Luis Soares
Colunista
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Política 26/Aug/2010 às 01:37
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Um futuro preocupante

A imprensa dá conta de que o ex-governadorpaulista Paulo Maluf teve sua candidatura a deputado federal vetadapela Justiça Eleitoral, com base na Lei da Ficha Limpa. Maluf avisa quecontinua em campanha, certo de que no final seguirá impune.
Da mesma forma, ficamos sabendo que o ex-governador do Rio AnthonyGarotinho, igualmente condenado à perda dos direitos políticos, segueem campanha para deputado federal.
Por todo o Brasil, pipocam notícias sobre candidatos com notóriosproblemas na Justiça que seguem habilitados a disputar cargos eletivos. O que devem pensar disso os eleitores, e de maneira especial, os mais jovens?
O noticiário fragmentado que caracteriza o jornalismo contemporâneoprovavelmente mais atrapalha do que ajuda no entendimento desseevidente conflito entre os interesses da sociedade e a capacidade dasinstituições de realizar aquilo que está expresso no espírito da lei.Da mesma forma, a predominância de certo tecnicismo na interpretaçãodas normas legais contamina a imagem do Judiciário.
Por outro lado, cabe aos magistrados aplicar estritamente o que está escrito nas leis.


Condição vulnerável

A falta de uma abordagem ampla, por parte da imprensa, sobre asdificuldades da magistratura – em parte pelos limites do papel, mas umaclara omissão quando se trata das edições digitais – mantém grandenúmero de cidadãos inseguros quanto à eficiência do aparato legal.
Quando se observa certos casos, como o do jornalista Antonio PimentaNeves, assassino confesso da ex-namorada Sandra Gomide, que goza deliberdade por uma década completa, fica difícil alterar essa visão.Constrói-se, assim, a tese de que a Justiça brasileira só funciona bem– bem demais, diga-se – para os mais ricos.
Da mesma forma se consolidou em grandes parcelas da população, porconta de simplificações divulgadas em programas ordinários de rádio eTV (chamados de jornalismo popular), certo viés contrário à defesa dosdireitos humanos.
Sabe-se que as gerações que sucedem o momento de promoção social dasfamílias ascendentes tendem a se tornar mais conservadoras. O fenômenopode ser compreendido pela observação de que uma família pobre queascende à classe média passa a ter um patrimônio a conservar, o quecomumente torna seus integrantes mais defensivos.
O Brasil tem uma nova classe média, resultado dos milhões decidadãos beneficiados por programas sociais e pelas melhores condiçõesda economia. Cidadãos nessa condição se tornam vulneráveis a pregaçõespopulistas, demagógicas e autoritárias.
A imprensa pode contribuir para que, no futuro próximo, esses brasileiros mantenham a confiança na democracia?

Luciano Martins Costa

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