Luis Soares
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Política 19/Oct/2010 às 20:17
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Marina avalia que Dilma incorporou mais as propostas do PV

Em entrevista à Rádio Eldorado, na manhã de hoje, a senadora Marina Silva afirmou que a candidata Dilma Rousseff (PT) incorporou mais propostas da plataforma apresentada pelo PV aos candidatos do segundo turno. Ela explicou que, entre os 10 pontos considerados mais importantes para que se possa avançar nas questões que dizem respeito à política, desenvolvimento sustentável, educação, inclusão social e ética, o PT está mais integrado à opinião do PV.
“Demos uma contribuição, cabe agora aos candidatos, que já integraram parcialmente parte das propostas que apresentamos, sendo que o PT integrou um pouco mais, o PSDB um pouco menos, mas ainda podem ampliar seu nível de aceitação”, analisou Marina, logo no início da entrevista.

Sobre o debate deste domingo, na RedeTV, Marina lamentou que questões ambientais não tenham entrado na discussão, mas lembrou que a única menção veio da candidata da coligação Para o Brasil seguir mudando. “Somente a ministra Dilma, no final da sua fala, no encerramento, é que fez uma menção à Copenhague e à questão da biodiversidade”, disse Marina.

Segundo a senadora, “Serra não mencionou, em nenhum momento, a questão referente ao sócio-ambientalismo, uma questão tão relevante para o planeta e para o Brasil”.

Veja, abaixo, a carta de Dilma para a ex-candidata Marina Silva e o Partido Verde

Brasília, 14 de outubro de 2010.

Senadora
Marina Silva

Prezada Marina,

Quero, por seu intermédio, fazer chegar à direção do Partido Verde meus comentários sobre a Agenda por um Brasil Justo e Sustentável, que foi entregue à coordenação de minha campanha.

Antes de tudo, saúdo a iniciativa de condicionar o posicionamento de seu partido a uma discussão de caráter programático. Ela é necessária e oportuna, sobretudo quando se verifica uma lamentável tentativa de mudar o foco do debate eleitoral para questões que, tendo sua relevância como temas de sociedade, não estão, no entanto, no centro da reflexão que o país necessita realizar para definir seu futuro.

Reiterando meus cumprimentos pelo expressivo resultado que sua candidatura obteve no primeiro turno das eleições, quero dar às observações que seguem um sentido que transcende em muito uma dimensão estritamente eleitoral. Nosso diálogo tem um significado futuro. Envolve as condições de governabilidade do país.

As observações que seguem refletem nossa primeira percepção da Agenda. Elas deverão ser objeto de novos aprofundamentos.

Transparência e ética

O Governo atual tem-se empenhado em garantir a mais absoluta liberdade de imprensa no país, posição com a qual me encontro pessoal e partidariamente comprometida.

Por outro lado, as avançadas medidas de transparência de informações sobre a execução orçamentária e de contratos deverão ser aprofundadas com rapidez nos próximos anos.

Reforma Eleitoral

Tenho dito que este tema é fundamental para o amadurecimento da democracia no país. Sendo questão a ser tratada no âmbito do Congresso Nacional, considero que a Presidência da República não deve estar alheia ao tema. Penso que, sobre a maior parte das questões, estamos de acordo e que a forma definitiva que deve assumir a reforma política tem de ser resultado de amplo acordo envolvendo o bloco de sustentação do Governo, partidos que nele não estejam incluídos e, igualmente, as oposições.

Educação para a sociedade do conhecimento

Manifestamos nosso acordo com todos os pontos deste item.

Segurança Pública

Em sintonia com o sentimento da sociedade brasileira, temos dado especial atenção aos temas da segurança. Temos insistido – na contramão de outras propostas – que a segurança pública não se esgota nas ações repressivas, mas deve ser complementada por políticas públicas em regiões onde o Estado esteve e ainda está ausente. No plano puramente repressivo, defendemos o fortalecimento de ações de inteligência e o emprego de modernas tecnologias. O Governo Lula instituiu, no âmbito do Pronasci, a Bolsa PROTEJO, que beneficia jovens em processo de formação. Concordamos em que uma melhor remuneração dos policiais é fundamental para garantir a dedicação exclusiva a suas funções. Um primeiro passo foi dado a partir de 2008, com a instituição da Bolsa Formação, que beneficiou desde sua criação mais de 350 mil policiais. A necessidade indiscutível de um piso nacional de remuneração para policiais tem de ser objeto de um pacto entre a União, os Estados e os Municípios. Essas e outras questões deverão ser objeto de uma PEC a ser enviada no menor prazo possível, consultados os entes federativos. Meu programa prevê a revisão do modelo atual de segurança pública e a institucionalização de um Sistema Único de Segurança Pública.

Mudanças climáticas, energia e infraestrutura

Expressando nossa concordância com a maior parte dos pontos contidos neste item, considero que há questões que devem ser objeto de aprofundamento e/ou negociação.

É o caso da criação de uma Agência Reguladora para a Política Nacional de Mudanças Climáticas. Mas temos acordo quanto à necessidade de um arcabouço institucional capaz de coordenar, implementar e monitorar iniciativas nesse setor.

A supressão do IPI sobre a fabricação de veículos elétricos e híbridos deve ser compatibilizada com nossa produção de etanol e nossa capacidade de geração elétrica. Pode-se propor política tributária diferenciada para veículos e outros bens que emitam menos GEE.

A proposta de moratória sobre a criação de novas centrais nucleares exige aprofundamento à luz das necessidades estratégicas de expansão de nossa matriz energética.

Seguridade Social: saúde, assistência social e previdência

Há concordância com todos os itens, com ressalva quanto à redução, no curto prazo, da população de referência para o PSF, pois implicaria aumentar as necessidades de profissionais além de uma capacidade imediata de resposta do sistema.

Proteção dos biomas brasileiros

Nosso Programa dá ênfase à proteção dos biomas nacionais. Por essa razão, estamos de acordo com a meta de incluir 10% dos biomas brasileiros em unidades de conservação A proposta de desmatamento de vegetação nativa primária e secundária em estado avançado de regeneração merece precisão.

Estamos de acordo sobre a prioridade de proteção da Amazônia, Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica, dentro de uma estratégia ambientalmente sustentável de ocupação e uso do solo e inclusão social.
Da mesma forma, é nossa prioridade a ação consistente na recuperação de áreas degradadas, a exemplo do Programa Palma de Óleo, na Amazônia.
Consideramos excelente a proposta de um Plano Nacional para a Agricultura Sustentável.

Sobre o Código Florestal, expresso meu acordo com o veto a propostas que reduzam áreas de reserva legal e preservação permanente, embora seja necessário inovar em relação à legislação em vigor. Somos totalmente favoráveis ao veto à anistia para desmatadores.

Gasto público de custeio e Reforma Tributária

Estamos de acordo com todos os itens.

Consideramos necessário afastar-nos de um conceito conservador de custeio que traz embutida a noção de Estado mínimo. A eficiência do Estado está ligada à qualificação dos servidores públicos. Daremos prioridade ao provimento de cargos com funcionários concursados.

Política Externa

Há acordo total com o expresso no documento.

Enfatizamos a necessidade de garantir presença soberana do Brasil no mundo, de fortalecer os laços de solidariedade com os países do Sul, em especial os da América Latina, com os quais compartilhamos história e valores comuns e estamos ligados pela necessidade de defesa de um patrimônio ambiental comum. Defendemos, igualmente, a necessidade de lutar pela reforma e democratização dos organismos multilaterais.

Fortalecimento da diversidade socioambiental e cultural

Pretendo dar continuidade e profundidade às políticas que foram seguidas neste campo pelo Governo do Presidente Lula.

Com apreço,
Dilma Rousseff

Comentários

  1. Nicodemos Sobrinho Postado em 20/Oct/2010 às 03:10

    Caríssimos,

    Como eleitor convicto da Marina Silva, torci, lutei e acreditei até o último instante para tê-la presente, ainda como candidata, neste 2º Turno. Mas infelizmente as maiores parcelas dos cidadãos brasileiros decidiram pela Dilma Roussef e o José Serra. Só nos restou aceitar o sinal democrático de que o Brasil ainda vivia o processo plebiscitário PT x PSDB/DEM, e não uma discussão mais ampla a respeito do que de fato se planeja para o Brasil pós-Lula.

    O projeto da Dilma não corresponde aos anseios dos eleitores de Marina obviamente, senão teríamos votado na Dilma no 1º turno. Mas a questão do José Serra vai mais além.

    Todos sabemos que além da rinha histórica entre os partidos (PTxPSDB/DEM), que além do jogo de informação das mídias explícitamente (ou não) partidárias, temos um fator desequilibrante: O melhor governo que este país ja teve, o governo Lula.

    Tudo o que foi conquistado, árduamente conquistado, está sendo colocado na balança agora.

    José Serra significaria desfazer tudo, recomeçar do zero (na verdade o negativo que vivíamos no tempo de má lembrança da era FHC), abdicar de todas as nossas conquistas econômicas, sociais, diplomáticas e estruturais. Já a Dilma é a natural continuadora do Lula, mas isso não é bom, desvaloriza o grande salto que Lula liderou no Brasil. Queremos mais, temos 500 anos de atrasos, não dá para esperar, e cada pleito é uma nova oportunidade. O Lula que iniciou o ano de 2003 não foi o mesmo que continuou a partir de 2007. Então porque teríamos que "parar" neste tempo bom, mas que não pode ser desperdiçado num medo de avançar mais! Foi essa a campanha do PSDB/DEM em 2002, tentaram conquistar o povo com o medo de dar um passo adiante, nós, "marineiros", enxergamos assim. Por isso acreditamos em Marina.

    Mas, tendo em vista o tal sinal democrático nos restou decidir entre as duas candidaturas. Definitivamente, votar no José Serra não é opção para aqueles que de fato se comprometeram com a causa da Marina Silva a fundo. Eles têm bons quadros, pessoas que com mais liberdade e oportunidade poderiam reconduzir o PSDB ao viés social da qual ele foi fundado, mas que se perdeu no decorrer do tempo. Para que haja uma Marina Silva, e as idéias que ela representa, foi necessário que houvesse um Lula e toda a estrutura social que ele desenvolveu no país. Por isso, uma via que discorde, que seja destoante desta base para o Movimento Marina, é uma contradição lógica, por isso esqueçamos José Serra.

    Votar nulo, pessoalmente não concordo. Quero tomar parte desta decisão, não vou abdicar ou desprezar essa conquista histórica do voto direto para presidente (A partir daí esqueçamos a teoria do voto nulo pregada por vários candidatos da extrema esquerda e os da extrema direita que compuseram o pleito no 1º Turno).

    O que por fim, e enfim, nos leva à Dilma Rousseff. Nâo é por exclusão, ela tem seus méritos, realmente ao analisar os pontos convergentes percebemos que são muitos e mais fortes do que os divergentes. Ambas candidaturas têm o mesmo nascedouro, advém da mesma fonte. Apesar de diferentes, ambas as mulheres têm uma história de luta e sacrifícios por seus ideais. Gênios diferentes mas positivos neste lance da história brasileira em que o verbo "retroceder" não pode ser conjugado em nenhum tempo verbal nem por nenhum sujeito que preze pelo futuro desta nação!
    Votarei na Dilma Roussef neste 2º turno, e acredito que deva ser a posição da maioria dos meus companheiros "marineiros". A partir da reflexão e da decisão-motivada, acredito que contruiremos um grande país a partir de 2011.

    O voto dado à Dilma será de profunda confiança, de que ouvido o clamor de quase 20 milhões de brasileiros, ela saberá dosar seu futuro governo numa pauta sustentável e de futuro em relação as conquistas destes 8 anos com o Lula.

  2. Henrique Postado em 20/Oct/2010 às 13:13

    Votei no Plínio no primeiro turno por uma série de motivos. Uma delas, a mais óbvia, por ser militante do partido. Outra, por achar q não vivemos num mundo ideal. Algumas correntes do meu partido tem defendido o voto nulo, o qual acho totalmente legítimo, sem dúvida, mas no momento atual um grande desacerto. Nas plenárias do partido essa questão foi muito discutida durante os ultimos 15 dias, e a imensa maioria compartilha a posição de q se fossemos votar nulo numa campanha sórdida como essa, em q um dos lados tem feito a campanha mais apelativa e reacionária do nosso período democrático, ao menos não faríamos propaganda pelo voto nulo. Ao que parece, após esses entraves internos, os companheiros do PSOL de fato pararam de se posicionar abertamente pelo voto nulo.

    Para mim e a maioria do PSOL, tratar Dilma e Serra como iguais,votando nulo,é de uma miopia total. O q a campanha do Serra faz, e todo mundo sabe, é com o nivel da crítica ao deslocar as questoes para o aborto; para ficar apenas em um exemplo. Plínio, por sorte, fez questão de mencionar que não são candidaturas iguais.

    Com todas as nossas críticas e diferenças, meu voto e o da maioria esmagadora do PSOL é em Dilma.

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