Luis Soares
Colunista
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Política 09/Jul/2010 às 18:09
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Patrimônio de oito políticos ameaçados de inelegibilidade pelo Ficha Limpa cresce significativamente

Oito políticos que correm o risco de ter a candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral por força da lei Ficha Limpa viram nos últimos quatro anos seus patrimônios multiplicarem de forma significativa. Entre os que mais enriqueceram estão o primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), o ex-governador de Tocantins Marcelo Miranda (PMDB), o ex-senador Expedito Júnior (PSDB-RO) e o deputado federal Zé Gerardo (PMDB-CE), primeiro parlamentar condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) desde a Constituição de 1988.

De acordo com a declaração de bens informada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), Heráclito Fortes enriqueceu 509%. Sua fortuna saltou de R$ 1,3 milhão, em 2002, para R$ 7,9 milhões, em 2010. Há oito anos, quando eleito senador, ele ainda não era milionário — acumulava R$ 825,7 mil. O bem mais valioso do senador é um avião de R$ 3,7 milhões. A assessoria de Heráclito diz que a valorização do patrimônio, como uma casa no Lago Sul, foi responsável pelo aumento do valor dos bens.

Condenado em 1997 pelo Tribunal de Justiça do Piauí por uso irregular de recursos públicos da prefeitura de Teresina, Heráclito conseguiu no STF um efeito suspensivo, que, por enquanto, garante sua candidatura. O caso deverá ser julgado de forma definitiva antes das eleições de outubro. O Ficha Limpa proíbe a candidatura de quem tem condenação por órgão colegiado.

Apesar de ter sido cassado pelo TSE no ano passado, o ex-governador de Tocantins Marcelo Miranda viu o patrimônio crescer de R$ 1,2 milhão para R$ 2,1 milhões de 2006 para cá. Na lista de bens do peemedebista, que lidera as pesquisas para o cargo de senador, as novidades são um apartamento em Goiânia, avaliado em R$ 360 mil, novas cadernetas de poupança e quatro automóveis de luxo, dois deles com valores superiores a R$ 100 mil. Ele também tem uma casa em Palmas que vale mais de R$ 650 mil.

Miranda afirmou que não há nada anormal em sua evolução patrimonial. “Comprei um apartamento em Goiânia e meus veículos foram trocados. Tenho uma família de caixa único. Somos donos de um escritório empresarial de pecuária. Nada volumoso. Minha evolução patrimonial segue a normalidade.”

Cassado em 2009 pelo TSE, o ex-senador Expedito Júnior também corre o risco de ficar inelegível, pois o Ficha Limpa fixou que políticos cassados ficam proibidos de disputar eleição por oito anos. Os que se encontram nessa situação dizem que a lei foi publicada depois que foram punidos, mas, segundo o TSE, a norma atinge casos anteriores à sanção da lei. O patrimônio de Expedito saltou de R$ 754 mil para R$ 1,16 milhão, sendo que ele diz guardar em casa R$ 685 mil em espécie.

O deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), que renunciou ao cargo de senador em 2001 para escapar da cassação, também corre riscos, pois ficaria inelegível por oito anos contados a partir do fim do mandato. Seu patrimônio cresceu 22%. Os bens do deputado Zé Gerardo, que teve liminar negada pelo STF e continua inelegível, aumentaram de R$ 2,5 milhões para R$ 6,7 milhões.

O deputado Paulo Rocha (PT-PA), que renunciou em 2005 depois que foi citado no escândalo do mensalão, acumulou menos de R$ 100 mil nos últimos quatro anos — seus bens aumentaram de R$ 146 mil para R$ 233 mil. Jackson Lago (PDT), governador cassado do Maranhão, também teve acréscimo no patrimônio: passou de R$ 407 mil para R$ 621 mil.

A deputada estadual Isaura Lemos (PDT-GO), uma das que conseguiu liminar no STF que suspende a inelegibilidade que ela teria em razão de condenação em Goiás, ficou mais rica de 2006 para cá. Viu o patrimônio crescer de R$ 12 mil para R$ 135 mil. A Justiça Eleitoral ainda não divulgou o valor dos bens dos deputados Paulo Maluf (PP-SP) e Valdemar Costa Neto (PR-SP) e do ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), que também correm o risco de terem a candidatura vetada por conta do Ficha Limpa.

Correio Braziliense

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