Luis Soares
Colunista
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Política 05/Nov/2010 às 03:02
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Cientistas políticos da UnB apontam os maiores desafios de Dilma

Dilma Rousseff terá como principal missão manter a estabilidade econômica combinada com a redução da desigualdade social. Além disso, vai precisar de traquejo político para lidar com a diversidade e quantidade de partidos que lhe darão apoio no Congresso Nacional. Esses serão os principais desafios da presidente eleita, segundo avaliação de professores do Instituto de Ciência Política (Ipol) da Universidade de Brasília (UnB). Eles foram entrevistados pela Agência UnB.
 
“Essa é uma herança do Lula que precisa ser mantida. Não somos o mesmo país e hoje esses fatores são interdependentes no Brasil”, disse a professora Mariza Von Bulow. Segundo ela, Dilma tem boa perspectiva de promover os avanços. “É preciso que o curso seja mantido, mas temos que aprofundar as melhorias nessas áreas”, avaliou.

Para o professor aposentado do Ipol Octaciano Nogueira a estabilidade da moeda brasileira está assegurada. “Não haverá chances para aventuras políticas nessa área. Já chegamos a ter 2.500% de inflação ao ano. Foram 25 anos de inflação incontrolável e hoje ela chega a um dígito por ano”, argumentou.

Por outro lado, Nogueira acha que Dilma pode ser prejudicada pela sua falta de experiência político-partidária. “Isso sempre pesa contra. Ela não foi testada nas urnas para nenhum cargo anterior e vai ter que aprender a dirigir o Brasil”.

A mesma dúvida tem o professor Nielsen de Paula Pires: “Não sei se Dilma poderá manter a mesma estabilidade política e econômica do presidente Lula. O que ele conseguiu não foi tarefa fácil e exige muita circulação política”. Ele prevê mudanças no quadro de alianças para o próximo ano.

Nielsen afirmou que Dilma vai ter que negociar diante do PMDB cobrando espaço, o que pode complicar a situação. Porém, o professor avalia que embora as coligações sejam necessárias, o poder de decisão continuará com Dilma. “A única caneta que importa é a dela”, diz.

Reforma Política

Mariza Bulow também avaliou que um dos principais temas a serem enfrentados pela presidente eleita será a reforma política; “Essa é uma pendência que com certeza vai ser estar na pauta do pós-Lula”, diz.

Ao que parece o tema de fato deve mobilizar os atores políticos no próximo ano. O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse em entrevista nesta quinta (4) que o presidente Lula vai se dedicar às negociações com os partidos para viabilizar a reforma.

“Ao sair do governo, a principal tarefa que ele (Lula) vai assumir, e vai lutar como um leão por essa tarefa, é pela reforma política e do sistema político-eleitoral do país”, afirmou o ministro.
 

Agências

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