Luis Soares
Colunista
Compartilhar
Política 16/Jul/2010 às 18:41
3
Comentários

Ex-presos políticos chegam

Com a mediação da Igreja Católica e do governo Zapatero, chegam à Espanha os primeiros 11 presos políticos libertados, dos 52 mantidos nas prisões de Cuba desde 2003. Madri lhes deu status de refugiados, mas para Havana, saem como emigrantes: poderão voltar se quiserem (por meio de licença, como outros cubanos emigrados) e não terão seus bens embargados. Aqueles que preferirem, podem ficar na ilha, como decidiram seis dos 26 consultados.

Sob pressão internacional e das “damas de branco” desde a morte de Orlando Zapata em fevereiro, Havana optou por fazer do limão uma limonada. Livra-se dos embaraços deixados pelo surto repressivo de 2003, quando a combinação do recrudescimento de manifestações contra o regime com a invasão do Iraque, efetuada no dia seguinte às prisões, fez o governo temer um ataque dos EUA. Certamente, espera melhorar as relações com a Europa e viabilizar investimentos estrangeiros necessários à sua economia combalida.

Os dissidentes festejam. Esperam ganhar influência e ver o governo cubano fracassar em oferecer mudanças capazes de motivar seu povo cansado de sacrifícios. Descrevem as más condições nas prisões da ilha, duvidam de que sua libertação melhore as relações externas de Cuba e prometem continuar a luta. Mas também reclamam dos dormitórios e banheiros coletivos do albergue em Madri onde foram abrigados até que consigam emprego numa Espanha em crise. Pensavam que o capitalismo fosse outra coisa.

CartaCapital, edição impressa

Comentários

  1. josenilson Postado em 16/Jul/2010 às 18:56

    ESTÃO CERCEADOS DE DEMOCRACIA,NÃO DEVIAM ESTAR RECLAMANDO.ESPANHA É PRIMEIRO MUNDO.

  2. Nicodemos Sobrinho Postado em 16/Jul/2010 às 20:38

    O artigo segue uma linha inteligente, até o penúltimo ponto, de tão ilógico e desencontrado da essência do que a matéria procura informar parece até que foi colocado a revelia do jornalista, ou sem seu conhecimento. Caso, de fato tenha sido obra do jornalista que escreveu a matéria, fica claro que de tão grotesco (a forçada de barra para seguir uma linha editorial estilo "Veja às avessas") acabou por declinar a qualidade.
    Nenhum "bem" se compara ao direito de liberdade. Não é questão de teorias, justiça ou modelos econônimos, é coisa sem o qual nada tem valor ou sentido. A liberdade é o que nos difere dos autômatos, dos animais em cativeiro. É primazia para a aquisição e eficácia de todos os outros direitos fundamentais. Nenhum regime, democrático, teocrático, etc, que seja, deve usar de mecanismos autoritários, desconectados com valores sociais e humanitários para cercear este direito.
    Não é questão de ser Cuba ou não ser Cuba, é questão de ser humano.

  3. Luis Soares Postado em 22/Jul/2010 às 15:51

    Um problema é que grande parte das matérias jornalísticas são tendenciosas no sentido de demonizar Cuba. Claro que Cuba tem defeitos, os outros paises tem também, mas quando chega em Cuba sempre a imprensa quer dançar em cima, é só comparar com as notícias sobre Israel, por exemplo.

    Não é questão de defender os erros indefensáveis de Cuba, isso seria loucura.

    No mais, libertar os presos políticos em Cuba pode ser uma maneira de reforçar a cobrança pelo fim do Guantánamo.