Luis Soares
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Política 20/Apr/2010 às 16:20
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Perder ou Perder

Papel de coadjuvante: destino reservado a todos que compõem o ninho do PSDB na Paraíba

Cícero Lucena ao romper politicamente com Cássio Cunha Lima estará, mesmo que tardiamente, proclamando sua maioridade numa atividade que vem desafiando o espírito humano desde que a sociabilidade passou a ser um bem de subsistência; há bastante tempo, portanto. O fato é que tudo tem seu limite e a gota d’água da paciência de Cícero, enquanto ser político, parece haver transbordado do balde tucano.
O comportamento que teve em toda a sua trajetória não deixava transparecer que um dia deixaria de ser subserviente e fiel aos seus padrinhos políticos. Mas ele demonstra que cansou de ser apenas um coadjuvante. Por sinal, é esse o destino de todos os que compõem o ninho do PSDB na Paraíba.
O personalismo do grupo Cunha Lima impede que surjam lideranças de peso no partido. É mais ou menos como o velho Leonel Brizola foi no PDT: ninguém podia brilhar, somente ele. A questão não é quem se sobressairá mais, porém a preservação do direito de todos carregarem seu próprio e incomparável destaque. Tal atitude, eivada de egocentrismo, contraria a própria essência do PSDB, que nasceu sob o cunho da moderação e prima pela divisão de atribuições, sem estrelismos.
Cícero Lucena, finalmente, aparenta ter cansado de ser capacho, fantoche, enfim, eterno agradecido. Deve temer ter o mesmo fim de Cozete Barbosa, Félix Araújo Filho e outros. Hoje, certamente admira a altivez do saudoso Antônio Mariz e a de José Maranhão, que recusaram-se a ser sugados pelo terrível “buraco negro”. Tudo indica que a direção nacional do seu partido já resolveu seu impasse com Cássio ao lhe delegar o papel de coordenador da campanha de José Serra no Nordeste, ou até no país, fazendo-o refletir sobre a retirada de sua candidatura. As mágoas que nutre pelo clã que o forjou politicamente não desaparecerão tão cedo.
O lugar de Cícero Lucena na história política da Paraíba já está reservado. Do saldo das suas qualidades e defeitos, contudo, ninguém poderá jamais retirar uma marca que lhe foi impingida porque ele mesmo a conquistou: a de perdedor!
Por Luis Soares, em Pragmatismo Político

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