Luis Soares
Colunista
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Política 25/Aug/2010 às 19:34
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Os perigos da euforia

As recentes pesquisas eleitorais continuam apresentando Dilma emprocesso de ascensão. Aparentemente, a continuar nessa rota, acandidata do PT estaria em condições de obter a vitória no primeiroturno. Porém, essa aparência, como já reiteramos em comentárioanterior, pode ser fatal para a campanha petista, por vários motivos.
 
Se olharmos as pesquisas com mais atenção, veremos Dilma emcrescimento, Serra em queda e Marina, assim como os demais candidatos,em situação estável. A queda de Serra está associada à subida de Dilma,devendo significar que a natureza direitista e reacionária dacandidatura do PSDB-DEM está vindo à luz, e que seu falso discurso decontinuidade do governo Lula não colou.
 
Portanto, podemos deduzir que Dilma ganhou pontos principalmente entreos indecisos, entre os que estavam acreditando no discurso continuístade Serra, e entre aqueles setores da classe média que ainda acreditavamque o PSDB é um partido social-democrata. No entanto, a candidaturaDilma ainda não abalou a candidatura Marina, onde se encontra uma parteda esquerda, embora Marina também esteja em dificuldade para manter seudiscurso de continuidade do governo Lula.
 
Nessas condições, talvez seja a primeira vez, nas campanhas eleitoraispresidenciais desde 1989, que o PT tem chances não só de vencer, mas devencer no primeiro turno. Isto, que apresenta um aspecto positivo, pornão obrigar o partido a rebaixar ainda mais seu programa eleitoral,também apresenta o aspecto negativo de levar os candidatos dos partidosde sustentação da candidatura Dilma – a governador, senador e deputado- a suporem ganha a parada presidencial e se voltarem totalmente parasuas próprias campanhas.
 
Aliás, quem quer que se dê ao trabalho de acompanhar o horárioeleitoral na televisão pode notar que até mesmo muitos candidatos do PTtiraram a imagem de Dilma de suas apresentações. A preocupação maiorvem sendo colocar Lula ao lado, a fim de angariar votos para suaspróprias candidaturas. Se a leitura das últimas pesquisas eleitoraislevar à euforia do ‘está ganha a presidência’, mesmo que teoricamenteisto seja negado, o ritmo da campanha presidencial tende a baixar,abrindo a possibilidade de subida da Marina e recuperação ouestabilidade de Serra.
 
Em tais condições, se a campanha Dilma pretender manter o ritmo decrescimento, ela terá de fazer ajustes, principalmente nas relações como seu PT. É esquisito que candidatos desse partido, seja aos governosestaduais, seja aos legislativos federal e estadual, não mostrem apoioexplícito à candidatura presidencial do PT. Deve haver algum desajusteentre a campanha da coligação de apoio à Dilma e a campanha petista.
 
Além disso, as informações de que a campanha Dilma pretende realizarmaior ofensiva na conquista dos indecisos e dos ‘não-sabe’ pode serpositiva, mas talvez não baste para consolidar a perspectiva de suavitória no primeiro turno. Talvez seja necessária uma ofensivacomplementar, tratando com mais propriedade alguns temas que setornaram cavalos de batalha na campanha Marina.
 
Marina vem concentrando seu fogo e ataques ao governo em temas comoreforma tributária, proteção ambiental, jornada de trabalho, segurançae liberdade de comunicação. É essa crítica que a fez conquistar partedo eleitorado de esquerda, e também tem carreado apoios a candidatos deoutros partidos desse espectro político. Somados, eles representam maisde 15% das intenções de voto. Assim, como é nos detalhes que o diabo seapresenta, se a campanha Dilma desprezar o trato de tais temas, podeser por aí que ela seja surpreendida. 
Wladimir Pomar

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