Luis Soares
Colunista
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Política 10/Jul/2010 às 14:29
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O derramamento mais negro na história norte-americana

Quase três meses após a explosão da plataforma Deepwater Horizon em frente às praias ao sul dos Estados Unidos, a empresa British Petroleum (BP) continua afogada entre a maré negra e uma dívida multimilionária.
O grupo europeu confirmou esta semana que o custo da resposta ao desastre ambiental superou os três bilhões de dólares. O derramamento do óleo segue a um ritmo de quase 40 mil barris por dia.

Recentemente, o Serviço Nacional da Guarda Costeira informou que já apareceram bolas de alcatrão em zonas marítimas do Texas, somando-se aos outros quatro estados norte-americanos prejudicados pela poluição: Flórida, Louisiana, Mississipi e Alabama.

A BP explicou que já pagou mais de 147 milhões de dólares em compensações para os cidadãos ou instituições afetadas pela catástrofe ecológica.

Porta-vozes da BP indicaram que a corporação pretende compartilhar a conta derivada do acidente com vários sócios acionários como Anadarko Petroleum e Mitsui Oil, depois que a Casa Branca pediu 20 bilhões de indenização.

Calamidade ambiental

Após 80 dias a situação é a seguinte: persiste o buraco no fundo marinho e a primeira economia mundial mostra-se incapaz de conter o vazamento constante de matéria escura.

A British Petroleum e a administração do presidente Barack Obama já testaram de tudo para deter o derramamento de petróleo a poucos quilômetros da Louisiana e a 1.500 metros de profundidade.

Pesquisadores da Administração Nacional Atmosférica dos Estados Unidos explicaram que no golfo do México está se consolidando uma grande zona morta de 16.830 quilômetros quadrados.

Essa área, com alta concentração de metano, supera em extensão o Lago Ontário canadense e poderia transformar-se no mais amplo perímetro hipóxico (carente de oxigênio) desta faixa do planeta. Má notícia para ecologistas, e para a biodiversidade marítima.

Economia

A calamidade ambiental também afeta os quatro pilares econômicos das comunidades assentadas próximas ao Golfo.

Indicadores do turismo, pesca, tráfico portuário e da própria extração de hidrocarbonetos marcaram déficits afetando o desempenho industrial na região, que é de 234 bilhões de dólares anuais.

Obama certificou que o acidente representa a maior catástrofe ecológica da história estadunidense e que o grupo BP deverá pagar uma soma importante em um prazo de cinco anos para limar sensibilidades.

Especialistas estimam que entre 35 mil e 60 mil barris de petróleo se perdem diariamente no Golfo, desde a surpreendente explosão da Horizon na tarde de 20 de abril.

Os custos monetários relacionados com a fuga ultrapassaram a cifra de 2,3 bilhões de dólares, segundo relatório interno de British Petroleum.

Conforme o comunicado corporativo, o dinheiro tem sido destinado principalmente para pagar a limpeza marítima, demandas apresentadas por estados norte-americanos e esforços de contenção ante o fluxo aceitável.

A empresa britânica explicou que, desde o final de abril, aproximadamente 37 mil especialistas, 4.500 embarcações e cerca de 100 aeronaves foram mobilizadas como resposta ao incidente.

O grupo petroleiro enfrenta uma pressão política adicional, depois que um de seus sócios no setor o acusou de negligência maior e conduta empresarial desatinada.

Dois dias depois que o conselheiro delegado da BP, Tony Hayward, compareceu ao Congresso dos Estados Unidos, a sociedade Anadarko sublinhou que o consórcio britânico tem toda a culpa pelo derramamento.


Prensa Latina

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