Luis Soares
Colunista
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Artigos do editor 03/Jan/2010 às 21:10
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Sem lamber nem cuspir

sem lamber nem cuspir

Vivemos materializando a trilogia que faz o tempo: passado, presente e futuro. Nascemos, crescemos, amadurecemos, envelhecemos e morremos. Infelizmente, muitos morrem no nascedouro ou vivem pouquíssimo, sendo impossibilitados de cumprir todas as etapas de uma longevidade normal. Os sobreviventes deste mundo têm que lidar da melhor forma possível com o fato de que um dia tudo acaba, exceto os frutos das sementes plantadas. No plantio, na semeadura e na colheita todos nós estamos envoltos em coisas boas e más, em tristezas e alegrias, em prazeres e dores. Naturalmente, durante todo o transcorrer da nossa jornada, tendemos a guardar com carinho, no relicário das nossas lembranças, tudo o que de bom vivemos e tivemos, ao passo que procuramos esquecer as mágoas, os sofrimentos, as experiências desagradáveis que pautaram nosso destino.

A incapacidade que temos revelado para fazer da evolução um bem compartilhável a todos exige, neste começo de século, que comecemos a inventar um novo padrão comportamental, ou seja, que iniciemos um processo educativo que venha inaugurar uma inédita maneira de pensar e agir. Assim é que, cansados de engatinhar rumo a um mundo mais harmonioso, não vislumbramos outra saída que não a de aproveitarmos o clima de saturação em que estamos, prestes a sermos aquela famosa gota d’água que transborda, e adotarmos o equilíbrio como nossa tábua de salvação.

Equilibrados não teremos rancor nem ódio, nem tampouco falso amor. Somente a moderação nos levará a uma compreensão estruturalista-holística dos processos social e político, que nos conduzirá entre a perfeita combinação entre passado, presente e futuro. O ser humano de consciência monolítica em relação a (a)temporalidade deve ser a meta de todos os que aspiram uma sociedade realmente justa.

O que somos hoje é tanto resultado do que fomos ontem como também semente do que nos tornaremos amanhã. O passado é o alimento do presente e para que construamos um Novo Mundo, sem traumas, é preciso que nem cuspamos nem lambamos o prato onde comemos. Não devemos ser exageradamente nem saudosistas nem modernistas. Normalmente, o saudosista lambe o prato, supervalorizando o que já dorme nos longínquos tempos pretéritos e ignorando a realidade premente, enquanto que o modernista cospe na sua própria história pessoal, enxergando, quase que tão somente, o que ainda não viu. Necessitamos, isto sim, ser agentes da contemporaneidade e senhores da nossa própria nutrição mental e espiritual.

*Luis Soares é escritor, colunista e editor de Pragmatismo Político

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Comentários

  1. JD - João Damasio Postado em 03/Jan/2010 às 21:50

    Concordo em TUDO. Divulgo.

  2. Tânia Marques Postado em 05/Jan/2010 às 16:32

    Que bárbaro! Adorei teu blog e já estou seguindo-o. Espero que faças o mesmo com o meu e, principalmente, que gostes do conteúdo dele. Beijos com carinho!
    www.marquesiano.blogspot.com
    Palavras e Imagens

  3. Mariana Mauro Postado em 05/Jan/2010 às 17:57

    Esse post está incrível!!
    Realmente, não podemos nem laber, nem cuspir...
    É preciso tomar como base os acertos e fracassos pretéritos para conseguir o tão sonhado êxito futuro!
    Gostei do blog!!
    Obs: Obrigada por me seguir no twitter!
    Bye!
    http://jovempornatureza.blogspot.com/

  4. Eric Postado em 05/Jan/2010 às 18:55

    Este texto está muito bom, meu camarada. Como o Buda já ensinava, que a resposta não está nos extremos.

  5. Nicodemos Sobrinho Postado em 07/Jan/2010 às 01:33

    Caro Luís,

    Realmente surpreendente esse seu artigo. Não conhecia essa sua vertente Estóica. "Equilibrados não teremos rancor nem ódio, nem tampouco falso amor." Lembro-me de uma frase de Sêneca: "Elogio a vida, não a que levo, mas a que sei dever ser vivida". Ele que sempre pregou o controle sobre os sentimentos, principalmente os extremos, se sentiria, na minha opinião, perfeitamente contemplado com este seu texto.
    Santo Agostinho também dizia que "A virtude está no meio", a busca do equilibrio sempre esteve presente na filosofia dos principais mestres, nessa sociedade que como você mesmo diz tem se mostrado "incapaz de compartilhar uma evolução para todos..." deve estar, ao menos, sempre presente como uma busca pessoal de cada um. Um dia quem sabe, conseguiremos.
    Parabéns pelo ótimo artigo.

  6. Anonymous Postado em 14/Jan/2010 às 19:21

    Ideologicamente o posicionamento está correto, seria uma condição de evolução em maravilhosa harmonia, mais eficaz, com menos "perdas"... contudo, historicamente, não é assim que o mundo evolui e evoluiu (até então), foram sempre confrontos - um tanto - radicais, com defesas ferrenhas das posições assumidas de cada lado, embates com posteriores erradicações dos vencidos pelos vitoriosos... Exemplos: tente conversar "harmonicamente" com os traficantes do país para erradicar o narcotráfico, com os políticos para - apenas - reduzir seus privilégios que garantem a sua dominação sobre o "povinho" (mal necessário, na visão deles), para ver no que vai dar... Idéia mirabolante, porém utópica... teria que antes "dizimar" todos os humanos da terra, para recomeçar neste novo conceito!

  7. Antonio Postado em 15/Jan/2010 às 19:18

    Cara caraca cara! Vc eh o cara... hehehe' Eu gosto de encontrar blogs que expressem-se quase que de forma autônoma... parece até que nem é preciso mais nada para captarmos a mensagem que vc nos deu. Não sei se estou sendo claro, mas eh a maneira que penso, mesmo sendo confusa e particular. A ideologia da trilogia do tempo, realmente, foi inédita pra mim. Parabéns !
    Agora, não querendo ser chato, hehehe' mas espero que seja seguidor do meu blog tbm.. kk' abraços !
    www.antonizado.blogspot.com