Luis Soares
Colunista
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Política 06/Sep/2010 às 17:14
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Civis ligados ao PSDB do RS quebram sigilo de políticos do PT

O promotor de Justiça Criminal Amilcar Macedo, do Ministério Público nacidade de Canoas, no Rio Grande do Sul, informou que, além do sargentoCésar Rodrigues de Carvalho, preso na manhã de sexta-feira, outrasquatro pessoas também são investigadas pelo acesso irregular a dadossigilosos de políticos do PT, sendo que duas são integrantes da BrigadaMilitar (BM) e duas são civis ligados ao governo Yeda Crusius(PSDB) doRio Grande do Sul. Suas identidades serão reveladas nesta segunda-feira.

Opromotor garantiu ainda que os nomes já checados daqueles que tiveramseus dados sigilosos acessados pelo sargento também serão divulgados. Osargento, integrante da BM, estava lotado na Casa Militar do PalácioPiratini (sede do governo gaúcho) e foi preso na manhã de sexta-feira(3) em sua residência em Porto Alegre. Ele, que havia sido promovidopoucos dias antes, começou a ser investigado há três meses, apósdenúncia de que extorquia contraventores na região Metropolitana daCapital.

Mas as investigações acabaram levantando queCarvalho acessava dados sigilosos de políticos gaúchos e do diretórioestadual do Partido dos Trabalhadores (PT) por meio do sistemaConsultas Integradas, da Secretaria de Segurança Pública (SSP).

“Fizemosuma primeira varredura nos nomes mais conhecidos entre os acessados enesta segunda vamos liberá-los. Pode eventualmente ter mais alguém. Elefazia muitas consultas via registro Geral (RG). Mas posso adiantar quesão muitos nomes”, informou na noite deste domingo o promotor. Entreaqueles que tiveram seus dados consultados estão um ex-ministro e umsenador.

Eles seriam o candidato do PT ao governo, TarsoGenro, e o senador Paulo Paim, candidato à reeleição. No sábado, Macedopostou em seu twitter: “Ainda não obtive autorização formal dosenvolvidos para divulgar os nomes dos políticos bisbilhotados naoperação agregação. 

Mas o partido político, diretórios e veiculos, assim como integrantes que foram acessados, foi o Partido dos Trabalhadores”.

Alémdos espionados, também serão divulgados outros dados referentes aosacessos. Macedo e sua equipe passaram o final de semana trabalhando nachecagem de dados da investigação, apelidada de Operação Agregação. Opromotor considera que os acessos aos dados de políticos, feitos pormeio de senhas do sistema, não se justificam porque a Casa Militar atuana segurança pessoal da governadora e na Defesa Civil.

Aequipe está investigando os acessos feitos desde janeiro de 2009.Conforme o promotor, o trabalho é “hercúleo” porque a cada cinco ouseis dias eram feitas aproximadamente mil consultas. “São mais de 10mil”, assegurou.

Ele adiantou ainda que nesta semana vaiouvir o sargento para que ele fale sobre os motivos dos acessos aosdados sigilosos. Uma das dificuldades encontradas no levantamento é ofato de que as auditorias compreendem períodos de 15 dias em 15 dias e,quando o número de acessos chega a mil, o sistema automaticamenteinterrompe as checagens. Isso significa que, se em um período de 15dias foram feitas milhares de consultas, só as primeiras mil irãoaparecer. “Vamos fazer uma solicitação no sentido de que sejarecuperada a totalidade dos acessos feitos”, adiantou ele.

Osecretário geral do PT gaúcho, Carlos Pestana, que coordena a campanhade Genro, informou que a executiva estadual e a bancada do partido naAssembleia Legislativa se reúnem nesta segunda-feira para decidir quaismedidas vão tomar a respeito do caso. A executiva petista gaúcha avaliaa possibilidade de solicitar uma reunião com a executiva nacional dopartido para tratar do caso, e compará-lo aquele do vazamento de dadosde contribuintes da Receita Federal, entre eles os de Veronica Sera,filha do candidato do PSDB à presidência da República, José Serra.  

“O PSDB faz uma série de acusações ao PT e à campanha de DilmaRousseff, e não apresenta provas. Enquanto isso, aqui no Rio Grande doSul temos um sargento que trabalhava na Casa Militar, está preso, e umainvestigação feita pelo Ministério Público. Não que já não estivéssemosacostumados porque isso já aconteceu nas eleições municipais de 2008,envolvendo integrantes do governo do Estado”, lembrou Pestana.

ABrigada Militar instaurou um Inquérito Policial Militar para apurar ocaso e na sexta-feira (3) uma equipe da corregedoria da BM procuroupelo promotor Macedo.

Portal Terra

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