Luis Soares
Colunista
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Política 13/Oct/2010 às 17:38
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Manifesto de filósofos defende Dilma de campanha difamatória

Um grupo de professores e pesquisadores de Filosofia, de várias universidades do Brasil, lançou manifesto em apoio à candidatura de Dilma Rousseff para Presidência da República. “Cremos que sua chegada à Presidência representará a continuidade, aprofundamento e aperfeiçoamento do combate à pobreza e à desigualdade que marcou os últimos oito anos”, diz o texto. Os profissionais da área também manifestam preocupação com o discurso religioso que dominou a campanha.
Para eles, “Dilma Rousseff tem sido alvo de campanha difamatória baseada em ilações sobre suas convicções espirituais e na deliberada distorção das posições do atual governo sobre o aborto e a liberdade de manifestação religiosa.” E manifestam confiança de que “um eventual governo Dilma Rousseff preservará o caráter laico do Estado brasileiro e conduzirá adequadamente a discussão de temas que, embora sensíveis a religiosidades particulares, são de notório interesse público.”

E recomendando o voto na candidata petista, o documento afirma que “Dilma Rousseff, se eleita, saberá proteger as liberdades públicas.” E enumera como liberdades pública o Estado laico e o respeito à diversidade de orientações espirituais, contra a instrumentalização política do discurso religioso.

O manifesto destaca que entre os objetivos da República Federativa do Brasil estão “construir uma sociedade livre, justa e solidária”, “garantir o desenvolvimento nacional”, “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais”.

Alertando que “a vitalidade de nossa República depende do efetivo compromisso com tais objetivos, para além da mera adesão verbal. Por parte de nossos representantes, ele deve traduzir-se em projetos claros e ações efetivas, sujeitos à responsabilização política pelos cidadãos. Dos intelectuais, espera-se o exame racionalmente responsável desses projetos e ações.”

Formidável movimento

Os filósofos brasileiros consideram que “os oito anos de governo Lula constituíram um formidável movimento na direção desses objetivos”, admitindo o papel do governo anterior na conquista de relativa estabilidade econômica. “Ao atual governo, porém, deve-se tributar o feito inédito de conciliar crescimento da economia, controle da inflação e significativo desenvolvimento social”, afirmam.

“Como ministra, Dilma Rousseff exerceu um papel central no sucesso dessa gestão. Cremos que sua chegada à Presidência representará a continuidade, aprofundamento e aperfeiçoamento do combate à pobreza e à desigualdade que marcou os últimos oito anos”, justifica o documento.

Ao mesmo tempo, os profissionais de Filosofia denunciam que “há razões para duvidar que um eventual governo José Serra ofereça os mesmos prospectos”, lembrando “o desprezo com que os programas sociais do atual governo – em particular o Bolsa Família – foram inicialmente recebidos pelos atores da coligação que sustenta o candidato. Frente ao sucesso de tais programas, José Serra vem agora verbalizar sua adesão a eles, quando não arroga para si sua primeira concepção.”

Franco contraste

E dizem ainda que as promessas feitas por Serra estão “em franco contraste com sua gestão como governador de São Paulo – sem esclarecer como concretizá-las. O caráter errático de sua campanha justifica ceticismo quanto à consistência de seus compromissos. Seu discurso pautado por conveniências eleitorais indica aversão à responsabilidade que se espera de nossos representantes. Ironicamente, os intelectuais associados ao seu projeto político costumam tachar o governo Lula e a candidatura Dilma de populistas.”

O texto faz a defesa dos programas de transferência de renda implementados pelo governo por que “não apenas ajudaram a proteger o país da crise econômica mundial – por induzirem o crescimento do mercado interno -, mas fortaleceram nossa democracia ao criar bases concretas para a cidadania de milhões de brasileiros.”

O formato institucional do programa, segundo avaliação dos filósofos proporciona condições para a progressiva autonomia de seus beneficiários, ao invés de prendê-los em um círculo de dependência. E diz que é justificável que “mulheres e homens beneficiados por tais programas confiram seus votos às forças que lutaram por implementá-los não deve surpreender ninguém – trata-se, afinal, da lógica mesma da governança democrática”, acrescentando que “sua relação com tais forças será propriamente política, não mais a subserviência em que os confinavam as oligarquias.”

Serviço:
Professores (as) e pesquisadores (as) de Filosofia interessados em assinar o manifesto, devem enviar email com nome completo, vínculo institucional e demais informações que acharem relevantes para o endereço: [email protected] Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Devido a vários pedidos de pessoas sem vínculo institucional na área da filosofia, a equipe que elaborou o manifesto decidiu criar uma petição “universal”, com o objetivo de permitir que qualquer indivíduo apoie o manifesto original.

Márcia Xavier

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