Luis Soares
Colunista
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Política 14/Jul/2010 às 14:41
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Vice de Serra emprega funcionário fantasma na Câmara Federal

O deputado federal Indio da Costa (DEM-RJ), candidato a vice na chapa de José Serra (PSDB) à Presidência da República, emprega em seu gabinete na Câmara um “amigo” e parceiro de voos de ultraleve num aeroclube do Rio. O fantasma é Paul Zachhau, membro da Abul (Associação Brasileira de Ultraleves). Ele foi nomeado secretário parlamentar por Indio em novembro de 2008 e recebe ao menos R$ 540 mensais, sem gratificações.
O vice de Serra não explicou em detalhes o que faz seu inusitado secretário parlamentar. Zachhau não cumpre expediente nem no gabinete de Índio, em Brasília, nem em seu escritório político no Rio de Janeiro. O maior vínculo “político” entre eles se dá nos voos de lazer. 
Flagrado na ilegalidade, Indio afirmou que Zachhau o acompanha em agendas no Rio de Janeiro, inclusive em viagens ao interior do estado, para cumprir atividades parlamentares como deputado. O vice de Serra não possui jatinho ou helicóptero, somente o ultraleve, que, segundo sua assessoria, é usado apenas por hobby.

Como os traslados entre Brasília e Rio são feitos em voos comerciais, conforme o detalhamento das contas de Índio no site da Câmara, a presença de um secretário parlamentar, membro Associação Brasileira de Ultraleves, pode ser considerada – no mínimo – desnecessária.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Zachhau disse que faz voos com Indio, que é, a seu ver, “ótimo piloto”. Questionado sobre sua função como secretário parlamentar, limitou-se a informar o telefone da secretária do deputado “para mais informações”.

Ficha suja

Índio da Costa foi escolhido, para ser o vice na chapa de Serra no limite do prazo legal. Alguns fatores permearam sua indicação: o apadrinhamento do ex-prefeito do Rio, César Maia (DEM), ser jovem e ter a imagem associada ao projeto Ficha Limpa, do qual foi relator na Câmara.

Desde sua oficialização para compor a chapa, a boa imagem de Índio da Costa tem desmoronado. Ele e Cesar Maia são suspeitos de envolvimento no episódio de licitação viciada para fornecimento de merenda escolar na capital carioca em 2005.

Segundo apurou o relatório da CPI criada pela Câmara Municipal para investigar a concorrência, que agora é objeto de inquérito policial na Delegacia Fazendária, o edital da licitação tinha entre as regras atrair um número expressivo de participantes — mas duas empresas, Milano e Ermar, agiram em jogo combinado para vencer.

A Ermar apresentou recursos de impugnação contra todos os concorrentes, exceto contra a Milano, deixando caminho livre. Com isso, as regras do edital não foram atendidas, e Índio da Costa, então secretário municipal, tinha a obrigação de cancelar o processo e providenciar outra licitação. Mas fez o contrário: a Milano acabou vencendo a licitação e ficando com 99% do fornecimento de gêneros alimentícios para a merenda.

Índio ainda levantou mais suspeitas ao insistir na contratação centralizada de fornecimento de merenda escolar quando, desde 2001, um estudo da Controladoria Geral do Município (CGM) recomendava a descentralização do sistema. Os cofres públicos municipais sofreram uma sangria de R$ 11 milhões. Uma nova licitação estendeu a participação a nove empresas fornecedoras de gêneros alimentícios.

Agência Brasil

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