Redação Pragmatismo
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Racismo não 19/Nov/2010 às 21:33
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Consciência Negra: o que é e como usar?

Consciência Negra não é racismo ou complexo de inferioridade e, sim, um anseio legitimo de expansão e crescimento. Não é separatismo, segregacionismo, ressentimento, ódio ou desprezo pelos outros grupos que constituem a Nação brasileira

Quando te disserem que você quer dividir o Brasil em “pretos” e “brancos”, mostre que essa divisão sempre existiu. Se insistirem na acusação, mostre que, neste país, 125 anos após a Abolição, em todas as instâncias, o Poder é sempre branco. E que até mesmo como técnicos de futebol ou carnavalescos de escolas de samba, os negros só aparecem como exceção.

consciência negra

Consciência Negra somos nós, em nossa real dimensão de seres humanos, sabendo o que somos, de onde viemos e para onde vamos.

Quando, ainda batendo nessa tecla, te disserem que o Brasil é um país mestiço, concorde. Mas ressalve que essa mestiçagem só ocorre, com naturalidade, na base da pirâmide social, e nunca nas altas esferas do Poder. E que o argumento da “mestiçagem brasileira” tem legitimado a expropriação de muitas das criações do povo negro, do samba ao candomblé.

Quando te jogarem na cara a afirmação de que a África também teve escravidão, ensine a eles a diferença entre “servidão” e “cativeiro”. Mostre que a escravidão tradicional africana tinha as mesmas características da instituição em outras partes do mundo, principalmente numa época em que essa era a forma usual de exploração da força de trabalho. Lembre que, no escravismo tradicional africano, que separava os mais poderosos dos que nasciam sem poder, o bom escravo podia casar na família do seu senhor, e até tornar-se herdeiro.

E assim, se, por exemplo, no século XVII, Zumbi dos Palmares teve escravos, como parece certo, foi exatamente dentro desse contexto histórico e social. Diga, mais, a eles que, na África, foram primeiro levantinos e, depois, europeus que transformaram a escravidão em um negócio de altas proporções. Chegando, os europeus, ao ponto de fomentarem guerras para, com isso, fazerem mais cativos e lucrarem com a venda de armas e seres humanos.

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Diga, ainda, na cara deles que, embora africanos também tenham vendido africanos como escravos, a África não ganhou nada com o escravismo, muito pelo contrário. Mas a Europa, esta sim, deu o seu grande salto, assumindo o protagonismo mundial, graças ao capital que acumulou coma escravidão africana. Da mesma que forma que a Ásia Menor, com o tráfico pelo Oceano Índico, desde tempos remotos.

Quando te enervarem dizendo que “movimento negro” é imitação de americano, esclareça que já em 1833, no Rio, o negro Francisco de Paula Brito (cujo bicentenário estamos comemorando) liderava a publicação de um jornal chamado O Homem de Cor, veiculando, mesmo com as limitações de sua época, reivindicações do povo negro. Que daí, em diante, a mobilização dos negros em busca de seus direitos, nunca deixou de existir. E isto, na publicação de jornais e revistas, na criação de clubes e associações, nas irmandades católicas, nas casas de candomblé… Etc.etc.etc.

Aí, pergunte a eles se já ouviram falar no clube Floresta Aurora, fundado em 1872 em Porto Alegre e ativo até hoje; se têm idéia do que foi a Frente Negra Brasileira, a partir de 1931, e o Teatro Experimental do Negro, de 1944. Mostre a eles que movimento negro não é um modismo brasileiro. Que a insatisfação contra a exclusão é geral. Desde a fundação do “Partido Independiente de Color”, em Cuba, 1908, passando pelo movimento “Nuestra Tercera Raíz” dos afro-mexicanos, em 1991; pela eleição do afro-venezuelano Aristúbolo Isturiz como prefeito de Caracas, em 1993; pelo esforço de se incluírem conteúdos afro-originados no currículo escolar oficial colombiano no final dos 1990; e chegando à atual mobilização dos afrodescendentes nas províncias argentinas de Corrientes, Entre Rios e Missiones, para só ficar nesses exemplos.

Quando, de dedo em riste, te jogarem na cara que os negros do Brasil não são africanos e, sim, brasileiros; e que muitos brasileiros pretos (como a atleta Fulana de Tal, a atriz Beltrana, e o sambista Sicraninho da Escola Tal) têm em seu DNA mais genes europeus do que africanos, concorde. Mas diga a eles que a Biologia não é uma ciência humana; e, assim, ela não explica o porquê de os afrobrasileiros notórios serem quase que invariavelmente, e apenas, profissionais da área esportiva e do entretenimento. E depois lembre que a Constituição Brasileira protege os bens imateriais portadores de referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira e suas respectivas formas de expressão. E que a Consciência Negra é um desses bens intangíveis.

Consciência Negra – repita bem alto pra eles, parafraseando Leopold Senghor – não é racismo ou complexo de inferioridade e, sim, um anseio legitimo de expansão e crescimento. Não é separatismo, segregacionismo, ressentimento, ódio ou desprezo pelos outros grupos que constituem a Nação brasileira.

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Consciência Negra somos nós, em nossa real dimensão de seres humanos, sabendo claramente o que somos, de onde viemos e para onde vamos, interagindo, de igual pra igual, com todos os outros seres humanos, em busca de um futuro de força, paz, estabilidade e desenvolvimento.

Leia abaixo sete pontos que ajudam a entender o conceito de Consciência Negra.

Consciência Negra é saber que, no Brasil de hoje, não existe ainda igualdade total entre os descendentes dos africanos que para cá vieram como escravos e os daqueles que vieram da Europa e da Ásia, como colonizadores e depois como imigrantes. Estes, já tiveram representantes em todos os escalões dos três poderes da República, inclusive na Presidência. E o povo negro, não!

Consciência Negra é compreender que isso acontece não por incapacidade intelectual ou de trabalho do povo negro e sim pelo que aconteceu após o fim da escravidão. Os ex-escravos foram “jogados fora”, sem terra para plantar, sem emprego, sem teto – a não ser aqueles que permaneceram com seus antigos donos. E aqueles que já não eram mais ou não tinham sido escravos e ganhavam sua vida por conta própria foram perdendo seus lugares, até nas ocupações mais humildes, para os imigrantes que aqui chegavam.

Consciência Negra é entender que desde antes da escravidão criou-se uma literatura através da qual se infundiu na cabeça do brasileiro uma impressão irreal sobre o povo negro como um todo. De que nós somos feios, sujos e pouco inteligentes; que só queremos saber de festa e divertimento; que nossas religiões são infantis; que só somos bons para pegar no pesado, praticar esportes, fazer música e praticar sexo. E muitos negros acreditaram nisso.

Consciência Negra é aprender como negar isso tudo: estudando a História da África, desde o Egito, passando pelos grandes impérios oeste-africanos da Idade Média; tomando conhecimento de que as concepções religiosas africanas têm um profundo fundamento filosófico, como foi inclusive comprovados por padres europeus que as estudaram;

Consciência Negra é saber que o povo negro não resistiu passivamente à escravidão e usou de todos os meios ao seu alcance para se libertar. É saber também que houve negros que lucraram com o tráfico de escravos, a partir do século 17; mas que, essa modalidade de escravidão, foram os europeus que levaram para a África;

Consciência Negra é, hoje, perceber que os que lutam contra a adoção de políticas de ação afirmativa contra o racismo e a exclusão do povo negro (como a chamada “política de cotas”) são pessoas que não querem perder os privilégios de que desfrutam, com o possível ingresso em seus “reinados” (caso de alguns professores universitários que fizeram carreira estudando o “problema do negro”) de concorrentes até mais bem preparados, pela própria vivência do problema.

Consciência Negra é, enfim, entender que o conceito de “negro” é hoje um conceito político, que engloba pretos, pardos, mulatos (menos ou mais claros) desde que se aceitem como tal e estejam dispostos a dar um basta no que hoje se vê nas telenovelas, nas profissões mais lucrativas, nas gerências empresariais, nos altos escalões de decisão, nos espaços de prestígio e de formação de opinião, nos locais onde se concentra a renda nacional. E o que se vê nesses lugares e situações é um Brasil que não corresponde à realidade de sua população, na qual mais de 60% são descendentes, próximos ou não, dos africanos aqui escravizados.

Nei Lopes

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Comentários

  1. alfredosonda Postado em 20/Nov/2012 às 01:14

    Um artigo muito informativo!

  2. maria luiza Postado em 28/Nov/2012 às 02:05

    Pois é, agora a direita e a classe média reacionária está endeusando o ministro Joaquim Barbosa porque ele , ao condenar os homens do mensalão, concretiza o que mais desejam que é pisar no PT, arrasar com o Lula e atingir o governo da Dilma. E já disseram pela internet que o Pelé e o Ministro nunca foram privilegiados com as cotas para estudantes negros. Só falta agora dizerem que eles tem a alma branca... Eu no lugar do ministro ia me sentir muito mal .

  3. Shirley Postado em 20/Nov/2013 às 14:43

    Desculpe se interpreto mal. Escravidão ocorre desde que o homem existe. Países que se enriquecem com a escravidão de outros povos sempre existiram. Desde que o homem - HOMEM, ser humano - existe a questão de domínio de nação sobre nação, povos sobre povos, seja onde for, em qualquer parte do PLANETA. Percebo um rancor muito grande contra os brancos. Percebo que aqueles que lutam pela igualdade de classes querem e gritam por IGUALDADE, mas quando querem destacar os sofrimentos de 'seu' povo, 'sua' raça, 'sua' gente, criam uma separação enorme. Poderemos discutir amplamente a questão do DOMÍNIO entre os povos e passarmos horas relacionando quem dominou quem e em qual época. Não foi somente o branco que dominou na EUROPA. Não foi o negro que foi escravizado no BRASIL. Não foi somente um país que enriqueceu com a desgraça e domínio sobre outro. Está na hora de lutarmos por igualmente realmente, mas a igualdade de IGUAL para IGUAL e não de brancos para negros, de negros para amarelos, de amarelos para cinzentos, de cinzentos para rosados, de rosados para outra cor que seja. Se Deus não desejasse criar as diferenças entre os povos, para que aprendessem a se TOLERAR, se RESPEITAR, se ENTENDEREM, não haveriam povos indígenas, povos vermelhos, povos asiáticos, povos amarelos, povos brancos, povos s europeus, povos negros, tantos povos diferentes, com costumes diferentes, com tudo tão diferente!!! Não preciso ajoelhar-me no chão para mostrar meu respeito. Engraçado que quando li o texto percebi logo nas primeiras linhas um rancor, uma raiva, e pensei logo em descobrir quem era o autor do texto. Deixemos de lado tanto rancor e lutemos pela IGUALDADE no sentido amplo, geral e restrito da palavra. Igualdade de ensino para todos os brasileiros, de qualidade, com responsabilidade, observando-se todas as necessidades e especialmente as individuais, as específicas. Vamos acabar com as quotas e transformar a educação em algo que nos orgulha, que construa os indivíduos de forma que abra seus olhos para perceberem que, somos iguais em nossas diferenças, que podemos nos orgulharmos de ser brancos, negros, cor-de-rosa, azuis, laranjas, prata, sem ofender o outro. Que podemos escrever nossa história de acordo com nossas crenças, nossos valores (verdadeiros valores), nossos grupos sem ofender o outro. Que percebamos que o que constrói uma nação é a EDUCAÇÃO, é o RESPEITO, é o LIMITE, é a LIBERDADE COM RESPONSABILIDADE e não a libertinagem que hoje se prega camuflando a libertinagem que sonhamos para justificar nossas falhas e nossa falta de respeito para com o outro. Sejamos iguais em nossas diferenças. Não podemos ser condenados pelo que outros fizeram. Não podemos pagar pelos crimes cometidos por outros. A lei mesmo prega isso em nossa constituição. Temos agora que lutar para mudar uma cultura que infelizmente impera em nosso país. Nem todos os brancos foram criados para acreditar na opressão, no ódio, na indiferença, na crueldade, no racismo, em tudo o que o texto acima destaca. Infelizmente RADICAIS existem em todos os povos, em todas as crenças, em todas as cores. Devemos aprender a LUTAR PELA IGUALDADE, pela QUALIDADE e não pela divisão.

    • André Postado em 20/Nov/2014 às 10:23

      "Rancor contra os brancos"?? Aposto que se você sofresse a discriminação na pele, ou sofresse os efeitos da escravidão que perduram até os dias de hoje, teria uma opinião bem diferente. Como diz MV Bill, "pedir paz sem justiça é utopia". É impossível lutar pela igualdade sem antes constatar as diferenças sociais que existem entre negros e brancos no país. Interessante que você fala em rancor contra os brancos, e não cita uma linha sobre a violência da escravidão negra e seus reflexos na atualidade. Esse é o nosso Brasil, as pessoas que falam em Deus são sempre as mais reacionárias.

    • André Postado em 20/Nov/2014 às 10:35

      É uma falta de respeito o site aceitar uma opinião como a desta senhora num dia de reflexão como o de hoje. A pessoa vem aqui ler uma matéria sobre o dia da Consciência Negra e é obrigada a se deparar com um argumento negacionista, que pretende, através de uma retórica vazia, defender a tese de que os efeitos gerados pela escravidão não estão impregnadas em nossa sociedade até hoje. Minha senhora, como canta MV Bill: "PEDIR PAZ SEM JUSTIÇA É UTOPIA".

    • PedroCosta Postado em 20/Nov/2014 às 13:51

      Não leu o texto; se leu, não entendeu senão não diria esses disparates. Tenha dó!

    • Eduardo Bueno Postado em 20/Nov/2014 às 20:11

      Tudo que o texto principal acima descreveu e criticou a Shirley fez: Ser reacionária; Discurso elitista e aburguesado e de branco; Tenta deslegitimar e fragmentar a identidade do Negro e do seu Movimento; ... Enfim, conservadora e reacionária. Eu li todo o comentário da Shirley por respeito ao ser humano, mas confesso que li com muito esforço. Por fim e ao cabo, acho que ela é moralista e assumiu o discurso sofisticado da elite dominante no Brasil. Moralismo que advém de ideologia. Talvez nem se dê conta disso. Infelizmente.

    • Nei Teixeira Postado em 28/Nov/2014 às 20:06

      Esta, de fato é uma questão polêmica e de certa forma apaixonante. Não é capaz de se restringir a uma dezena de opiniões esclarecidas, mesmo quando discordantes. Pretende-se argumentar aqui culturas de nações e continentes diferentes em pelo menos um período de cinco séculos. Impossível. Sou negro, registrado pardo (branco ou negro sujo, correto?), pobre, ralei e sobrevivi. Continuo pobre, menos que antes é verdade, mas sem privilégios daqueles que se pode chamar de acomodados. Tive e tenho minhas dificuldades por conta da cor da pele, mas ainda assim, e justamente por isso, sou contra a guerra das cores: alimento do ódio. Um país não cresce na divisão. Cotas, cotizam. Se é para beneficiar então que seja para todos, não uns poucos cotados. Também prego a igualdade, a educação, a liberdade e o respeito às opiniões contrárias - mesmo as discordantes. Afinal, está em nossa constituição estas prerrogativas! Assim, sem de longe tentar esvaziar a Consciência Negra (que ainda procuro melhor entender), concordo com a Shirley num pensamento mais abrangente. Penso que a contribuição possa se efetivar de muito formas, além da pregação de hostilidades. Justiça também se realiza com paz! Ou Gandhi, Mandela e tantos outros não significaram nada? Também não me denomino afrodescendente. Sou brasileiro é isto é suficiente. Aliás, mais brasileiro que muito alemão, japonês, italiano, português. com quem converso todos os dias e nunca mencionaram serem italodescendente, nipodescendente, germanodescendente, lusodescendente, etc. Raça? Humana. Sonho? Os mesmos de M.King: "erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade.(...) fazer da justiça uma realidade para todos" de qualquer cor, etnia, etc. Com ordem e educação, acima de tudo. Ah... Sou sulista, palco de guerras sociais históricas, coloco ao lado de grandes heróis nacionais como Zumbi dos Palmares, Sepé Tiarajú e os Lanceiros Negros. Bem, não espero simpatias por este posicionamento, mas saibam que para algumas radicalizações existem opiniões discordantes sobre o tema.

  4. Luciana Postado em 20/Nov/2014 às 10:59

    Sempre haverá alguem aqui clamando pelo mito da "democracia racial brasileira". Acreditam com fé nisso. Foram coaptados e pensam que o racismo é birra de nós negros. A luta segue...

  5. vilmar Postado em 20/Nov/2014 às 11:25

    os contras sempre vão existir, temos é que saber lidar com estes seres contra nós, que até agora não conseguimos ter união de grupos etnicos pra se fortalecer em todos os sentidos...

  6. Arne S. Postado em 20/Nov/2014 às 21:00

    Não queria ser eu a dar essa notícia, mas, enfim... D. Shirley, Deus não existe! Ou, pelo menos, sua existência, em vista da ausência de evidências, parece extremamente improvável...

  7. Clóverson Gonçalves Postado em 20/Nov/2014 às 23:43

    Ora veja, como é fácil falar em acabar com as cotas e buscar a igualdade! Sobre qual igualdade esta senhora se refere? Com certeza é a igualdade formal da constituição a qual a maioria, de forma falaciosa gosta de falar. Mas a igualdade formal só se alcança com a igualdade material, dentro da máxima aristotélica de buscar a igualdade, tratando os desiguais, de forma desigual, na medida das desigualdades para assim se alcançar esta igualdade material que inexiste em nosso país. Esta desigualdade que existiu quando os negros saíram do cativeiro para serem jogados nos guetos, sem garantia dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. É fácil dizer hoje que se sente discriminado por causa das cotas, mas não se fala em discriminação pelo fato de não ter cotas nas publicidades e nossas crianças terem que ver artistas brancos com sorrisos alvos estampando capas de jornais e revistas, ou quando virem algum negro de jaleco branco num hospital acharem que se trata, no máximo, de um enfermeiro. Enquanto a posse de um negro, como ministro do STF, desembargador de um tribunal ou delegado de polícia for acontecimento digno de estrépito midiático, significa que estamos longe da igualdade AMPLA E RESTRITA, senhora Shirley!

  8. Camila Postado em 21/Nov/2014 às 01:35

    Parabéns pelo artigo! Boas argumentações. Para se guardar e servir de base para nos aprofundarmos nesse debate. Sou professora e sei bem das dificuldades que existem no país até para se estudar a história e cultura de origem africana. Pouca discussão se tem, mesmo sendo hj parte