Luis Soares
Colunista
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Política 31/Mar/2010 às 23:59
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Os desgovernos do Brasil e a qualidade de vida do povo

Waldemar Rossi, no Correio da Cidadania
Ano eleitoral, ano de promessas, de muita conversa, de muitas meias verdades e muita mentira. Como dizia Paulo Maluf, “é preciso mentir para ganhar eleições”.
 
No estado de São Paulo temos um bom exemplo do que foi dito acima. José Serra fez campanha brilhante para se eleger governador. Suas promessas mostravam que o povo paulista teria um grande avanço em qualidade de vida, falando em educação, saúde pública, moradias populares, transporte coletivo, saneamento básico e tantas outras belas promessas. Porém, o que vem acontecendo em seus quatro anos de governo? A educação se revelou uma lástima a ponto de ser constatado pelas avaliações oficiais que a infância e a juventude paulista têm um dos piores aprendizados entre todos os estados do Brasil. 
São Paulo está promovendo um amplo serviço de semi-alfabetização que já está comprometendo a vida das atuais gerações jovens. A saúde não fugiu à regra, serviços hospitalares públicos são precarizados, vão sendo terceirizados, num claro processo rumo a mais uma privatização de todos os serviços essenciais à vida da população, sobretudo dos mais carentes, os trabalhadores. O Banespa já tinha sido “doado” ao espanhol Santander e o Serra “doou” a Nossa Caixa/Nosso Banco ao Banco do Brasil, enquanto que os lucros dos grandes bancos são astronômicos e o povo paga caro e é mal servido.
 
Os servidores públicos também passam por constrangimento ao terem seus salários arrochados. Exemplo disso vem sendo revelado pela imprensa, por exemplo, em relação aos servidores da Justiça paulista. Depois de ficarem 10 anos sem reajuste – entre 1994 e 2004, com os governos Covas e Alckmin -, os servidores foram realizando protestos, chegaram à greve até conseguirem a retomada dos reajustes dos seus corroídos salários. Entretanto, tais reajustes jamais recompuseram o que foi perdido. Se conseguiram algum reajuste entre os anos de 2004 e 2008, o ano de 2009 passou em branco. A defasagem salarial desses dois anos já chega aos 19,16%, achatando mais uma vez seu padrão de vida. As negociações estão em marcha, mas a proposta do Serra se limita a 7%, o que ocasionará mais um achatamento salarial. E isto em pleno ano eleitoral. É importante considerar que tal arrocho vem se dando durante 16 anos de governos tucanos.
 
O piso dos funcionários da Justiça do Estado é de R$ 2.300,00, o que pode levar alguns a considerar um salário alto. Lembro aos leitores que, segundo o DIEESE, o salário mínimo nacional deveria estar em torno de R$ 2.400,00, o que seria o mínimo necessário a um padrão de vida decente, não um salário profissional. Não por menos a maioria desses servidores está endividada. Como são forçados a recorrer às escolas privadas e aos convênios médicos, já que os serviços educação e de saúde públicas são precários, seus ganhos se tornam insuficientes. (*)
 
E os professores do estado continuam em greve reivindicando alguma migalha do que lhes vem sendo roubado ao longo de, pelo menos, 16 anos de um mesmo partido no governo paulista. Os professores querem também profunda reforma no sistema se ensino público, buscando a qualidade que lhe falta. A resposta do Serra tem sido o cassetete e as bombas de gás da Polícia Militar.
 
Não nos esqueçamos que as atuais obras do Metrô paulista já provocaram a morte de sete operários, devido às incríveis falhas proporcionadas pelas empreiteiras por conta da redução do material necessário; que tais obras continuam e que nenhuma dessas empresas foi punida. A impunidade, aliás, tem sido uma constante entre nossos governantes comprometidos que estão com as benesses do empresariado para as campanhas eleitorais.
 
Chagado o momento eleitoral, estamos assistindo à lengalenga costumeira das campanhas eleitorais, como soe acontecer nesses períodos. Sempre ouvimos meias verdades e muita mentira, assim como promessas e mais promessas vindas dos candidatos. Cada um tenta convencer os eleitores de que é o melhor para governar e servir ao povo. Alguns, em algum tempo, até já ousaram apresentar Programas de Governo. Tudo muito natural e seria vantajoso para o povo se suas promessas fossem verdadeiras. Tudo, porém, não tem passado de mero jogo de cena visando ganhar os incautos. Uma vez eleitos e empossados mandam esquecer o que tinham dito ou escrito antes. As promessas e programas apresentados ao povo durante as campanhas são jogados em gavetas e “fechados a sete chaves” para que possam ser reutilizados, muitas deles, no próximo pleito, ou então ainda durante o mandato, caso sejam cobrados publicamente, como acontece com o governo Lula e a prometida Reforma Agrária.
 
Na hora de votar, nossos eleitores se lembrarão dessas aberrações políticas e éticas? Ou se deixarão iludir pelo “canto das sereias” dos diversos candidatos?
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