 13 denúncias.
“As denúncias envolvem não só integrantes da Polícia Militar, mas também de outras instituições”, declarou o oficial, que também contou que todas as reclamações estão sendo verificadas.
“Haverá instauração de Inquérito Policial Militar (IPM) caso seja constatado algum crime”, garantiu, disponbilizando também o e-mail [email protected]
Já a Secretaria de Estado de Segurança Pública garantiu que a Corregedoria Geral Unificada foi acionada e que há equipes checando denúncias na região. Além disso, a Ouvidoria de Polícia está se mobilizando para criar um núcleo de atendimento à população no Complexo do Alemão.
“Casos mais graves que sejam confirmados serão tratados pelo secretário Beltrame junto ao comandante geral da PM e ao chefe de Polícia Civil”, diz a Secretaria de Segurança Pública.
Quem preferir ligar diretamente para a Ouvidoria das Polícias pode usar os telefones: 3399-1199 ou 2242-5355. O Disque-Denúncia também está recebendo e repassando as informações para os órgãos responsáveis. O número é 2253-1177 e não é preciso se identificar.

Comentários

  1. dbacellar Postado em 02/Dec/2010 às 23:58

    Puxa, eles podem "ser expulsos da corporação"! Devem estar com muito medo! Vão parar de receber o salário miserável que o Cabral paga e passarão a receber apenas os polpudos salários que os traficantes garantem. Isso sem falar no prêmio extra pela servicinho de transporte. Provavelmente vão comprar vans e tornar-se 'transportadores alternativos', de vez.

    Quando vão parar de dar tapinhas na mão dos criminosos que compõem a polícia militar do Rio, na sua maioria? Quando vão acabar com as colônias de férias chamadas 'presídios militares' e passar a prender os policiais junto a seus congêneres, em presídios? Quando cometem crimes, deixam de ser policiais militares (ou ao menos deveriam ser automaticamente expulsos, como procedimento iniicial, não como 'pena máxima') e ser presos com os outros criminosos.