Luis Soares
Colunista
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Política 13/Oct/2010 às 19:15
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Paulo Preto, mas podem chamá-lo de Golpe de Mestre

Não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada. Não cometam esse erro
A frase acima é uma epígrafe e uma inscrição tumular para José Serra. Antológica, na sua ameaça é digna de figurar entre bandidos à beira de uma dissolução de negócios. O Brasil todo sabe, mas não custa lembrar que ela foi anunciada, enunciada, pelo senhor Paulo Vieira de Souza, o cara faz-tudo das obras públicas do senhor José Serra. Mais conhecido na intimidade tucana pela alcunha de Paulo Preto, Vieira de Souza foi o engenheiro Prêmio do Ano 2009. (É verdade que, depois do Prêmio Nobel de Literatura para Mario Vargas Llosa, esse negócio de prêmio ficou muito desmontado e desmoralizado. Mas não nos percamos.)

Com uma história profissional cujos antecedentes apontam 11 anos de serviços ao PSDB, do Presidente Fernando Henrique ao governador José Serra, com ações à mão amada em São Paulo na linha 4 do Metrô, na avenida Jacu Pêssego, e nas maravilhosas obras do Rodoanel, Paulo Vieira de Souza sabe fazer conta, somar e subtrair como poucos. Ele é o homem que conhece onde moram a virtude e a renda do Serra que se proclama limpo de negócios fraudulentos. Ainda que os brancos tucanos estejam a murmurar que “Só podia ser: Preto quando não suja na entrada, suja na saída”, Paulo Vieira não será um resignado Celso Pitta.

Denunciado por parceiros (no Nordeste, chamar-se-iam “pareceiros”) do PSDB, que declararam na revista Istoé, mais frustrados que surpresos (em parceria tudo se sabe), que ele teria angariado 4 milhões de reais para a campanha e sumido, Paulo Vieira de Souza não gostou, da denúncia. E não era para menos, porque assim o pintaram:

“Segundo oito dos principais líderes e parlamentares do PSDB ouvidos por ISTOÉ, Souza, também conhecido como Paulo Preto ou Negão, teria arrecadado pelo menos R$ 4 milhões para as campanhas eleitorais de 2010, mas os recursos não chegaram ao caixa do comitê do presidenciável José Serra… O trabalho de checagem contou com a participação do tesoureiro José Gregori e até do candidato José Serra e logo veio a conclusão: Paulo Preto teria coletado mais de R$ 4 milhões, mas nenhum centavo foi destinado aos cofres do partido…” Ah, bandido, disseram. Ah, bandidos, respondeu Paulo Negão. E com razão. De que mesmo o acusavam, de haver furtado dinheiro do caixa 2? Hem? Como podem reclamar do furto furtado?

Lembrado por Dilma do caso, no último debate, o candidato Serra, com a sua calva impoluta ficou indeciso entre a cara de nocaute e a de paisagem. Pela tevê todos viram como sofre um homem puro. Depois, entrevistado, disse que desconhecia Paulo Vieira, Paulo Negão, Paulo Preto ou qualquer Paulo. Para quê? Então ele foi ameaçado pela frase antológica do túmulo: “Não se larga um líder ferido na estrada a troco de nada. Não cometam esse erro”. Então, o amnésico Serra teve uma recuperação súbita de memória, e de defesa do parceiro, que os nordestinos chamariam de pareceiro:

– Não houve desvio de dinheiro de campanha por parte de ninguém, nem do Paulo Souza. E Paulo Preto é um apelido muito preconceituoso. O Paulo Souza, que conheço, é uma pessoa muito competente e ganhou até o prêmio de Engenheiro do Ano, no ano passado. Nunca recebi nenhuma acusação a respeito dele durante sua atuação no governo.

Que diferença para quem na véspera não o conhecia! Que sacada, que ameaça magistral, do senhor Paulo Preto. Lembra o filme Golpe de Mestre. Na tela, foi um longa-metragem. Mas na vida real talvez esse filme tenha um fim mais curto. Serra não é Robert Redford, apesar dos ares de conquistador em fim de carreira. Paulo Preto, tampouco, é Paul Newman. Mas que personagem é o engenheiro do ano de 2009 de São Paulo! Pode ser o cara desta campanha.

Urariano Mota

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