Luis Soares
Colunista
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Política 26/Nov/2010 às 18:38
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Nota do Observatório de Favelas sobre acontecimentos no Rio

Em virtude dos últimos acontecimentos na região metropolitana do Rio de Janeiro, o Observatório de Favelas repudia todo e qualquer ato de violência, seja ele oriundo das organizações criminosas ou de instituições do Estado. Consideramos um retrocesso na política de segurança pública uma retomada da intervenção policial pautada pela lógica do confronto e pelo discurso da “guerra”. Diante do quadro atual, é fundamental que a polícia atue priorizando a inteligência, a estratégia e, sobretudo, a valorização da vida de toda a população, sem exceção.

A sensação de insegurança generalizada tem provocado um clamor, por parte de diversos setores sociais, por intervenções duras das forças policiais. Parte da população espera inclusive que a polícia entre nas favelas para matar. O risco que corremos diante desse quadro é o da legitimação social de práticas como o uso abusivo da força, execuções sumárias e outras formas de violações de direitos.

O número de mortes registrado nos últimos dias e o uso ostensivo de equipamentos bélicos aponta para um panorama extremamente preocupante. A letalidade não pode de forma alguma ser apresentada como critério de eficiência da atuação policial, nem como “dano colateral” de uma operação. Nada justifica a perda de vidas em uma intervenção do Estado. Não podemos ver a repetição de ações como a ocorrida em junho de 2007, na operação que ficou conhecida como “Chacina do Alemão”. Na ocasião, 19 pessoas morreram, muitas com indícios de execuções sumárias.

Em um momento como este, os moradores das áreas atingidas pela atuação das forças de segurança sofrem uma série de violações de direitos. Têm cerceados direitos fundamentais como o de ir e vir e o acesso às escolas, por exemplo. .

É imprescindível que a ação do Estado tenha como foco a garantia da segurança e a proteção da vida dos moradores de todas as áreas da cidade. Infelizmente, o que presenciamos é que os efeitos da violência atingem de forma mais contundente a população que reside nas áreas mais pobres da cidade, o que tem sido um traço histórico das operações policiais realizadas no Rio de Janeiro. E isso tem que acabar.

Comentários

  1. Joel Bueno Postado em 26/Nov/2010 às 19:02

    Quantas pessoas morreram na invasão da Vila Cruzeiro? O que a polícia fez foi agir "priorizando a inteligência, a estratégia e, sobretudo, a valorização da vida de toda a população, sem exceção".
    Os direitos fundamentais do povo que vive no Complexo do Alemão vêm sendo cerceados há muito tempo, pelos traficantes. Não vi manifestação do Observatório de Favelas a respeito, mas dou o benefício da dúvida. Acontece que, NESTE MOMENTO, os criminosos estão proibindo os moradores de sair, para que possam ter reféns em uma possível ação policial. O Observatório de Favelas, pelo visto, acha normal, já que se cala.
    A "população que reside nas áreas mais pobres da cidade" está recebendo polícia e exército com aplausos. Nessas áreas, o terror que hoje atinge toda a cidade é cotidiano.
    O Rio vai deixar de ser uma "cidade partida" quanto não houver mais territórios controlados pelo crime. Não é uma luta fácil. Os cidadãos mais expostos à violência não precisam de quintas colunas.

  2. dbacellar Postado em 27/Nov/2010 às 03:56

    E quando acabar a ocupação, o que exatamente será feito para impedir que as favelas voltem à mão dos traficantes? Se não houver - imediatamente - um investimento que poderá chegar à casa dos bilhões de reais, toda esta mostra do 'poder do estado', como tantas outras, terá sido inútil. Muitas mortes, várias de alegados traficantes, muito prejuízo material e humano, para nada. O fato do exército ser aplaudido é bom, mas não tem maior significado, se depois eles virarem as costas e deixarem tudo como estava, apenas um pouco pior.

  3. Dirceu Barquette Postado em 27/Nov/2010 às 11:38

    O que o Observatório de Favelas sugere nesse difícil momento?

  4. Anonymous Postado em 27/Nov/2010 às 14:13

    Vc já fumou maconha, cheirou coca, fumou crack?
    Então vc é co-responsável. Não existe venda sem demanda.
    Fica fácil pousar de bonzinho aqui. Execução sumária aocntece todo dia no morro, por ordem dos traficantes. Ver filho, pai, marido ser morto pq simplesmente não vão com a cara dele... isso sim é que dói, preocupa. Bandido morrendo... um a menos.

  5. Anonymous Postado em 27/Nov/2010 às 14:33

    A população da áreas beneficiadas com a retomada do Poder Público e implantação das UPPs, ao contrário do que o texto sugere, tem aprovado a ação do Estado. Durante à ocupação da Vila Cruzeiro, a população tem, inclusive, oferecido auxílio à tropa do BOPE, com água, suco e sanduiche. Não parece a postura de alguém que é contrário ao que está acontecendo.

    O Observatório de Favelas parece ser mais uma daquelas ONGs que cuidam dos direitos humanos. Pelo menos quando se trata dos direitos da bandidagem.

  6. Anonymous Postado em 28/Nov/2010 às 19:22

    Com relação a opinião do Observatorio das favelas, acho que ela esta focada na proteção dos traficantes....que vergonha!!!