Luis Soares
Colunista
Compartilhar
Política 05/Aug/2010 às 04:26
0
Comentários

Quem tem poder na sociedade?

A imagem de poder, aparentemente, se identifica com o Governo e com as instituições do Estado, isto é, na administração nacional. Mas, o verdadeiro poder que funciona como esteio da administração está atrás e o envolve. Com o apoio e a participação da população, com consciência de cidadania, será um poder democrático; fazendo uso da lei para impor uma disciplina – que será democrática na medida em que defenda os interesses da cidadania e não de uma elite – terá instrumentos para preservar a democracia. Mas, se a disciplina imposta for apenas para centralizar o poder representado por um Governo autoritário e anti-democrático, que defende os privilégios de uma elite, o esteio deste poder administrativo será militar e económico, insensível às necessidades humanas e sociais da população.

O sistema capitalista essencialmente representa os interesses económicos de uma elite dominante que controla os poderes militar e político. A elite se identifica socialmente com a classe que exerce o poder no comando das atividades produtivas e de serviços, de relacionamento interno e externo a nível de Estado, na comunicação (transporte e divulgação), no desenvolvimento das infra-estruturas assim como nas áreas sociais e culturais.

A contratação de trabalhadores para todas as atividades realizadas por empresas do Estado ou privadas, teve início com a Revolução Industrial dando origem à classe operária que, com as camadas inferiores da classe média, tem lutado por importantes conquistas democráticas que definem os Direitos Humanos, as eleições livres de representantes nacionais com funções executivas e legislativas na estrutura de poder, a legislação trabalhista, os direitos de associação.

Passo a passo os trabalhadores adquirem a capacidade de participar mais de perto nas ações administrativas do Estado e de impor, com a força da sua união manifestada pelos movimentos e associações sociais e por partidos de esquerda, as reivindicações dos que não pertencem à elite dominante. É um caminho revolucionário, lento, traçado através de alianças políticas dos vários estratos sociais mesmo que tenham interesses diferentes. Atualmente tais alianças têm sido facilitadas diante da crise que afeta todo o sistema capitalista incapaz de superar o reducionismo de uma elite gananciosa e egoista que sacrifica a humanidade para alcançar maiores lucros financeiros.

A experiência de alguns paises com a implantação de soluções socialistas demonstrou claramente as carências da visão capitalista que restringe os seus planos à eficiência e produtividade dos seus elementos sem assegurar o direito de todos à vida, ao desenvolvimento humano, ao controle das ações e produtos que destroem a natureza e a própria condição de sobrevivência. Os efeitos estufa, a destruição de florestas e mananciais aquíferos, desencadeam fenomenos destruidores do solo produtivo, das nascentes dos rios, das construções de cidades e infra-estruturas, das vidas vegetais, animais, humanas. A acumulação de lixo, sobretudo dos tóxicos e transmissores de doenças, polui o ambiente e asfixia a sociedade. É a partir da observação sobre as condições de sobrevivência de toda a população – introduzida pela experiência histórica socialista – que os planos de desenvolvimento podem ultrapassar a simples preocupação tecnocrática com o crescimento e o lucro.

Apesar do avanço da intelectualidade no sentido de ampliar a visão científica abarcando toda a realidade e as inter-relações de convívio, a elite autoritária, que tem o domínio financeiro e militar, continua a dificultar o caminho pacífico do desenvolvimento planetário. As forças imperialistas fomentam as guerras que consomem exércitos e armas, além de manter povos escravizados. Sorrateiramente Voferecem soluções parciais para impedir a independência das nações empobrecidas. Vemos hoje que o grande apoio financeiro oferecido pelos paises ricos e o FMI à Grécia não é para salvar o país endividado já que impõe como condição as privatizações dos setores de energia e transporte.

Foi sempre assim a “ajuda” capitalista aos paises em desenvolvimento, mas a América Latina com seus novos governos que não aceitam o neo-liberalismo encontraram o caminho para manter a independência e o desenvolvimento. Os países mais pobres da Europa terão de fortalecer as suas unidades nacionais também e defender a sua autonomia porque a crise do sistema capitalista ainda não chegou aos bancos e à economia de guerra.

Zillah Branco, cientista social

Comentários

O e-mail não será publicado.